Atualização do meteorologista Rennan Barbosa em 09/01/2026
Temperaturas elevadas e chuvas irregulares seguem pressionando os reservatórios
O ano virou, o verão está em pleno curso, mas as chuvas continuam irregulares e preocupam. Os reservatórios da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) seguem em queda. Apesar dos episódios recentes de chuva no estado, os volumes têm sido mal distribuídos e, na maioria das vezes, não atingem as áreas dos principais mananciais, o que gera preocupação quanto à sustentabilidade do abastecimento.
Chuvas fortes com baixo impacto nos mananciais
Ao longo desta semana, a capital paulista registrou diversos episódios de chuva forte, principalmente nas zonas Norte e Leste, onde os acumulados chegaram a cerca de 80 mm nos últimos cinco dias. Ainda assim, o impacto sobre os reservatórios foi bastante limitado, evidenciando a dificuldade de converter eventos de chuva localizada em uma recuperação mais efetiva dos sistemas de abastecimento. Grande parte da água precipitada é rapidamente escoada devido ao elevado grau de impermeabilização urbana, sem contribuir de forma relevante para a recarga dos mananciais.
Situação dos reservatórios da Região Metropolitana de São Paulo
De acordo com dados da Sabesp de 09 de janeiro, o Sistema Integrado Metropolitano opera com 27,2% da sua capacidade total.
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Cantareira – Principal sistema da RMSP e o mais preocupante. Opera com 19,9% da capacidade, com variação negativa de 0,1% em relação ao dia anterior. O acumulado de chuva em janeiro é de 28,4 mm, muito abaixo da média climatológica do mês (260,0 mm).
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Alto Tietê – Apresenta 21,3% do volume armazenado, sem variação em relação ao dia anterior. Em janeiro, o total de chuva soma 45,9 mm, frente à média climatológica de 232,1 mm.
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Guarapiranga – Registra 48,2% de armazenamento, com variação positiva de 1,7% nas últimas 24 horas. O acumulado mensal de chuva é de apenas 6,2 mm, enquanto a média histórica é de 295,5 mm.
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Cotia – Apresenta 42,2% da capacidade, com variação negativa de 0,1% em relação ao dia anterior. O acumulado de janeiro é de 18,2 mm, distante da média climatológica de 216,6 mm.
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Rio Grande – Opera com 61,7%, com aumento de 0,4% em relação ao dia anterior. O acumulado mensal é de 35,6 mm, ainda muito inferior à média histórica de 243,4 mm.
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Rio Claro – Opera com 41,9%, com aumento de 0,1% no volume armazenado. O total de chuva no mês atingiu 6,4 mm, longe da média climatológica de 295,5 mm.
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São Lourenço – Apresenta 55,3% de armazenamento, com variação positiva de 2,8%. O acumulado mensal de chuva é de 52 mm, abaixo da média histórica de 269,4 mm.
Impacto das temperaturas elevadas
As altas temperaturas observadas nas últimas semanas têm exercido pressão adicional sobre os reservatórios da RMSP. O calor intensifica os processos de evaporação, reduzindo o volume útil armazenado, especialmente em um contexto de chuvas irregulares e mal distribuídas.
Além disso, o aumento da temperatura eleva a demanda por água para consumo humano, usos urbanos e industriais, ampliando a pressão sobre os sistemas de abastecimento. Esse conjunto de fatores resulta em um balanço hídrico desfavorável, dificultando a recuperação dos níveis dos reservatórios mesmo durante episódios de chuva intensa.
Impactos no setor elétrico
O setor de energia também enfrenta um cenário de atenção em função das chuvas abaixo da média. Os meses de dezembro e janeiro são fundamentais para a recuperação dos reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, que atualmente operam com 42,9% da capacidade, segundo o último boletim do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Até o momento, o subsistema apresentou uma recuperação de apenas 0,8%, associada ao primeiro episódio de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), que atuou parcialmente sobre as bacias dos rios Grande e Paranaíba. Ainda assim, trata-se de uma elevação lenta e pouco significativa para este período do ano.
Atualmente, o reservatório do Paranaíba opera com 35,9% da capacidade, enquanto o Grande apresenta 34,1%, reforçando o cenário de atenção para o setor elétrico nos próximos meses.
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Texto atualizado em 22/12/2025 pelo meteorologista Rennan Barbosa
Altas temperaturas ampliam riscos operacionais no sistema elétrico brasileiro
O aumento das temperaturas previsto para os próximos dias no Brasil, especialmente na região Sudeste, tende a intensificar a demanda por energia elétrica. Esse crescimento está diretamente associado ao maior uso de sistemas de refrigeração, como aparelhos de ar-condicionado e ventiladores, tanto em residências quanto em estabelecimentos comerciais e industriais. Em cenários mais críticos, a elevação da carga pode provocar sobrecargas no sistema elétrico e, consequentemente, interrupções no fornecimento de energia.
De acordo com a Climatempo, a previsão para esta semana indica a atuação de uma onda de calor, com temperaturas que devem ficar 5ºC acima da médica climatológica no maior centro de carga do país, a cidade de São Paulo, durante a semana do Natal. Este cenário aumenta o desconforto térmico da população e impõe uma pressão adicional ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

Onda de calor marca a semana do natal e os primeiros dias do verão
O impacto no consumo de energia não tende a ser ainda maior devido ao período de Natal, quando muitas empresas e estabelecimentos comerciais entram em recesso ou adotam férias coletivas. Ainda assim, o sistema elétrico permanece pressionado em um período do ano que, historicamente, apresenta níveis de carga mais baixos.
