Como explicar as "esquisitices" do tempo de agosto?

20/08/2018 às 16:44
por Josélia Pegorim

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Entenda o que fez o Tocantins e o oeste da Bahia terem chuva na primeira quinzena do mês e porque tantas frentes frias chegaram ao Brasil.

Chuva no Tocantins, temporal no norte de Mato Grosso, chuva no oeste da Bahia, neve no Sul do Brasil, quatro friagens no Acre na primeira quinzena do mês, chuva em Brasília, menos de 10% de umidade no ar no Centro-Oeste e no Sudeste, recorde de tarde fria em São Paulo.

 

Fazer frio em agosto não é incomum, pois as massas de ar frio de origem polar ainda podem chegar fortes ao Brasil neste mês. Mas nevar não é comum. Níveis de umidade relativa do ar em torno dos 10% pelo interior do país é muito comum em agosto, mas chover no Tocantins, em Brasília e no oeste da Bahia é raro e não acontece todos os anos.

 

 

“Isto não é agosto”

Este foi o comentário de um meteorologista experiente ao ver a imagem da nebulosidade sobre o Brasil captada pelo satélite GOES 16 na noite do dia  16/8/18. A imagem abaixo de 17/8/18 00:00Z corresponde ao horário de 21h00 (Brasília) de 16/8/18.

 

 

 

O que tem de errado é justamente a nebulosidade! A quantidade de nuvens era muito grande e não eram só de inofensivas nuvens altas. Nuvens carregadas, com potencial para raios e chuva forte podiam ser observadas no sul do Pará, do Tocantins, em áreas do Centro-Oeste e do Sudeste na tarde e noite de 16 de agosto.

 

As fortes pancadas de chuva observadas no extremo norte de Mato Grosso, de Goiás, no Tocantins, no Sul do Brasil, no oeste da Bahia são pouco comuns em agosto. Pela medição do Instituto Nacional de Meteorologia, São Miguel do Araguaia no extremo noroeste de Goiás, acumulou 71,4 mm em 6 horas no dia 16/8/18.

 

 

Foto de Wilan Nascimento, Brasília (DF)

 

Bloqueio atmosférico rompido

O que permitiu que quatro frentes frias avançassem do Sul para o Sudeste e Centro-Oeste do Brasil na primeira quinzena de agosto foi uma grande mudança na circulação dos ventos sobre a América do Sul, em diversos níveis da atmosfera. Esta mudança dos ventos está intimamente ligada com a temperatura da água do mar em parte do oceano Pacífico, que banha a costa oeste da América do Sul, e no oceano Atlântico, que banha a costa leste do continente e do Brasil.

Além de permitir deslocamento das frentes frias pelo interior do país, esta grande mudança na circulação dos ventos orientou o fluxo de umidade tropical para o Centro-Oeste e para o Sudeste criando um corredor de umidade que poucas vezes se observa em um mês de agosto.

Em julho de 2018 predominou um forte bloqueio atmosférico e as frentes frias não conseguiram chegar ao país. O resultado foi um julho quente e seco no centro-sul do país. Só o Rio Grande do Sul sentiu frio.

O bloqueio atmosférico foi rompido na virada de julho para a agosto, quando uma grande frente fria avançou sobre o Brasil. O aquecimento da água do oceano Pacífico Equatorial na costa do Peru é chave para entender as “esquisitices” do tempo no Brasil na primeira quinzena de agosto de 2018.

 

 

Por que voltou a chover em agosto no Brasil?

 

 

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