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Clima e Previsão do Tempo/Notícias/Ciclone/Formação de ciclone extratropical provoca tornado e ventos acima de 100 km/h no RS

Formação de ciclone extratropical provoca tornado e ventos acima de 100 km/h no RS

Processo de formação de um forte ciclone extratropical em 6/8/26, entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai, gerou nuvens de tempestades sobre o Sul do Brasil. O ciclone se afasta rapidamente em alto-mar nesta sexta-feira e a frente fria avança para São Paulo.

Josélia Pegorim

06/08/2026 às 22:36

Imagem da notícia Formação de ciclone extratropical provoca tornado e ventos acima de 100 km/h no RS
Forte ciclone extratropical se formou entre o RS e o Uruguai em 6/8/26

Um tornado se formou na região de Pedro Osório na tarde desta quinta-feira, 6 de agosto de 2026, confirmando a previsão que foi dada pela Climatempo. A Defesa Civil do Rio Grande do Sul confirmou a ocorrência do fenômeno e que foi filmado por moradores locais. As imagens foram muito impressionantes mostrando claramente o largo funil que se desprendeu da base da nuvem e chegou ao solo. Em alguns vídeos foi possível perceber até o início de formação de mais de um vórtice giratório.

As áreas de tempestades se espalharam sobre o Rio Grande do Sul na noite desta quinta-feira e provocaram rajadas de vento acima dos 100 km/h, inclusive na região da capital, Porto Alegre.

O tornado e os ventos intensos foram provocados por nuvens muito carregadas geradas no processo de formação de um forte ciclone extratropical e de uma frente fria, que ocorreu no decorrer de 6 de agosto de 2026, já previsto e aguardado desde o início da semana.

Rajadas de vento intensas no RS em 6/8/2026

Rajadas de vento intensas no RS em 6/8/2026 (Info: Climatempo)

O que provocou o tornado?

O tornado foi gerado dentro de uma nuvem chamada de supercélula. A formação da supercélula estava sendo esperada devido à atmosfera extremamente instável que estava prevista para esta quinta-feira sobre o Rio Grande do Sul, Uruguai, no leste e norte da Argentina.

A supercélula é uma nuvem cumulonimbus de grande extensão e com movimento giratório.

Condições atmosféricas de grande instabilidade observadas na tarde da 6/8/2026

  • acentuada à queda da pressão atmosférica sobre o Rio Grande do Sul e Uruguai, que é parte do processo de formação de um ciclone extratropical entre o litoral do Uruguai e do Rio Grande do Sul;
  • grande contraste de temperatura entre o ar quente que predominava sobre Sul do Brasil, Paraguai e norte da Argentina e o ar frio que estava chegando ao leste da Argentina e ao Uruguai
  • variação de velocidade e de direção do vento entre camadas da atmosfera de diferentes altitudes;
  • grande quantidade de umidade disponível;

Por volta das 5 horas da tarde desta quinta-feira, 6 de agosto de 2026, a pressão atmosférica já estava em 997 hectopascais (hPa) na região do aeroporto de Pelotas, 999 hPa na região do aeroporto de Santa Maria, 1000 hPa na região do aeroporto de Uruguaiana.
No Uruguai, a pressão atmosférica neste mesmo horário estava em 994 hPa na região de Maldonado e de 997 hPa na região de Montevidéu.

Imagem de nebulosidade capitada pelo satélite GOES 16 às 21h BRT de 6/8/2026: as manchas coloridas indicam nuvens; a letra B é a posição aproxomada do centro do ciclone extratropical; a curva azul com triângulos representa a frente fria formada com o ciclone extratropical; as setas vermelhas indicam ar quente e as setas azuis são o ar frio.

Imagem de nebulosidade capitada pelo satélite GOES 16 às 21h BRT de 6/8/2026: as manchas coloridas indicam nuvens; a letra B é a posição aproxomada do centro do ciclone extratropical; a curva azul com triângulos representa a frente fria formada com o ciclone extratropical; as setas vermelhas indicam ar quente e as setas azuis são o ar frio. (Climatempo)

Pressão do ar muito baixa é sinal de tempestade

Valores de pressão atmosférica próximos e abaixo de 1000 hectopascais são considerados perigosos pois indicam um grande potencial para desenvolvimento de nuvens muito carregadas, que podem provocar chuvas intensas, ventania muitos raios e queda de granizo.

Este ambiente de pressão atmosférica muito baixa junto, com a presença de uma atmosfera quente sobre o Sul do Brasil, no Paraguai no norte da Argentina e o ar frio que já estava entrando na região de Buenos Aires e do Uruguai, também colaborou para o desenvolvimento das nuvens intensas.

Risco de novos tornados na noite desta quinta

No decorrer da noite desta quinta-feira ainda há risco de ocorrência de outros tornados em áreas do Rio Grande do Sul, do oeste de Santa Catarina e sudoeste extremo sul do Paraná.

A madrugada desta sexta-feira ainda será de alto risco para chuvas intensas no norte e nordeste do Rio Grande do Sul, incluindo a grande Porto Alegre, Santa Catarina e também no Paraná.

