As ondas de calor estão cada vez mais frequentes e intensas no Brasil e no mundo. O fenômeno pode ocorrer em qualquer estação do ano, tanto no Hemisfério Sul quanto no Hemisfério Norte, mas é particularmente mais intenso na primavera e no verão, quando há aumento da insolação diária.
O aumento da frequência e da intensidade de ondas de calor, tanto na atmosfera quanto no oceano, é há décadas um dos alertas mais recorrentes da Organização Meteorológica Mundial (OMM) e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os anos de 2023 e 2024 foram os mais quentes já medidos pela ciência moderna desde o período pré-industrial (1850–1900). Em 2024, pela primeira vez, a temperatura média global da Terra — considerando oceano e atmosfera — superou o limite de alerta de segurança de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris.
O que é e como se caracteriza uma onda de calor?
Onda de calor — também chamada de bolha de calor — é uma sequência de dias ou até semanas em que as temperaturas em uma região relativamente ampla ficam muito acima da média normal para determinada época do ano. Embora a literatura não seja totalmente uniforme, a Organização Meteorológica Mundial considera a onda de calor quando as temperaturas permanecem pelo menos 5°C acima da média histórica por, no mínimo, cinco dias consecutivos.
Como se forma uma onda de calor?
As ondas de calor são geradas por bloqueios atmosféricos causados por grandes sistemas de alta pressão atmosférica. O bloqueio atmosférico é uma estagnação do movimento normal do ar provocada por uma alta pressão que permanece parada, ou quase parada, na mesma posição por pelo menos cinco dias seguidos — podendo durar semanas. As altas pressões atmosféricas são regiões onde a pressão do ar está mais elevada do que ao redor. Elas provocam um movimento descendente do ar, chamado subsidência. Esse movimento comprime o ar próximo à superfície, fazendo com que ele aqueça ainda mais.
A subsidência também deixa o ar seco, reduz a umidade e inibe a formação de nuvens, diminuindo significativamente a chance de chuva. Por isso, ondas de calor costumam estar associadas a:
- Céu com pouca nebulosidade
- Predomínio de ar seco
- Baixa ocorrência de chuva
- Forte incidência de radiação solar
Bloqueios atmosféricos podem ocorrer em qualquer época do ano, inclusive no inverno. No entanto, quando acontecem na primavera e no verão — períodos naturalmente mais quentes — há um somatório de ar quente que intensifica ainda mais o calor.
Perigos associados ao calor intenso
Sobrecarga no sistema elétrico
Durante uma onda de calor, o uso contínuo e simultâneo de aparelhos como ar-condicionado e ventiladores provoca aumento expressivo no consumo de energia elétrica. Esse pico de demanda pode gerar sobrecarga na rede de distribuição e, em alguns casos, resultar em quedas de energia e apagões pontuais, especialmente em grandes centros urbanos.
Impactos na agricultura
O calor intenso provoca estresse térmico nas plantas, reduz o potencial produtivo das lavouras e acelera a evapotranspiração. Como consequência, há maior necessidade de irrigação e aumento dos custos de produção, além de possíveis perdas agrícolas em episódios prolongados de temperaturas extremas.
Aumento do risco de incêndios
A combinação de temperaturas elevadas, ar seco e baixa umidade relativa cria condições altamente favoráveis ao surgimento e à rápida propagação de focos de incêndio. Esse cenário agrava queimadas em áreas de vegetação, amplia danos ambientais e eleva os riscos à população.
Baixa umidade do ar
Durante episódios de onda de calor, a umidade relativa do ar pode ficar abaixo de 30% — e, em situações mais críticas, atingir níveis inferiores a 20%. Esse cenário favorece o ressecamento das vias respiratórias e pode provocar irritação nos olhos e na garganta, sangramentos nasais e agravamento de doenças respiratórias, especialmente em grupos mais sensíveis.
Cuidados essenciais durante uma onda de calor
Diante de episódios de calor extremo, a adoção de medidas preventivas é indispensável para reduzir riscos. A hidratação deve ser constante, com ingestão regular de água mesmo na ausência de sede. Bebidas alcoólicas e o consumo excessivo de cafeína devem ser evitados, pois podem intensificar a desidratação.
Também é fundamental reduzir a exposição ao sol nos horários mais quentes do dia, especialmente entre 10h e 16h, quando a radiação solar é mais intensa. O uso de roupas leves e claras ajuda na regulação térmica do corpo.
Ambientes internos devem ser mantidos ventilados, com circulação de ar sempre que possível. Em situações de temperaturas muito elevadas, procurar locais climatizados pode ser necessário. A atenção deve ser redobrada com grupos vulneráveis, como idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas, garantindo oferta frequente de água e nunca deixando crianças ou animais dentro de veículos fechados.
Durante períodos de calor intenso e ar seco, também é essencial evitar queimadas. Qualquer foco de incêndio deve ser comunicado às autoridades competentes para impedir a rápida propagação das chamas.
Tendência: ondas de calor mais frequentes e intensas
Com o avanço das mudanças climáticas, os eventos de calor extremo têm se tornado mais comuns, duradouros e intensos. Estudos indicam aumento na frequência e na duração das ondas de calor nas últimas décadas, reforçando a necessidade de monitoramento constante e adaptação da sociedade a esse novo padrão climático.




