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Clima e Previsão do Tempo/Notícias/El Niño/Risco de El Niño forte a muito forte está aumentando

Risco de El Niño forte a muito forte está aumentando

O que é o El Niño? Pode ocorrer um El Niño extremo este ano? Quais os possíveis impactos no Brasil? Confira nova análise da Climatempo e esclareça suas dúvidas.

Josélia Pegorim

22/05/2026 às 22:11

Imagem da notícia Risco de El Niño forte a muito forte está aumentando
El Niño: a mancha vermelha ao redor da linha do Equador, na região do oceano Pacífico Equatorial, representa a situação de temperatura acima do normal, característica do El Niño. A imagema representa o aquecimento do El Niño 2023, de 1 a 10 de junho de 2023 (Imagem: NASA)

Atualmente não há dúvida de que o fenômeno El Niño vai se formar novamente e seu início oficial deve ocorrer em breve, provavelmente durante o mês de junho. Desde que o monitoramento da temperatura do Pacifico Equatorial começou a indicar que 2026 poderia ser um ano com El Niño, a ideia de um El Niño forte só ganhou força.
O que é o El Niño? Pode ocorrer um El Niño extremo este ano? Por que estão falando tanto sobre este fenômeno e quais os seus impactos no Brasil?
A Climatempo elaborou esta nova análise para ajudar a esclarecer o grande público sobre o novo episódio do fenômeno El Niño esperado para 2026, as preocupações com seu impacto e sua intensidade.

O que é o El Niño?

O El Niño é um aquecimento acima do normal da água do oceano Pacífico Equatorial, entre a costa do Peru até mais ou menos a região central deste oceano.
Mas o que acontece quando esse pedaço do oceano esquenta muito? Esse calor não fica só no mar. Vai para atmosfera também. E então, à medida que o calor vai sendo transportado para atmosfera, por meses e meses seguidos, os ventos e a pressão atmosférica ficam com um padrão diferente do normal, em várias partes do planeta. E isso muda a forma e a quantidade de chuva e a temperatura do ar.

  • El Niño e La Niña são fenômenos oceânicos-atmosféricos (interação entre o oceano e a atmosfera), de escala planetária, que interferem no clima de muitos países, tanto do Hemisfério Sul como do Hemisfério Norte.

El Niño interfere no clima do planeta

O El Niño pode estimular mais chuva em algumas regiões do planeta e secas em outras.
Em anos de El Niño, o estado da Califórnia, nos Estados Unidos, que sofre com secas e escassez de água, é beneficiado com mais chuva. Mas o sul da África, a Índia e parte da Austrália ficam com pouca chuva.

  • No Brasil, o El Niño costuma trazer mais chuva para a região Sul e maior risco de seca na Amazônia e no Nordeste. Outra efeito é que o risco de onda de calor aumenta, especialmente na primavera.
El Niño: principais impactos no planeta de junho a setembro

El Niño: principais impactos no planeta de junho a setembro (Climatempo/NOAA)

El Niño: principais impactos no planeta de dezembro a março.

El Niño: principais impactos no planeta de dezembro a março. (Climatempo/NOAA)

El Niño deve começar em breve

Em meados de maio de 2026, a média semanal da temperatura da superfície da água do mar, na região central (Niño 3.4) do Pacífico Equatorial, atingiu o patamar de meio grau acima do normal, que é o mínimo para se falar sobre El Niño. Se este aquecimento persistir nas próximas semanas, vai caracterizar o início do El Niño. O que se espera é que a região central do Pacífico Equatorial fique cada vez mais quente nos próximos meses.

  • Atualmente não há dúvida de que o El Niño vai se formar novamente e seu início oficial provavelmente será durante o mês de junho de 2026.

Pacífico Equatorial cada mais quente até setembro de 2026

Os mapas mostram a projeção do aquecimento da porção central e leste do Pacífico Equatorial até setembro de 2026. A região marcada com o retângulo preto é conhecida como Niño 3.4. A média da temperatura da água do mar nesta região é a referência do monitoramento do El Niño. Quanto mais forte o tom de vermelho, mais quente. O vermelho escuro indica que a temperatura na superfície da água do mar pode ficar mais de 2°C acima da média normal.