As nuvens carregadas vão se afastar à tarde do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

No Paraná, o tempo fica bastante instável ao longo da sexta-feira com risco de pancadas de chuva moderadas a fortes.

O ciclone se afasta rapidamente em alto-mar nesta sexta-feira e a frente fria avança para São Paulo.

Ciclone extratropical se afasta para alto-mar nesta sexta-feira

O ciclone extratropical formado entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul deve estar completamente organizado até o final da noite desta quinta-feira e terá um rápido deslocamento para alto-mar ao longo da sexta-feira, se afastando do Sul do Brasil e do Uruguai.

Já em alto-mar, a pressão atmosférica no centro de ciclone deve baixar ainda mais. A expectativa é de que haja um processo de bombogênese neste trajeto para alto-mar, com a pressão atmosférica no centro do ciclone baixando pelo menos um hectopascal por hora.

  • A definição de uma ciclogênese ( formação de um ciclone) explosiva ou bombogênese considera que a pressão atmosférica no centro do ciclone decaia 24 hectopascal (hPa) em 24 horas, ou 1 hPa por hora. O ciclone formado pelo processo de bombogênese é chamado popularmente de ciclone bomba.

O infográfico mostra uma representação esquemática do deslocamento do ciclone extratropical que se formou em 6/8/26, entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul e as diferenças de pressão atmosférica em 24 horas. A simulação feita pelo modelo de previsão europeu (ECMWF) estimou pressão atmosférica de 995 hPa, às 18h de 6/8/26. Às 18 h de 7/8/26, já em alto-mar, o centro do ciclone extratropical terá 967 hPa. A diferença em 24 horas será de 28 hPa, caracterizando o ciclone bomba em alato-mar.

Esquema representativo da formação do ciclone bomba entre 6 e 7 de agosto de 2026

Esquema representativo da formação do ciclone bomba entre 6 e 7 de agosto de 2026

Por que a ciclogênese explosiva é especial?

A acentuada diminuição da pressão atmosférica numa região é um gatilho para o desenvolvimento de grandes nuvens, com potencial para provocar tempestades. Nas regiões de baixa pressão atmosférica o ar tende a convergir, se concentrar na região de pressão do ar mais baixa, e ao mesmo tempo é impulsionado para camadas mais altas da atmosfera, onde a temperatura do ar está muito baixa, muitos graus negativos. Esse processo de resfriamento é o de formação das nuvens e também do gelo.

Quanto mais intensa e rápida for esta queda da pressão do ar, numa região onde existe muita disponibilidade de umidade, maior será o risco de formação de nuvens muito extensas, com grande potencial para provocar chuvas intensas, fortes rajadas de vento e granizo.

O que é um ciclone?

Um ciclone é o nome genérico que se dá a uma região na atmosfera onde a pressão atmosférica fica baixa em vários níveis de altitude, em relação às áreas ao seu redor, e ocorre uma movimentação do ar no sentido horário, no Hemisfério Sul, e anti-horário no Hemisfério Norte. O ar ao redor de um ciclone tende a convergir para o centro.

Um ciclone pode ser extratropical, subtropical ou tropical dependendo da região onde se forma. Os ciclones tropicais, por exemplo, são os furacões e tufões.

Tornado, ciclone extratropical e furacão: quais as diferenças?

Ciclones extratropicais se formam em ambientes atmosféricos onde existe um grande contraste de temperatura, um choque entre um ar frio e um ar quente. Esse tipo de sistema é frequente no Oceano Atlântico Sul, inclusive na costa da região Sul do Brasil.

Ciclones extratropicais são comumente associados à frentes frias, mas a maioria desse tipo de ciclone é gerado nas regiões próximas à Antártida e no extremo sul da América do Sul. A circulação de ventos global, em algumas situações, empurra esse ciclones para a costa da Argentina e que podem também chegar até o Uruguai e ao Sul do Brasil.

Alguns ciclones extratropicais se formam na região entre o Uruguai, o Sul do Brasil e a Argentina. Esta é uma situação particularmente perigosa porque a grande queda da pressão atmosférica, necessária para a formação de um ciclone extratropical, é um gatilho para a formação de nuvens de tempestade.

Ciclone extratropical entre o Uruguai, Sul do Brasil e Argentina em 15/4/2026

Ciclone extratropical entre o Uruguai, Sul do Brasil e Argentina em 15/4/2026

  • Sempre que a pressão do ar se aproxima ou fica abaixo dos 1000 hectopascais, os meteorologistas ficam em alerta porque sabem que esta é uma situação que pode causar tempestades.

O processo de ciclogênese explosiva ocorre apenas em alguns ciclones extratropicais, dependendo de diversas condições atmosféricas atuantes numa região, ao mesmo tempo. A maioria dos ciclones extratropicais não é um ciclone bomba.

Ciclones extratropicais podem passar ou se formar sobre ou próximo ao Sul do Brasil em qualquer época do ano, desde que haja condições atmosféricas propícias para isso.


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