Uma nova área de baixa pressão atmosférica se formou no mar, entre a costa do Rio de Janeiro e do Espírito Santo e tende a intensificar nas próximas 24 horas. A Marinha do Brasil está considerando a possibilidade de formação de um ciclone subtropical, conforme aviso especial emitido na tarde da sexta-feira, 27 de fevereiro.
Na carta meteorológica da Marinha de 27/2/26, às 9 horas, esta baixa pressão atmosférica aparece marcada com a letra “B”, em vermelho, com 1002 hectopascais (hPa).

Carta meteorológica da Marinha do Brasil, de 27/2/26, às 9h, indica a baixa pressão atmosférica B, em vermelho, com 1002 hPa, na costa entre o RJ e o ES
No aviso da Marinha do Brasil, a possibilidade de formação do ciclone subtropical é a partir das 12 horas (1500Z) deste sábado, 28 de fevereiro.
AVISO ESPECIAL
EMITIDO ÀS 1800Z – QUI – 26/FEV/2026
POSSÍVEL FORMAÇÃO DE CICLONE SUBTROPICAL A PARTIR DE 281500Z COM PRESSÃO CENTRAL DE 1002HPA EM 27S038W, MOVENDO-SE PARA SUL, COM VENTO CICLÔNICO FORÇA 7 COM RAJADAS FORÇA 8 E MAR GROSSO AFETANDO AS ÁREAS BRAVO, DELTA E SUL OCEÂNICA.
VÁLIDO ATÉ 010000Z.
A Climatempo já está monitorando a evolução desta baixa pressão atmosférica. As simulações da pressão atmosférica para os próximos dias, do modelo GFS, dos Estados Unidos, indica que a pressão do ar no centro da baixa pressão, que poderá evoluir ou não para um ciclone subtropical, alcance um pouco menos de 100 hPa durante a tarde do dia 28 de fevereiro . Já a simulação do modelo ECMWF, da comunidade europeia, prevê que a baixa pressão tenha menos de 100 hPa apenas na manhã do domingo, 1 de março. Os dois modelos atmosféricos concordam que esta baixa pressão tende a se intensificar em alto-mar, já afastada da costa do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.
Atenção: o ciclone deve se formar e se deslocar sobre o oceano, muito longe do litoral do Sudeste, afastando-se cada vez mais do Brasil. Este sistema não vai passar sobre nenhum estado brasileiro nos próximos dias. Este ciclone deve gerar rajadas de vento fortes em alto-mar e que não vão atingir nenhuma região em terrra no Brasil. Não há risco de ventania, por causa deste ciclone, em nenhum estado do país.
Impactos no Brasil
Neste sábado, 28 de fevereiro, a presença da baixa pressão atmosférica na costa do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, produz rajadas de vento moderadas a fortes, da direção sudoeste, com até 60 km/h na costa do Rio de Janeiro e até 65 km/h na costa capixaba. No domingo, 1 de março, com o afastamento da baixa pressão, as rajadas enfraquecem para até 55 km/h.
Por causa destas rajadas, o mar tende a ficar agitado na costa do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, mas não há previsão de ressaca, por enquanto.
O que é um ciclone subtropical?
Um ciclone subtropical é um centro de baixa pressão atmosférica que se organiza isoladamente, sem estar associado a uma frente fria. No Hemisfério Sul, o ar ao redor do centro de baixa pressão se movimenta no sentido horário. Próximo da superfície, o ar no centro dos ciclones subtropicais é mais quente do que o ar ao redor, em altitudes mais elevadas, acima de 3 km de altitude. Isso deixa a atmosfera mais instável e aumenta as condições para ocorrência de tempestades severas.
Um ciclone subtropical pode se intensificar para uma depressão subtropical, quando tem ventos abaixo de 63 km/h. Se o ciclone continua se intensificando, pode se tornar uma tempestade subtropical, com velocidade do vento igual ou maior a 63 km/h e menor do que 118 km/h.
Saiba a diferença entre um ciclone extratropical, ciclone subtropical e tropical
Nomeação de um ciclone
Vários ciclones subtropicais já se formaram na costa do Sul e do Sudeste do Brasil, mas são considerados fenômenos meteorológicos especiais, que não ocorrem com frequência. Quando um ciclone subtropical se intensifica e evolui até uma tempestade subtropical, então, recebe um nome. É a Marinha do Brasil que batiza estes sistemas meteorológicos especiais que surgem na costa brasileira, a partir de uma lista de nomes definidos por ela.
Em 2024 ocorreu a formação do ciclone subtropical Akará, que atuou entre 15 e 21 de fevereiro. Entre 14 de dezembro de 2024 houve a formação da tempestade subtropical Biguá. Se surgir uma nova tempestade subtropical neste fim de semana, na costa da região Sudeste, será batizada de Caiobá, que na língua indígena tupi quer dizer “habitante da mata”.
A lista de possíveis nomes para batizar as tempestades subtropicais e tropicais foi renovada no início de março de 2023. Os nomes são sempre na língua indígena tupi.
Akará (Espécie de peixe) – usado em 2024
Biguá (Ave marinha) – usado em 2024
Caiobá (Habitante da mata)
Endy (Luz do fogo)
Guarani (Guerreiro)
Iguaçú (Rio grande)
Jaci (Lua)
Kaeté (Mata virgem)
Maracá (Instrumento indígena)
Okanga (Madeira)
Poti (Camarão)
Reri (Ostra)
Sumé (Deus da agricultura)
Tupã (Deus do trovão)
Upaba (Lagoa)
Ybatinga (Nuvem
Aratu (Caranguejo)
Buri (Palmeira)
Caiçara (Cerca)
Esapé (Iluminar)
Guaí (Pássaro)
Itã (Concha)
Juru (Foz)
Katu (Bondade)
Murici (Arbusto do cerrado)
Oryba (Felicidade)
Peri (Planta d’água)
Reia (Realeza)
Samburá (Cesto indígena)
Taubaté (Pedras altas)
Uruana (Tartaruga do mar)
Ytu (Cachoeira)