O calor extremo e sua relação com o consumo de energia
O mês de dezembro marca o início do verão no Hemisfério Sul, sendo naturalmente caracterizado por temperaturas mais elevadas. Esse aquecimento ocorre em função da inclinação do eixo da Terra, que aumenta a incidência de radiação solar sobre o território brasileiro, resultando em dias mais longos e maior aquecimento da superfície.
De acordo com o atual contexto climático que favorece um aumento expressivo do consumo de energia elétrica, uma vez que a população passa a utilizar de forma mais intensa e contínua equipamentos de resfriamento. O uso prolongado de ar-condicionado, ventiladores e outros sistemas de climatização eleva a carga nas redes de distribuição, sobretudo, nos horários de pico, geralmente durante a tarde e no início da noite.
Impactos no setor elétrico
As ondas de calor exercem forte pressão sobre o setor elétrico, especialmente em um momento em que os níveis dos reservatórios se encontram abaixo do ideal para o período do ano. O principal subsistema do país, Sudeste/Centro-Oeste – responsável por grande parte da geração e do consumo nacional, opera atualmente com cerca de 42,4% de armazenamento, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) desta segunda-feira, 22 de dezembro.
Grandes centros urbanos, como São Paulo e Rio de Janeiro, tornam-se pontos críticos durante episódios de calor extremo, elevando ainda mais a demanda sobre os reservatórios. Além disso, as altas temperaturas afetam diretamente a eficiência das redes de transmissão e distribuição. O aquecimento excessivo dos cabos reduz sua capacidade de condução de energia, aumentando o risco de sobrecargas, perdas técnicas e oscilações no fornecimento. Em situações mais severas, esses fatores podem levar a desligamentos preventivos ou falhas no sistema. Assim, torna-se necessária a adoção de estratégias operacionais e tecnológicas para assegurar a estabilidade do sistema elétrico durante eventos de calor extremo.
Fique atento às atualizações no site da Climatempo.
O volume armazenado nos reservatórios que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo apresentou estabilidade após uma sequência de quedas, impulsionado pelas chuvas registradas nos últimos dias. Segundo dados divulgados pela Sabesp nesta quarta-feira (17/12), o nível geral dos sistemas está em 26,3% da capacidade total, representando um aumento de 0,5 ponto percentual em relação ao dia anterior.
Apesar da leve recuperação, o cenário ainda é considerado bastante crítico, principalmente em sistemas estratégicos para o abastecimento da capital e dos municípios próximos.
Situação dos principais reservatórios:
Cantareira – Opera com 20,7% da capacidade, com variação positiva de 0,1% em relação ao dia anterior. O acumulado de chuva em dezembro é de 97 mm, ainda abaixo da média climatológica do mês, que é de 211,1 mm.
Alto Tietê – Um dos sistemas mais preocupantes no momento, apresenta 18,9% do volume armazenado, com alta de 0,7% em relação ao dia anterior. Em dezembro, o total de chuva soma 103,6 mm, frente à média climatológica de 177,3 mm.
Guarapiranga – Registra 49,1% de armazenamento, sem variação nas últimas 24 horas. O volume acumulado de chuva no mês é de 107 mm, abaixo da média histórica de 172,4 mm.
Cotia – Apresenta 44,6% da capacidade, também sem variação em relação ao dia anterior. O acumulado de dezembro chega a 154,2 mm, próximo da média climatológica, que é de 165,0 mm.
Rio Grande – Opera com 57,1%, com aumento de 1,9% em relação ao dia anterior. O acumulado mensal é de 72,0 mm, ainda muito inferior à média histórica de 184,3 mm.
Rio Claro – Foi o sistema com a melhor recuperação recente, registrando aumento de 14,5% no volume armazenado. O total de chuva no mês atingiu 371,8 mm, superando a média climatológica de 257,3 mm.
São Lourenço – Apresenta 47,3% de armazenamento, com variação positiva de 0,4%. O acumulado mensal de chuva é de 119,8 mm, abaixo da média histórica de 212,3 mm.
Retorno das chuvas aos reservatórios
Os dados pluviométricos indicam que todos os sistemas receberam volumes significativos de chuva nos últimos dias, marcando o retorno das chuvas após um período prolongado de redução nos níveis de armazenamento. No entanto, embora os registros sejam positivos, os aumentos observados em sua maioria entre 0,1% e 0,2% ainda não caracterizam uma recuperação efetiva, mas sim uma estabilização nos níveis de armazenamento.
Risco para o abastecimento
O verão tem início neste domingo, 21 de dezembro, estação que historicamente concentra os maiores volumes de chuva nos mananciais que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo. A expectativa é de redução gradual da atenção nos próximos três meses, desde que o regime de chuvas se mantenha dentro ou acima da média. Ainda assim, será fundamental acompanhar de forma contínua a qualidade e a regularidade das chuvas, uma vez que a recuperação dos reservatórios depende não apenas de episódios pontuais de precipitação, mas de um padrão consistente ao longo da estação chuvosa.




