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Há risco de racionamento de energia?

03/01/2013 às 10:25
por Alexandre Nascimento

Estamos no meio da estação chuvosa e até agora, nada de chuva! A Climatempo já havia previsto isso há meses.

Confira a análise da situação atual e as perspectivas para o clima na entrevista com o meteorologista da Climatempo, Alexandre Nascimento. Dezembro, um dos meses mais chuvosos no Sudeste e no Centro-Oeste teve registro de menos chuva do que o normal. Com isso, os reservatórios que já estavam com níveis bem baixos (entre 20 e 30%) baixaram ainda mais ao longo do mês passado. Além disso, houve outros fatores que pioraram ainda mais a situação, como por exemplo, o excesso de calor e a consequente elevação da alta carga de consumo. As vendas de ar condicionado este ano foram destaque no Natal e até mesmo antes dele, pois o calorão em outubro também levou os brasileiros às compras dos produtos de climatização. Nos mapas acima vemos que choveu acima do normal apenas em parte do Sul, de São Paulo e do Norte (mapa da esquerda, em cima). Nas demais áreas do Sudeste, no Centro-Oeste e no Nordeste choveu menos do que o padrão climatológico do mês (mapa da direita, em cima). Em consequência da falta de chuva (poucas nuvens) fez muito mais calor do que a média (mapa de baixo). Se olharmos apenas para os grandes reservatórios que geram energia elétrica no país apenas o de Tucuruí, no Norte do Brasil, e os menores do Sul tiveram registro de mais chuva do que a média. Mesmo onde choveu mais do que o normal a chuva foi irregular, ou seja, em poucos dias choveu muito e em vários dias tivemos muito sol e pouca chuva – o que é ruim para a recuperação (elevação) do nível das represas e/ou lagos. E essa chuva (ou falta dela) ocorreu em cima de áreas que já vinham com grande déficit hídrico. Comparando o nível dos reservatórios no site da ONS (Organizador Nacional do Sistema) podemos verificar que hoje estamos em níveis extremamente baixos. Comparando ano a ano chegamos à seguinte conclusão: estamos em níveis semelhantes aos observados em 2001 – ANO DO APAGÃO. E, o pior: até a presente data (02/01/2013) os dados só estão totalizados até novembro de 2012. Quando entrarem os dados de dezembro, podemos nos assustar um pouco mais! Observando os dados da ONS acima vemos que a demanda (carga de consumo) em relação a 2001 foi bem maior este ano. A geração de energia também foi maior, devido ao aumento dos reservatórios capazes de produzir energia elétrica. No entanto, em termos de valores podemos verificar que a demanda foi maior do que a geração. Se olharmos apenas para novembro de 2012, quando tivemos mais nuvens, menos calor e um pouco mais de chuva, o déficit entre a demanda e a geração foi de mais de 20000 MW. Para se fechar o balanço o governo despachou a geração todos os tipos de geração térmica – o que é bem mais caro e ambientalmente incorreto. Diante do dilema acima descrito vem algumas perguntas: E o que pode acontecer se não chover? Vai chover? Bem, de acordo com a expectativa da maior parte dos modelos numéricos de previsão do tempo e do clima devemos ter uma continuidade da chuva irregular pela frente. O que isso quer dizer? Não vai chover? Não teremos temporais de verão? Teremos temporais isolados e irregulares sim, a exemplo do que já ocorreu em dezembro em várias localidades e neste começo de janeiro no Estado do Rio. Ou seja, poucos dias com chuva muito forte e vários dias sem chuva ou com chuva esparsa e fraca. Não é esse tipo de chuva que resolve o problema. O que resolveria? Para resolver o problema deveria ocorrer a formação de um fenômeno meteorológico conhecido tecnicamente como ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul) para haver a recuperação dos reservatórios do Sudeste e do Nordeste. E as condições estão, neste exato momento, desfavoráveis a essa ocorrência. Para que houvesse uma recuperação plena, ou satisfatória, o tempo deveria fechar agora e ficarmos aí umas três ou quatro semanas sem sol e debaixo de muita chuva – umas três vezes a média climatológica (que já é bem elevada – de 250 a 400mm no subsistema Sudeste). E não é isso que deve acontecer, como podemos verificar nos mapas de pentadas abaixo (acumulado de chuva previsto para cinco dias). Deve chover um pouco mais até o dia 10, mas depois passaremos por um período mais seco e quente e só mais para o fim do mês teremos um período mais úmido novamente. Sem a formação de alguns períodos com ZCAS devemos fechar janeiro e fevereiro com menos chuva do que o normal. Depois não deve haver recuperação, pois já devemos entrar no período climatologicamente mais seco. Ou seja, os reservatórios devem deixar o período úmido com menos de 40% de sua capacidade total e a “BOMBA” pode vir ao longo do ano de 2013. Algumas teorias, a qual não sou especialista e não tenho contra-argumentos, vêm de encontro ao problema anunciado: - Estamos passando por um momento de máximo de atividade solar, onde a chuva fica extremamente irregular. Especialistas no assunto dizem que isso já ocorreu por volta de 1950 e o Brasil sofreu as consequências em relação à geração hidrelétrica. - Estamos passando por um ciclo oceânico onde a chuva na América do Sul fica irregular.