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Clima e Previsão do Tempo

Belém no pós-COP30: o legado climático deixado pela capital paraense

Como a Amazônia voltou ao centro das negociações globais e o que ficou de lição após o maior encontro climático do planeta.

Redação

26/11/2025 às 15:24

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Belém no pós-COP30: o legado climático deixado pela capital paraense

Pelo meteorologista César Soares e o jornalista Djalma Albuquerque

A COP30 chegou ao fim, mas Belém permanece no centro das atenções internacionais. Ao sediar a conferência climática mais importante do mundo, a capital paraense não apenas recebeu líderes, cientistas e representantes de mais de 190 países — ela também se tornou símbolo de uma discussão que ultrapassa fronteiras: a urgência de proteger a Amazônia para garantir o futuro climático do planeta.

A escolha de Belém não foi casual. Localizada na porta de entrada da maior floresta tropical do mundo, a cidade reúne em seu território as contradições e os desafios que definem a crise climática global: eventos extremos mais intensos, mudanças nos regimes de chuva, impactos urbanos crescentes e a escalada das queimadas. Tudo isso enquanto a temperatura global já ultrapassou, em diversos momentos, o limite de 1,5°C previsto pelo Acordo de Paris.

Amazônia em evidência: por que Belém foi o palco ideal

Belém representa um ponto estratégico entre a floresta, o oceano e a dinâmica climática do Norte. Ao contrário de outras regiões do país, a capital paraense vive dois períodos bem definidos:

· inverno amazônico (chuvoso e menos quente);

· verão amazônico (seco e mais quente).

Nos últimos anos, porém, estudos meteorológicos indicam mudanças claras:

· tendência de aquecimento da temperatura média anual,

· chuvas mais irregulares,

· ocorrência de eventos incomuns, como queda de granizo,

· tempestades mais intensas e com maior potencial destrutivo.

Esses fatores tornam Belém um laboratório vivo da crise climática e evidenciam por que a presença da conferência na região era necessária para ampliar o debate global sobre florestas tropicais, bioeconomia e proteção dos povos originários.

Dados que falam: como o clima de Belém já mudou

Com base nos registros do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), análises climatológicas revelam uma curva de aquecimento contínuo. Paralelamente, a variabilidade das chuvas aumentou, impactando diretamente:

· a infraestrutura urbana,

· a saúde pública,

· o abastecimento de água,

· e a segurança alimentar.

Eventos extremos, antes raros, tornaram-se mais frequentes: consequência direta de uma atmosfera mais quente e mais carregada de umidade.

Ironia climática: queimadas disparam no Pará durante a COP30

Enquanto líderes mundiais negociavam metas e financiamentos para conter o avanço da crise climática, o Pará enfrentava um aumento expressivo de queimadas. Dados do INPE analisados pela Climatempo apontaram 451 focos de incêndio no dia 12 de novembro, além de uma elevação significativa na concentração de monóxido de carbono.

Esse poluente veio tanto de queimadas locais quanto de áreas do Nordeste, transportado por correntes de vento — mostrando como o problema é regional, complexo e interconectado.

O que ficou da COP30: avanços e desafios

A conferência encerrou com alguns marcos importantes, entre eles:

· Mobilização de US$ 5,5 bilhões em financiamento climático, com foco em países vulneráveis;

· Lançamento de um plano de ação de cinco anos para acelerar a implementação do Acordo de Paris;

· Estabelecimento de princípios para interoperabilidade de taxonomias, visando facilitar investimentos em projetos de transição justa.

Apesar dos avanços, as negociações finais destacaram uma realidade incontornável: o mundo ainda está distante de reduzir emissões na velocidade necessária para conter o aquecimento global. E regiões como o Norte do Brasil já sentem os impactos dessa lentidão.

Belém pós-COP: legado e próximos passos

A COP30 ampliou a visibilidade de Belém e de toda a Amazônia. Colocou em evidência suas vulnerabilidades, mas também seus potenciais, especialmente no desenvolvimento de uma bioeconomia sustentável e na valorização das comunidades locais e tradicionais.

Agora, com o evento encerrado, permanece a responsabilidade:

o que será feito com o protagonismo conquistado?

A discussão climática continua, e a Climatempo segue monitorando as condições meteorológicas, ambientais e os efeitos das decisões tomadas, sempre trazendo atualizações e estudos científicos ao seu público!


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