Uma intensa tempestade de inverno vem atingindo os Estados Unidos desde o fim de semana, impulsionada pelo avanço de um vórtice polar sobre o país. O deslocamento desse ar extremamente frio favoreceu a formação e intensificação da instabilidade, provocando nevascas volumosas, grande acúmulo de gelo, ventos fortes e temperaturas excepcionalmente baixas em amplas áreas, especialmente do sul ao nordeste do território americano, alcançando a região da Nova Inglaterra, incluindo os estados de Massachusetts, Connecticut, Virgínia e Rhode Island. O fenômeno já deixou cerca de 1 milhão de residências e estabelecimentos comerciais sem fornecimento de energia elétrica e tem causado transtornos generalizados no transporte, na infraestrutura e na economia.
Apagões e impactos na infraestrutura
Os efeitos mais imediatos da tempestade foram observados no setor elétrico. O Tennessee concentrou o maior número de interrupções no fornecimento de energia, afetando centenas de milhares de pessoas, além dos estados do Texas, Mississippi e Louisiana, agravando a situação em meio ao frio intenso.
Transporte afetado e reflexos econômicos
O setor de transportes foi um dos mais impactados. Durante o fim de semana, 25 e 26 de janeiro, cerca de 14 mil voos foram cancelados, afetando passageiros em todo o país e também viajantes internacionais, incluindo pessoas que partiriam de aeroportos brasileiros com destino aos Estados Unidos.
Rodovias em diversos estados ficaram cobertas de neve e gelo. No Texas, imagens divulgadas pelo Departamento de Transportes mostraram estradas completamente congeladas nos arredores de Dallas, levando autoridades a reforçarem pedidos para que a população evitasse deslocamentos não essenciais. Situação semelhante foi registrada em Arlington e Warrenton, no estado da Virgínia, onde o acúmulo de neve também foi elevado.

Neve acumulada às margens de rua residencial. (Foto: Ingrid Hedges, Warrenton, Virgínia, EUA).
Esses bloqueios e cancelamentos tiveram reflexos diretos na economia. A paralisação parcial de atividades comerciais, o fechamento de escolas, repartições públicas e centros logísticos e os atrasos no transporte de cargas afetaram cadeias de abastecimento e reduziram a produtividade em várias regiões. Supermercados tiveram prateleiras esvaziadas, reflexo da corrida da população por mantimentos diante da previsão de prolongamento do mau tempo.
Estados de emergência e frio extremo
Diante da gravidade da situação, 20 estados, além de Washington, decretaram estado de emergência. Levantamentos da imprensa americana indicam que ao menos 13 mortes já foram registradas em decorrência da tempestade.
Em Rhinelander, no estado de Wisconsin, os termômetros chegaram a marcar cerca de -38 °C, evidenciando a intensidade da massa de ar polar associada à tempestade. Já em Ann Arbor, no estado de Michigan, as temperaturas caíram para aproximadamente -15 °C, ampliando os riscos à população exposta ao frio prolongado. No Nordeste do país, a neve também trouxe impactos significativos: em Needham, no estado de Massachusetts, o acúmulo atingiu cerca de 16 a 17 polegadas, aproximadamente 43 centímetros, comprometendo a mobilidade urbana e os serviços locais.
Autoridades reforçam alertas
Diante do cenário, as autoridades emitiram alertas de tempestade de inverno e frio extremo, recomendando que a população evite deslocamentos não essenciais e redobre os cuidados com a exposição prolongada ao frio, especialmente crianças, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade.
A previsão indica que a instabilidade começa a perder força gradualmente nos próximos dias, mas o frio intenso ainda deve persistir em algumas áreas, com possibilidade de novas ocorrências de neve e gelo. Autoridades seguem monitorando a situação, enquanto equipes de emergência atuam para reduzir os impactos e restabelecer serviços essenciais.