Previsão da anomalia da temperatura da superfície do mar, no oceano Pacífico Equatorial, de junho a setembro de 2026 (Fonte: modelo CFCSv2 - EUA)

Previsão da anomalia da temperatura da superfície do mar, no oceano Pacífico Equatorial, de junho a setembro de 2026 (Fonte: modelo CFCSv2 – EUA)

A projeção atual é de que até setembro de 2026, esse aquecimento intenso poderá ocorrer numa grande área, desde a costa do Peru até o meio do Pacífico Equatorial, sinalizando que o El Niño poderá ser muito forte. Mas esta projeção ainda pode ter mudanças nos próximos meses.

El Niño 2026 poderá ser forte a muito forte

Saber a intensidade do El Niño é importante porque quanto mais forte ele for, maiores são os impactos no clima global.
Há vários meses, a Climatempo já vem divulgando que o El Niño de 2026 será no mínimo de forte intensidade. Mas será que poderá ser muito forte ou um super El Niño? Ainda há dúvidas sobre isto.

Janeiro 2026: 2026, um ano com El Niño

Março 2026: Novo El Niño está em formação e pode ser forte

Abril 2026: La Niña terminou, mas El Niño ainda não começou

Maio 2026: El Niño deve estar formado em junho e NOAA eleva para alerta risco de formação do fenômeno

No gráfico, o vermelho escuro representa a previsão de um El Niño muito forte, com a anomalia da temperatura da água na região central do Pacífico Equatorial ficando igual ou superior a 2°C. O vermelho médio é um El Niño forte e o vermelho claro é um El Niño moderado, com média de temperatura da água do mar entre 1°C e 1,5°C.
Repare que a previsão de um El Niño moderado diminui até o fim deste ano e de El Niño forte cresce até setembro, começo da primavera de 2026. Mas a probabilidade de um El Niño muito forte só aumenta!

Risco de um El Niño forte a muito forte aumenta até a primavera de 2026, segundo a NOAA, dos Estados Unidos.

Risco de um El Niño forte a muito forte aumenta até a primavera de 2026, segundo a NOAA, dos Estados Unidos.

Essa tendência tem se mantido nos últimos três meses. Então, de fato, é preciso considerar que o El Niño que vem por aí será forte a muito forte. Mas cada evento é único. Podem ser parecidos, mas não iguais. Então, os impactos que um El Niño forte a muito forte, como foram dos biênios 2015/2016 e 2023/2024 não serão necessariamente os mesmos em 2026. Não podemos dizer, neste momento, quais áreas serão mais atingidas por fenômenos como seca, incêndios e enchentes. Este tipo de previsão é de médio de curto prazo.

O que não temos dúvida?

Que o clima no Brasil e no nosso planeta será influenciado por um El Niño de forte intensidade no segundo semestre de 2026. Um El Niño forte já aumenta muito o risco de termos tempestades mais frequentes no Sul do Brasil já ao longo do inverno, mas especialmente durante a primavera de 2026. E aumenta também o risco de termos um maior número de dias muito quentes na primavera e no verão, na maior parte do Brasil. Os impactos da redução da chuva no Norte e no Nordeste devem ser percebidos no próximo verão, pois a primavera é uma estação naturalmente de pouca chuva nestas regiões.

O que é incerto?

Se o aquecimento na região do Pacífico Equatorial chegará mesmo a um patamar de super El Niño, de El Niño extremo. É muito provável que o El Niño 2026 seja forte, mas ainda não se pode afirmar que será um super El Niño.
Outro fator que preocupa, em escala global, é que os outros oceanos do nosso planeta também estão mais quentes do que o normal. Este excesso de energia oceânica, além do aquecimento associado ao El Niño, potencializa eventos meteorológicos extremos em muitas regiões do planeta no decorrer do ano de 2026.

A Climatempo segue acompanhando a situação dos oceanos e o desenvolvimento do novo El Niño, atualizando seus clientes e a população sobre os possíveis impactos deste fenômeno.


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