Ícone logo
Ícone busca neutro
Seja PremiumFaça seu loginÍcone avatar
Ícone busca
Clima e Previsão do Tempo/Notícias/El Niño/Entenda como o El Niño inibe a formação dos furacões no Atlântico Norte

Entenda como o El Niño inibe a formação dos furacões no Atlântico Norte

Temporada de furacões 2026 no Atlântico Norte está sendo a mais fraca já observada desde 1966, segundo o NHC. Até o dia 24 de setembro, que é o mês do pico da estação, nenhum furacão tinha conseguido se desenvolver.

Josélia Pegorim

25/09/2026 às 16:39

Imagem da notícia Entenda como o El Niño inibe a formação dos furacões no Atlântico Norte
El Niño inibe formação de furacões no Atlântico Norte e estimula mais tempestades no Pacífico leste (Imagem GOES 19 - global 25/9/2026 15h40 UTC (12h40 BRT)

O clima no nosso planeta é influenciado por diversas teleconexões entre os oceanos e a atmosfera. Isto quer dizer que, quando algo muito diferente do normal acontece em determinadas áreas oceânicas, pode causar mudanças atmosféricas em várias regiões do planeta, e não apenas no local onde está ocorrendo uma modificação fora do comum. O El Niño é uma das mais importantes teleconexões descobertas pelos cientistas.

As alterações na circulação de ventos da atmosfera diante de um El Niño são tão profundas, especialmente num El Niño tão forte como já está sendo observado em 2026, que é como se atmosfera sobre o Atlântico Norte pensasse: Cadê o furacão que estava aqui? O El Niño comeu!

Entenda como o intenso El Niño que está ativo em 2026 está causando uma inibição histórica na formação de furacões do Oceano Atlântico Norte e, ao mesmo tempo, estimulando muitos furacões no Oceano Pacífico Leste.

texto de Brunno Cardoso, meteorologista da Climatempo

Atlântico Norte tem temporada de furacões mais fraca já registrada

A temporada de furacões de 2026 no Atlântico Norte está sendo excepcionalmente calma e já registra o maior atraso para a formação do primeiro furacão desde o início do monitoramento moderno por satélite. Desde o início oficial da temporada, em 1º de junho, nenhum furacão se formou na bacia do Atlântico Norte. O período de maior atividade costuma ocorrer entre agosto e outubro, com o pico em setembro. Por isso, passar da metade de setembro sem o registro de um furacão é considerado um evento raro.

Dados do Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC, na sigla em inglês) indicam que este é o maior intervalo sem a formação de um furacão no Atlântico Norte desde 1966, ano considerado o marco do monitoramento moderno por satélites. O recorde anterior havia sido registrado em 2002 e 2013, quando o primeiro furacão dessas temporadas se formou apenas em 11 de setembro.
De acordo com os dados climatológicos de 1991 a 2020, a primeira tempestade tropical nomeada costuma se formar em meados de junho, enquanto o primeiro furacão geralmente surge na primeira metade de agosto.

Quando uma tempestade tropical vira um furacão?

Uma tempestade tropical é um ciclone tropical que atingiu uma determinada força de pressão atmosférica e de intensidade dos ventos. Para ser uma tempestade tropical e receber um nome, um ciclone tropical precisa ter ventos sustentados de pelo menos 63 km/h.
Uma tempestade tropical pode se fortalecer e se transformar em um furacão. Para ser classificada como furacão, a velocidade dos ventos da tempestade tropical precisa alcançar pelo menos 119 km/h.

Entenda a diferença entre furacão, tornado e ciclone extratropical

Previsão já era de temporada de furacões do Atlântico Norte abaixo da média

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) já havia previsto uma temporada de furacões abaixo da média no Atlântico Norte. Na atualização divulgada em maio, o órgão estimou a formação de 7 a 13 tempestades nomeadas (tempestades tropicais), incluindo de 2 a 6 furacões e até 2 furacões de grande intensidade.

Até o início da tarde do dia 25 de setembro, 7 tempestades tropicais haviam recebido nomes em 2026: Arthur (17 de junho), Bertha (19 de julho), Cristobal (12 de agosto), Dolly (27 de agosto), Edouard (31 de agosto), Fay (19 de setembro) e Gonzalo (25 de setembro). No entanto, nenhuma delas conseguiu atingir a intensidade necessária para ser classificada como furacão.

A imagem mostra as tempestades tropicais Fay e Gonzalo captadas pelo satélite meteorológico GOES 19, às 15h40 UTC (12h40 BRT) de 25 de setembro de 2026.

