Bloqueio mantém calor e ar muito seco antes da mudança
Depois de vários dias de calor intenso e baixa umidade, uma mudança importante no padrão atmosférico começa a atingir o Centro-Sul do Brasil. Uma frente fria avança pela região a partir de quinta-feira (20), enfraquecendo e deslocando gradualmente o bloqueio atmosférico que vinha dificultando a entrada de sistemas meteorológicos.
Até lá, uma área de alta pressão sobre o continente continua mantendo a atmosfera estável em grande parte do Sudeste e do Centro-Oeste. O movimento descendente do ar associado ao sistema dificulta a formação de nuvens, favorecendo muitas horas de sol, temperaturas elevadas e índices muito baixos de umidade.
Na quarta-feira (19), por exemplo, áreas do norte de São Paulo, Triângulo e oeste de Minas Gerais podem registrar umidade entre 12% e 20%. No Centro-Oeste, valores semelhantes são esperados principalmente em Goiás.
Formação de ciclone e frente fria começa a mudar o cenário
Enquanto o bloqueio mantém o calor no interior do país, a atmosfera passa por uma reorganização no Sul. A formação e o aprofundamento de uma área de baixa pressão, associados à organização de uma frente fria, aumentam as instabilidades na região.
Entre quinta e sexta-feira, esse sistema de baixa pressão deve dar origem a um ciclone extratropical próximo à costa da Região Sul, reforçando também a intensidade dos ventos.
Antes da entrada definitiva do ar frio, o Rio Grande do Sul enfrenta chuva forte e temporais. Na quinta-feira, há risco de granizo e volumes entre 10 e 50 mm, com acumulados pontuais próximos de 80 mm no oeste e sul gaúcho.
A chuva também avança por Santa Catarina e alcança principalmente o oeste, sudoeste e sul do Paraná.
Frente fria chega a São Paulo, mas chuva será limitada
A partir de quinta-feira, a frente fria começa a modificar o tempo também no Sudeste. O oeste paulista será uma das primeiras áreas a perceber a mudança, inicialmente pela virada na direção dos ventos.
Diferentemente do que costuma acontecer com algumas frentes frias, porém, a passagem deste sistema não significa chuva generalizada em São Paulo. A atmosfera permanece com pouca umidade disponível em grande parte do estado, limitando a formação de áreas mais abrangentes de precipitação.
Por isso, a chegada da frente será percebida principalmente pela intensificação dos ventos e pela queda das temperaturas.
Na sexta-feira, as rajadas podem se aproximar dos 70 km/h em áreas do centro-leste paulista. A entrada do ar polar também derruba as temperaturas no centro-sul do estado.
Ventos fortes podem levantar poeira no interior
A combinação entre ventos mais intensos e o solo extremamente seco cria outra condição que exige atenção durante a passagem da frente fria: o levantamento de poeira.
O fenômeno pode ocorrer principalmente no interior de São Paulo e também em áreas do Triângulo Mineiro. Dependendo da intensidade dos ventos e das condições locais do solo, a poeira pode provocar redução temporária da visibilidade.
Assim, em algumas áreas, a principal marca da chegada da frente fria não será a chuva, mas uma mudança rápida na direção e intensidade dos ventos, seguida pela entrada de ar mais frio.
Mato Grosso do Sul será um dos primeiros a sentir o ar polar
No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul também começa a sentir a virada a partir de quinta-feira. A entrada dos ventos de sul provoca queda das temperaturas primeiro no oeste, sudoeste e sul do estado, avançando posteriormente por outras áreas.
Na sexta-feira, a massa de ar polar ganha força e consolida uma redução significativa das temperaturas em Mato Grosso do Sul.
O ar frio também alcança o extremo sul e sudoeste de Mato Grosso. Depois de vários dias de calor intenso, áreas do estado podem registrar uma mudança bastante expressiva nos termômetros. Em Cuiabá, por exemplo, as máximas podem sair da faixa próxima dos 39°C a 40°C para valores ao redor dos 29°C a 30°C.
Apesar da queda próxima de 10°C, isso não significa necessariamente frio intenso na capital mato-grossense, mas uma mudança significativa em relação ao calor observado nos dias anteriores.
O extremo sul de Goiás também começa a sentir os efeitos da nova massa de ar, enquanto as áreas mais ao norte do estado permanecem quentes por mais tempo.
Sul passa dos temporais para o frio
A virada será ainda mais evidente na Região Sul. Depois da sequência de chuva forte e temporais associada à formação da frente e do ciclone, uma massa de ar polar avança na retaguarda do sistema.
Na sexta-feira, as temperaturas já ficam mais baixas nos três estados. O Rio Grande do Sul registra redução das instabilidades, enquanto Santa Catarina e Paraná ainda podem ter chuva em algumas áreas e ventos fortes durante a passagem frontal.
Nos dias seguintes, o ar polar ganha ainda mais força. Há possibilidade de geada no sábado em áreas do sul do Rio Grande do Sul e do sul do Paraná, enquanto Santa Catarina também pode registrar temperaturas muito baixas, inclusive valores negativos em alguns pontos durante o fim de semana.
Virada será sentida mais pelo vento e pela temperatura em algumas áreas
A passagem desta frente fria mostra que uma mudança expressiva no tempo não depende necessariamente de grandes volumes de chuva.
Em parte do Centro-Oeste e do Sudeste, a atmosfera estará seca demais para sustentar precipitações generalizadas. Mesmo assim, o sistema consegue alterar a circulação dos ventos e abrir caminho para a massa de ar polar.
O Centro-Sul passa, portanto, de um cenário marcado por bloqueio atmosférico, calor intenso e baixa umidade para outro de ventos mais fortes e temperaturas significativamente menores, enquanto chuva forte e temporais ficam concentrados principalmente na Região Sul antes da chegada definitiva do ar frio.
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