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Furacões, deserto do Saara e chuva na Amazônia
quinta-feira, 1 de agosto de 2013

No fim de julho, satélites da NOAA, dos Estados Unidos, captaram uma extensa nuvem de poeira movendo-se do interior da África para o Oceano Atlântico. A nuvem de poeira sai do deserto do Saara e é um fenômeno relativamente comum, mas recebe o nome de “camada de ar subsariana”. O transporte da areia para o Atlântico é feito por correntes de ar nos níveis mais altos da atmosfera. O vídeo que você vai ver foi feito por cientistas da NOAA. Eles usaram uma recente versão melhorada do modelo de dispersão de aerossóis NGAC NOAA para simular como a pluma de areia deveria viajar durante quatro dias, a partir de 30 de julho de 2013. Esta nuvem de poeira do Saarra desempenha um papel importante na redução “ciclogênese”, ou na formação de furacões.

Mas a areia do deserto do Saara também tem um papel importante na formação das nuvens de chuva sobre a floresta amazônica. Leia este interessante artigo publicado na Revista Fapesp: Poeira do deserto faz chover na floresta  http://agencia.fapesp.br/10587

 

 

 

Palmas com ar mais seco que no Egito.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Na capital de Tocantins a umidade relativa às 15 horas era de 15%, na cidade no deserto do Saara, 32%. Neste horário, a  temperatura da cidade brasileira, em pleno inverno era igual a de Luxor (34°C), mas lá o calor é pior, porque é noite.

Areia do Saara avançou para as Américas
segunda-feira, 14 de junho de 2010

A imagem de satélite abaixo é em alta resolução e foi capturada pelo satélite Terra, da NASA, através do sensor MODIS. Esta imagem é do dia 1 de junho e mostra uma extensa cortina de areia perto da costa norte da América do Sul e América Central, ao largo da costa das Guianas e da Guatemala. A poeira aparece sobre o oceano, como uma mancha e tom amarelado-marrom claro.

Esta extensa área de poeira veio do deserto do Saara, no norte da África, e foi trazida por ventos da média e alta atmosfera, que estavam com uma direção e intensidade favoráveis ao deslocamento desta cortina de areia para as Américas.

A imagem abaixo, do dia 28 de maio, mostra o início do fenômeno, quando a capa de poeria desértica estava extremamente densa na costa noroeste da África, na altura do Senegal.  Esta imagem foi capturada pelo satélite Aqua, da NASA, através do sensor MODIS.

Note que, na região de Dakar,  a poeira era tão espessa que não se podia ver o mar. Sobre as ilhas Cabo Verde, a poeira era menos densa, mas já cobria toda a região.

O fenômeno da areia do deserto do Saara, no norte da África atravessar o Atlântico alcançando a América do Sul não é incomun. Isto já foi observado outras vezes, mas não é qualquer tempestade de areia no Saara que se espalha por distâncias tão grandes  É preciso que a circulação dos ventos na alta e média atmosfera esteja favorável.

Um experimento realizado por pesquisadores brasileiros, americanos e alemães, entre fevereiro e março de 2008, coletou amostras de ar sobre a floresta amazônica, na parte preservada da floresta, a 60 km ao norte de Manaus. Este ar com poeira foi colocado numa aparelhagem especial para simular o crescimento das grandes nuvens convectivas, típicas da floresta amazônica, responsáveis pela maior quantidade de chuva que cai sobre região. Estas grandes nuvens convectivas (formadas pelo processo natural de convecção, associado ao calor e a alta umidade do ar) alcançam uma extensão média de 15 e 18 km, entre sua base e o topo, onde se formam os núcleos de gelo, com temperaturas que podem chegar aos 70°C  negativos. A análise química das amostras de ar colhidas na região próxima a Manaus comprovou a presença e a concentração de elementos químicos como alumínio, ferro, silício e manganês semelhantes a da poeira do deserto do Saara.  

Uma das principais conclusões do estudo foi que esta poeira parece ter um papel fundamental para formação dos núcleos de gelo nas grandes nuvens convectivas que crescem sobre a  floresta amazônica, no período mais chuvoso.  Os grãos de areia atuam como uma plataforma de depósito do gelo, facilitando a agregação e posteriormente o aumento dos núcleos de gelo dentro das nuvens.  No fim da história, a poeira saariana nas nuvens amazônicas colabora, e muito, para a chuvarada que cai por lá.

Leia a matéria sobre este estudo, publicada na Revista FAPESP, do qual o pesquisador da Universidade de São Paulo Paulo Artaxo foi um dos autores.

http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=3899&bd=1&pg=1&lg=