Tempestades tropicais Fay e Gonzalo em 25/09/2026 (Imagem GOES 19- 15h40 UTC (12h40 BRT)

Tempestades tropicais Fay e Gonzalo em 25/09/2026 (Imagem GOES 19- 15h40 UTC (12h40 BRT)

O efeito do El Niño

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais da porção central e leste do Pacífico Equatorial, região ao largo da costa do Peru e do Equador. Esse fenômeno altera a circulação atmosférica e pode influenciar os padrões de chuva, temperatura e atividade de sistemas tropicais em diferentes regiões do planeta.

No Pacífico Leste, que banha a costa oeste do México e dos Estados Unidos, o El Niño aumenta a formação de ciclones tropicais. As mudanças na circulação de ventos causada pelo El Niño tendem a reduzir o cisalhamento vertical do vento, que é a diferença de velocidade e de direção do vento entre camadas atmosféricas em altitudes diferentes. Um cisalhamento fraco de ventos é uma das condições que favorecem a organização e o desenvolvimento de ciclones tropicais.

No Atlântico Norte, o El Niño inibe a formação dos ciclones tropicais. O efeito do El Niño é o de aumentar o cisalhamento vertical, além de favorecer a presença de ar mais seco e movimentos descendentes na atmosfera. Essas condições dificultam a formação e o fortalecimento de tempestades tropicais.

  • Historicamente, eventos mais intensos de El Niño estão associados a temporadas de furacões menos ativas no Atlântico Norte.

Para 2026, a previsão indicava que o fenômeno se intensificaria durante o período de maior atividade da temporada, contribuindo para a manutenção de condições atmosféricas desfavoráveis ao desenvolvimento de furacões no Atlântico Norte.

A temporada de furacões no Atlântico Norte termina oficialmente em 30 de novembro. Portanto, ainda há possibilidade de formação de novas tempestades tropicais ou furacões nos próximos meses. Mesmo assim, o recorde de atraso já foi estabelecido e transforma a temporada de 2026 em um dos episódios mais incomuns da climatologia recente do Atlântico Norte.

Pacífico leste muito ativo

Enquanto o El Niño diminui a formação dos furacões no Oceano Atlântico Norte, facilita o desenvolvimento dos ciclones tropicais no Pacífico Leste.
No dia 25 de setembro de 2026, pela terceira vez apenas este mês, três furacões podiam ser observados ao mesmo tempo no Pacífico leste: Polo, o mais intenso e que ameaça avançar para região mexicana da Baixa Califórnia até o domingo, 27 de setembro, e depois sobre o norte do México, Odalys, que seguia em deslocamento em alto-mar, e Nolo, que passava ao sul do Havaí. Um quarto ciclone tropical tinha 90% de surgir na costa oeste do México.

Em 25 de setembro de 2026, pela segunda vez no mês, três furacões estavam ativos no Pacífico Leste (Imagem GOES W - NOAA/NESDIS/STAR)

Em 25 de setembro de 2026, pela segunda vez no mês, três furacões estavam ativos no Pacífico Leste (Imagem GOES W – NOAA/NESDIS/STAR)

A imagem abaixo mostra os três furacões ativos no Pacífico Leste, no dia 4 de setembro de 2026: à direita Marie, Karina, ao meio, e Lowell, à esquerda. Karina e Lowell se tornaram grandes furacões.

Em 4/9/2026, 3 furacões estiveram ativos, ao mesmo tempo, no Oceano Pacífico Leste. Karina e Lowell se transformaram em grandes furacões. (Imagem GOES W - NOAA/NESDIS/STAR)

Em 4/9/2026, 3 furacões estiveram ativos, ao mesmo tempo, no Oceano Pacífico Leste. Karina e Lowell se transformaram em grandes furacões. (Imagem GOES W – NOAA/NESDIS/STAR)

Segundo o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC, na sigla em inglês), até as 12 horas (hora da Brasília) de 25 de setembro de 2026, 16 tempestades tropicais já haviam sido nomeadas no Pacífico Leste, 4 acima da média, 6 furacões foram formados, sendo que 4 se tornaram grandes furacões. O potencial energético da temporada de furacões do Pacífico leste já está 62% acima da média do período de 1991 a 2020.

Conheça o Climatempo Plus e tenha uma experiência diferenciada com a previsão do tempo e do clima


Previsão para sua cidade

Veja aqui!