Por que tantos temporais em São Paulo?

08/03/2019 às 18:15
por Josélia Pegorim

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Saiba quando as tempestades de verão vão diminuir. O outono começa no dia 20 de março.

O sol predominou no dia 8 de março na cidade de São Paulo, mas todos os outros dias, de 1 a 7 de março, alguma região da capital paulista foi alagada ou teve algum transtorno por causa de temporal. Houve transbordamento de um ou mais córregos em todos os dias do Carnaval de 2019. Centenas de árvores foram ao chão neste verão por causa da chuvarada e da ventania.

 

São Paulo entrou em março encharcada por quase 630 mm de água acumulados em janeiro e em fevereiro, o que corresponde a quase 40% da média de chuva normal para 1 ano, que é de 1616 mm, valor de referência calculado pelo Instituto Nacional de Meteorologia para o período de 1981 a 2010.

Ao fim de 8 dias, o total de chuva acumulado em março de 2019 era de aproximadamente 100 mm, 46% da média normal para o mês que é de 214 mm ( INMET, 1981-2010).

 

A capital paulista está sentido o efeito dos muitos temporais que já ocorreram desde o início do ano. Os rios e córregos extravasam mais facilmente e os incontáveis remendos do asfalto das ruas começam a se desfazer deixando a cidade perigosamente esburacada. A primeira ventania balançou e a segunda derrubou mais uma árvore.

 

 

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Por que tantos temporais?

Estamos no verão, época mais comum de formação das grandes nuvens do tipo cumulonimbus, que provocam a ventania, a chuva forte e os raios. Estas nuvens se desenvolvem facilmente no verão porque existe maior disponibilidade de calor e de umidade na atmosfera.

Calor e ar muito úmido são os principais ingredientes para a formação destas nuvens. Nos meses de verão, o ar fica quente e úmido em todo o Brasil e as nuvens de temporal crescem em todas as Regiões, do sertão à Amazônia, até os pampas gaúchos.

 

Temporal nesta época é comum, mas este ano, para ajudar a esquentar um pouco mais o ar, temos os oceanos Pacífico Equatorial, na costa do Peru, e o Atlântico Sul, na costa leste do Brasil, mais quentes do que o normal.

Água do mar quente significa, por exemplo, maior evaporação e mais umidade sendo injetada na atmosfera para alimentar as nuvens de chuva. O El Niño, mesmo fraco, causa mudanças na circulação dos ventos e na pressão do ar sobre a América do Sul que alteram a forma da chuva, o direção do fluxo de umidade que vem da Amazônia para o Sudeste e Sul do Brasil e também o caminho e a força das frentes frias.

 

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Até quando vão os temporais?

São Paulo, como todo o Brasil, está imersa em uma enorme massa de ar úmido e quente e esta situação não vai mudar quase nada até o fim da primeira quinzena de março. Isto quer dizer mais temporais,  quase todas as tardes, em alguns bairros da capital paulista e municípios da Grande São Paulo.

 

Os temporais só dão uma trégua quando o ar esfria e para isto é preciso que o ar frio de origem polar das frentes frias consiga chegar a São Paulo, pelo menos com moderada intensidade. Isto aconteceu poucas vezes desde o começo do ano.

 

Durante a segunda quinzena de março, frentes frias devem passar pelo litoral paulista e com força para baixar a temperatura na Grande São Paulo. A previsão é de que os temporais sejam menos frequentes na segunda quinzena de março.

Devem ser as últimas frentes frias do verão de 2019. O outono começa oficialmente no dia 20 de março, mas a atmosfera não esfria imediatamente com a mudança da estação no calendário. Chover forte em alguns dias de abril ainda é comum. 

 

 

Foto de Robson, São Paulo (SP): visão de Itaquera na tarde de 7/3/19

 

 

 

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