Pela meteorologista Carine Gama
Uma frente fria em alto mar junto com o deslocamento de um sistema de baixa pressão atmosférica que vem desde o Paraguai em direção ao Brasil e a presença de cavados meteorológicos causará o retorno de chuva forte com temporais nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país neste próximo final de semana e começo da semana que vem. Esses sistemas criam condições de formação de linhas de instabilidade e voltam a direcionar chuva volumosa, inclusive em áreas que foram atingidas no último temporal.
De acordo com os modelos meteorológicos atuais, período de maior atenção será entre a tarde de domingo (16) e ao longo da segunda-feira (17). Essa previsão pode ser atualizada conforme novidades dos modelos meteorológicos utilizados pela Climatempo.
Áreas com maiores condições de chuva volumosa e risco de granizo
Desde o Sul até o Centro-Oeste brasileiro teremos condições de chuvas fortes, com tempestades, rajadas e vento e risco de granizo. O interior do Paraná, todo o estado de Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul estão nesta faixa. Entretanto, os modelos meteorológicos convergem em uma previsibilidade mais expressiva para o interior paulista e, principalmente, no estado de Mato Grosso do Sul, especialmente em áreas próximas a fronteira com Paraguai, já que há maior convergência de fluxo de umidade da região amazônica.
Segue a previsão de granizo de acordo com o modelo utilizado na Climatempo:

Risco de granizo para domingo (16). Legenda: Verde: isolado; Amarelo: atenção; Vermelho: alerta.

Risco de granizo para segunda-feira (17). Legenda: Verde: isolado; Amarelo: atenção; Vermelho: alerta.
Mas, o que é e como se forma o granizo?
Durante a chegada de uma frente fria associada à baixa pressão atmosférica, o ar quente e úmido da superfície é forçado a subir rapidamente. As gotas de água formam nuvens densas — a qual chamamos de Cumulonimbus (CB), que podem alcançar até 18 km de altitude.
A cerca de 5 km de altura, as temperaturas são negativas, e as gotas de água se transformam em cristais de gelo. Dentro da nuvem, fortes correntes ascendentes mantêm essas partículas em movimento, fazendo-as subir e descer repetidamente. Cada ciclo adiciona novas camadas de gelo, aumentando o tamanho das pedras de granizo.
O granizo cai somente quando o gelo se torna grande e pesado o suficiente para vencer a força das correntes de ar quente. Correntes mais intensas produzem pedras maiores, enquanto tempestades de deslocamento lento favorecem o acúmulo de granizo.
Assim, a interação entre frente fria, baixa pressão, alta umidade e correntes intensas de ar cria as condições ideais para a formação do granizo.
E o La Niña, pode influenciar no risco para granizo?
Há um outro fator para ajudar esse aumento de frequência do granizo, o fenômeno La Niña. O Lã Niña é um resfriamento da água na faixa equatorial do Oceano Pacífico, que também esfria a atmosfera em todo o Globo. Uma atmosfera mais fria significa que as nuvens de tempestade acabam gerando mais gelo que o normal. E quando este gelo se desprende das nuvens, a atmosfera mais fria que o normal faz com que este gelo não derreta na queda.

Presença do La Niña. Fonte: NOAA.
Presença do La Niña. Fonte: NOAA.
⚠️ Fique atento!
A primavera traz chuvas fortes, ventos e granizo. A Climatempo acompanha tudo de perto para manter você bem informado sobre as condições do tempo.



