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Clima e Previsão do Tempo/Notícias/Educação Climática/Onda de calor: entenda como se forma o fenômeno, riscos do calor intenso e os cuidados necessários

Onda de calor: entenda como se forma o fenômeno, riscos do calor intenso e os cuidados necessários

Saiba o que é uma onda de calor, como se forma o bloqueio atmosférico e quais são os riscos do calor intenso à saúde, à energia e ao meio ambiente, além dos cuidados essenciais para se proteger.

Lívia Caetano

11/02/2026 às 15:49

Imagem da notícia Onda de calor: entenda como se forma o fenômeno, riscos do calor intenso e os cuidados necessários
Onda de calor: entenda como se forma o fenômeno, riscos do calor intenso e os cuidados necessários.

atualizado em 20/04/2026

As ondas de calor estão cada vez mais frequentes e intensas no Brasil e no mundo. O fenômeno pode ocorrer em qualquer estação do ano, tanto no Hemisfério Sul quanto no Hemisfério Norte, mas é particularmente mais intenso na primavera e no verão, quando há um aumento natural da insolação diária, que é o número de horas com sol.

Há décadas, o aumento da frequência e da intensidade de ondas de calor, tanto na atmosfera quanto no oceano, é um dos alertas mais recorrentes da Organização Meteorológica Mundial (OMM) e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os anos de 2024, 2023 e 2025 (nesta ordem) foram os mais quentes já medidos pela ciência moderna desde o período pré-industrial (1850–1900). Em 2024, pela primeira vez, a temperatura média global da Terra — considerando oceano e atmosfera — superou o limite de alerta de segurança de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris.

O que é e como se caracteriza uma onda de calor?

Onda de calor — também chamada de bolha de calor — é uma sequência de dias ou até semanas em que as temperaturas em uma região relativamente ampla ficam muito acima da média normal para uma determinada época do ano. Embora a literatura não seja completamente consensual em relação à definição de uma onda de calor, a Organização Meteorológica Mundial considera que uma onda de calor está atuando em uma região, quando as temperaturas permanecem pelo menos 5°C acima da média histórica por, no mínimo, cinco dias consecutivos.

Além do aumento das temperaturas normalmente observadas à tarde, durante uma onda de calor também se observa um aumento do calor durante a noite, o que traz maior estrresse térmico.

Como se forma uma onda de calor?

As ondas de calor são geradas por bloqueios atmosféricos causados por grandes sistemas de alta pressão atmosférica. O bloqueio atmosférico é uma estagnação do movimento normal do ar provocada por uma alta pressão que permanece parada, ou quase parada, na mesma posição por pelo menos cinco dias seguidos — podendo durar semanas.

As altas pressões atmosféricas são regiões onde a pressão do ar está mais elevada do que ao redor. Elas provocam um movimento descendente do ar (de cima para baixo) chamado subsidência. Esse movimento comprime o ar próximo à superfície, fazendo com que ele aqueça ainda mais.

Alta pressão atmosférica causa a subsidência, que é o movimento do ar de cima para baixo (Fonte: Alta pressão atmosférica causa a subsidência, que é o movimento do ar de cima para baixo (Fonte: Climatempo)

Alta pressão atmosférica causa a subsidência, que é o movimento do ar de cima para baixo (Fonte: Climatempo)

A subsidência também deixa o ar seco, reduz a umidade e inibe a formação de nuvens, diminuindo significativamente a chance de chuva. Por isso, ondas de calor costumam estar associadas a:

  • céu com pouca nebulosidade
  • predomínio de ar seco
  • baixa ocorrência de chuva
  • forte incidência de radiação solar (dias com muito sol)

Bloqueios atmosféricos podem ocorrer em qualquer época do ano, inclusive no inverno. No entanto, quando acontecem na primavera e no verão — períodos naturalmente mais quentes — há um somatório de ar quente que intensifica ainda mais o calor.

Perigos associados ao calor intenso

Sobrecarga no sistema elétrico

Durante uma onda de calor, o uso contínuo e simultâneo de aparelhos como ar-condicionado e ventiladores provoca aumento expressivo no consumo de energia elétrica. Esse pico de demanda pode gerar sobrecarga na rede de distribuição e, em alguns casos, resultar em quedas de energia e apagões pontuais, especialmente em grandes centros urbanos.

Impactos na agricultura

O calor intenso provoca estresse térmico nas plantas, reduz o potencial produtivo das lavouras e acelera a evapotranspiração. Como consequência, há maior necessidade de irrigação e aumento dos custos de produção, além de possíveis perdas agrícolas em episódios prolongados de temperaturas extremas.

Aumento do risco de incêndios

A combinação de temperaturas elevadas, falta de chuva prolongada e baixa umidade relativa cria condições altamente favoráveis ao surgimento e à rápida propagação de focos de incêndio. Esse cenário agrava queimadas em áreas de vegetação, amplia danos ambientais e eleva os riscos à população.

Baixa umidade do ar

Durante episódios de onda de calor, a umidade relativa do ar pode ficar abaixo de 30% e, em situações mais críticas, atingir níveis inferiores a 20%. Esse cenário favorece o ressecamento das vias respiratórias e pode provocar irritação nos olhos e na garganta, sangramentos nasais e agravamento de doenças respiratórias, especialmente em grupos de pessoas mais sensíveis, como crianças, pessoas idosas e quem já tem problemas respiratórios crônicos.

  • Durante períodos de calor intenso e ar seco, também é essencial evitar queimadas. Qualquer foco de incêndio deve ser comunicado às autoridades competentes para impedir a rápida propagação das chamas.

Cuidados essenciais durante uma onda de calor

Diante de episódios de calor extremo, a adoção de medidas preventivas é indispensável para reduzir riscos.

  • a hidratação deve ser constante, com ingestão regular de água mesmo na ausência de sede;
  • bebidas alcoólicas e o consumo excessivo de cafeína devem ser evitados, pois podem intensificar a desidratação;
  • é fundamental reduzir a exposição ao sol nos horários mais quentes do dia, especialmente entre 10h e 16h, quando a radiação solar é mais intensa;
  • o uso de roupas leves e claras ajuda na regulação térmica do corpo, diminuindo o stresse térmico;
  • ambientes internos devem estar sempre ventilados, com circulação de ar sempre que possível;
  • em situações de temperaturas muito elevadas, procurar locais climatizados pode ser necessário;
  • atenção redobrada com grupos vulneráveis, como idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas, garantindo oferta frequente de água e nunca deixando crianças ou animais dentro de veículos fechados;

Tendência: ondas de calor mais frequentes e intensas

Com o avanço das mudanças climáticas, os eventos de calor extremo têm se tornado mais comuns, duradouros e intensos. Estudos indicam aumento na frequência, na intensidade e na duração das ondas de calor nas últimas décadas, reforçando a necessidade de monitoramento constante e adaptação da sociedade a esse novo padrão climático.

O relatório sobre o clima global em 2025, divulgado no projeto Lancet Countdown, da revista científica The Lancet mostrou que, em média, no perído entre 2020 e 2024, 84% do número de dias com onda de calor enfrentados anualmente pela população mundial não teriam ocorrido sem as mudanças climáticas.

Média de dias com ondas de calor x mudanças climáticas x IDH

Média de dias com ondas de calor x mudanças climáticas x IDH (Fonte: https://lancetcountdown.org/)


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