El Niño em 2018?

28/05/2017 às 19:25
por Josélia Pegorim

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Entenda a influência da "barreira da primavera"

Teremos um novo El Niño em 2018? Já se pode prever o próximo verão? A "barreira da primavera" impõe limitações para a previsão do El Niño e pode levar a resultados enganosos. É preciso ponderar os modelos computacionais.

Entenda estas questões na análise da meteorologista Camila Ramos,  da equipe de previsão climática da Climatempo

 

 

 

Alarme no Niño 1+2

Desde o fim de fevereiro de 2017 tem havido muita discussão sobre um possível El Niño para o próximo verão. Isso porque desde fevereiro, alguns modelos meteorológicos começaram a indicar que a possibilidade da ocorrência de um El Niño para o verão 2017/2018 era maior do que a possibilidade uma estação em neutralidade. Somado a isso, no inicio de março, a região do Niño 1+2 (uma região na costa do Peru que normalmente possui temperatura do mar bem fria) chegou a ficar com anomalia de temperatura da água 2,6°C acima do normal, índice semanal do dia 15 de março de 2017.

 

El Niño Costeiro verão 2017: grande aquecimento da região Niño 1+2

 

 

As áreas do El Niño

O que acontece normalmente é que os ventos alísios, que são ventos que sopram na região tropical de leste para oeste, fazem com que tenhamos uma concentração de águas superficiais mais quentes na região próxima à Austrália. Com isso, as áreas mais próximas da América do Sul normalmente têm águas mais frias ricas em nutrientes o que ajuda na pesca.

Quando analisamos se há ou não El Niño, existem quatro áreas de interesse:

Niño 1+2: uma área pequena entre a costa do Peru e do Equador

Niño3: uma região equatorial sobre o Oceano Pacífico leste

Niño4: a região equatorial na porção mais oeste do Oceano Pacífico

Niño 3.4: uma região próxima à linha do Equador no Pacífico Central. Esta área recebe este nome pois inclui parte da região do Niño 3 e parte da região do Niño 4.

 

 

 

 

O que aconteceu até agora?

No verão de 2015/2016 tivemos um dos El Niños mais fortes de que se tem registro. Isso aumentou muito a expectativa de que o verão passado, 2016/2017, fosse ser com La Niña. Os dados estatísticos mostram que geralmente temos dois eventos de La Niña após a ocorrência de um forte El Niño. De fato, o último verão foi de La Niña, mas alguns a nomearam como “La Nada”, pois as características oceânico-atmosféricas ficaram no limiar entre ser ou não uma La Niña.

 

 

Dá para prever o próximo verão?

Nesta época, outono no Hemisfério Sul e primavera no Hemisfério Norte, quando estamos saindo de um evento, seja ele um El Niño ou La Niña, os modelos ficam “confusos”. Este é um fato bastante conhecido no mundo climatológico chamado de “Spring Barrier”, ou “Barreira da Primavera”, pois nesta época, que é de primavera no Hemisfério Norte, os modelos possuem um acerto menor para daqui a três meses do que, por exemplo, uma previsão feita em julho para seis meses à frente. Por isso, esta é uma época de cautela com relação à previsão para o verão.

Na última previsão de probabilidade de El Niño baseada apenas nos modelos computacionais, apresentada em meados de maio de 2017 pelo CPC (Climate Prediction Center), dos Estados Unidos, as condições para El Niño foram apontadas como alta. No entanto, na avaliação conjunta dos meteorologistas, oceanógrafos e outros especialistas, a chance entre a ocorrência de um El Niño ou da manutenção da neutralidade foram muito parecidas. Isso quer dizer, apesar das anomalias de temperatura do mar na região do Niño 3.4 estarem positivas e próximas do 0,5°C, não há por enquanto uma certeza do que irá acontecer.

 

 

 

 

Por que tanta incerteza?

Em artigo publicado em 18/5/17 (*), na revista digital independente Climate Central, a especialista em ciências atmosféricas, Andrea Thompson, indicou exatamente o que precisamos ver para realmente "bater o martelo" sobre a previsão para o verão: uma resposta atmosférica correspondente.

Para que seja considerado um El Niño, existe uma série de características que devem ser observadas e a temperatura da água do mar é apenas uma delas. A atmosfera também precisa mostrar alterações específicas que caracterizam o fenômeno.

No mesmo artigo, Michelle L’Heureux, uma das previsoras da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration),  informou que apenas recentemente a atmosfera mostrou características de neutralidade.

Neste artigo menciona-se também que em águas mais profundas não há grandes bolhas de águas mais quentes, o que é necessário para alimentar grandes eventos de El Niño. No entanto, para eventos de El Niño fraco, isso não é necessariamente um requisito.

 

Eles não são perfeitos

Tudo isto mostra que a previsão de fenômenos de impacto global como El Niño e La Niña é bastante complexa e também cercada de limitações e incertezas. O resultado de modelos computacionais que simulam a interação oceano-atmosférica também pode sofrer ajustes em um período de alguns meses. Eles sofrem menos flutuações em determinadas épocas do ano. No caso dos modelos computacionais usados para fazer a previsão diária do tempo, essas flutuações ocorrem mais rapidamente e são mais intensas nas transições do período mais úmido para o mais seco do ano e do período seco para o mais úmido.

A experiência de análise dos previsores de tempo e de clima é importante para ponderar estas flutuações e validar o resultado dos modelos computacionais. Estes modelos vão sendo aperfeiçoados constantemente, mas hoje ainda não conseguem reproduzir com perfeição todas as características e alterações do mar e da atmosfera, bem como a interação entre eles.

 

(*) Artigo original de Andrea Thompson: El Niño Again? This Is Why It’s Hard to Tell (em inglês)

 

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