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El Niño atinge patamar de evento muito forte e Pacífico Equatorial segue aquecendo

Aquecimento do Pacífico se intensificou nas últimas semanas, enquanto projeções indicam alta probabilidade de manutenção de um El Niño muito forte entre a primavera e o início do verão.

Vitor Takao Suganuma

14/09/2026 às 14:29

Imagem da notícia El Niño atinge patamar de evento muito forte e Pacífico Equatorial segue aquecendo
El Niño já apresenta intensidade forte e pode atingir nível muito forte no início da primavera, com anomalia próxima de 2 °C no Pacífico.

El Niño já atinge patamar de evento muito forte no Pacífico

O El Niño ganhou força nas últimas semanas e as condições atuais do Oceano Pacífico já são compatíveis com o patamar de um evento muito forte. A atualização divulgada nesta segunda-feira (14) mostra um aquecimento expressivo das águas superficiais principalmente nas porções central e leste do Pacífico equatorial.

Na região Niño 3.4, uma das principais áreas utilizadas para o monitoramento do fenômeno, a anomalia da temperatura da superfície do mar chegou a 2°C acima da referência.

Mais perto da América do Sul, o aquecimento é ainda maior. A anomalia alcançou 2,8°C na região Niño 3 e 3,7°C na Niño 1+2.

Quando esses valores são comparados aos limiares historicamente associados à intensidade do fenômeno, as condições atuais indicam que o El Niño já alcançou o patamar de um evento muito forte.

O cenário também não é resultado de uma oscilação pontual. O aquecimento das águas vem se intensificando nas últimas semanas, especialmente no Pacífico central e leste.

Por que a classificação oficial ainda é diferente?

Há uma diferença importante entre observar a intensidade atual do aquecimento do Pacífico e determinar oficialmente a categoria do El Niño.

A classificação oficial de intensidade utiliza o RONI (Relative Oceanic Niño Index, ou Índice Oceânico Relativo do Niño). Diferentemente das anomalias observadas em uma semana específica, esse indicador é calculado a partir de médias de três meses e também considera o aquecimento médio dos oceanos tropicais.

O valor oficial mais recente do RONI, referente ao trimestre de junho, julho e agosto, está em 1,4°C.

Por isso, embora as condições atuais do Pacífico já tenham atingido valores associados a um El Niño muito forte, a confirmação dessa categoria pelo índice trimestral deve ocorrer à medida que o aquecimento mais intenso observado nas últimas semanas seja incorporado aos próximos cálculos.

Em outras palavras, existe uma defasagem natural entre a rápida evolução observada no Pacífico e sua representação no índice trimestral.

Aquecimento também ocorre abaixo da superfície

Os sinais de fortalecimento do El Niño não aparecem somente na superfície do oceano.

Há uma grande quantidade de água mais quente que o normal abaixo da superfície do Pacífico central e leste, reforçando o quadro de aquecimento oceânico. Ao mesmo tempo, a atmosfera apresenta padrões compatíveis com um El Niño bem estabelecido.

A combinação entre oceano e atmosfera ajuda a sustentar as projeções de manutenção de um fenômeno intenso nos próximos meses.

El Niño muito forte deve persistir na primavera

As projeções indicam mais de 90% de probabilidade de o El Niño permanecer na categoria muito forte entre a primavera e o início do verão.

Para o trimestre de outubro, novembro e dezembro, há ainda 75% de chance de o evento atingir uma intensidade superior à dos El Niños anteriores da série histórica iniciada em 1950.

Esses números reforçam a necessidade de acompanhar de perto a evolução do fenômeno durante os próximos meses, especialmente em um período importante para a distribuição das chuvas e das temperaturas no Brasil.

El Niño muito forte não significa impactos extremos em todo o Brasil

A intensidade elevada do El Niño, porém, não significa automaticamente impactos extremos em todas as regiões brasileiras.

A magnitude do aquecimento do Pacífico é apenas uma das variáveis que ajudam a determinar os efeitos do fenômeno. A resposta da atmosfera e a interação com outros sistemas meteorológicos também são fundamentais para definir como a chuva e a temperatura vão se comportar em diferentes partes do país.

A partir de agora, a atenção se volta justamente para essa interação e para seus possíveis reflexos sobre os padrões de chuva e temperatura no Brasil durante a primavera e o verão.

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