O ciclone extratropical e a frente fria que se organizaram entre o Sul do Brasil, o Paraguai, a Argentina e o Uruguai trouxeram chuvas volumosas e fortes rajadas de vento.
Os grandes volumes de chuva foram observados especialmente no Rio Grande do Sul, decorrer da terça-feira, 7 de abril de 2026. Em várias regiões choveu mais de 100 mm em 24 horas. Em alguns locais, a chuva acumulada entre os dias 6 e 7 de abril correspondeu a quase a média normal de precipitação para todo mês de abril.
Volumes de chuva
Volumes de chuva registrados no RS entre aproximadamente 19 horas do dia 6 e 19 horas de 7 de abril de 2026, pelo Centro nacional de Monitoramento e de Alertas de Desastres Naturais
132,0 mm Manoel Viana
126,6 mm Lagoa Bonita do Sul
122,4 mm Ibarama
121,8 mm São Francisco de Assis
119,0 mm Santa Maria
117,4 mm Entre-Ijuís
116,2 mm Porto Lucena
112,4 mm Porto Xavier
107,6 mm São Pedro do Sul
104,4 mm São Sapé
101,0 mm Boqueirão do leão
99,4 mm Agudo
99,2 mm Itaqui
Fortes rajadas de vento
Como foi previsto e avisado pela Climatempo, o ciclone extratropical provocou fortes rajadas de vento no Sul do Brasil, especialmente sobre o Rio Grande do Sul. As nuvens carregadas que se espalharam pelo Sul do Brasil, devido ao processo de formação do ciclone extratropical e de uma frente fria, também provocaram fortes rajadas de vento.
Rajadas de vento acima de 60 km/h observadas no Sul do BR em 7 e 8 de abril de 2026, até às 12h
(fontes: Inmet, Epagri-Ciram, Simepar, Redemet)
121,7 km/h Painel – Fazenda Velha/SC
91,1 km/h Santa Vitória do Palmar – Reserva do Taim/RS
82,2 km/h Campo Belo do Sul – BAESA/SC
78,5 km/h Herval/RS
77,1 km/h Urupema – morro de Urupema/SC
76,3 km/h Santa Vitória do Palmar- centro/RS
74,2 km/h Major Vieira/SC
73,2 km/h Siderópolis/ barragem São Bento- Casan/SC
71,5 km/h São Bonifácio – Estrada Geral do Rio Atafona 1/SC
69,5 km/h São Joaquim – Caminhos da Neve/SC
68,0 km/h Pelotas/RS
66,9 km/h Sertão Santana/RS
65,2 km/h Apucarana/PR
64,4 km/h canguçu/RS
63,4 km/h Joaquim Távora/PR
63,0 km/h Maringá/PR
62,6 km/h Chapecó/sc
61,2 km/h José Boiteux/caminho caçador SC
60,1 km/h Palmares do Sul/RS
Onde estão o ciclone extratropical e a frente fria?
Na análise meteorológica feita pela Marinha do Brasil, dos sistemas meteorológicos atuantes sobre a América do Sul às 9 horas BRT de 8/4/26 (12Z ou 12 UTC), o ciclone extratropical aparece identificado com a letra B, em vermelho, entre o Uruguai e o extremo sul do Rio Grande do Sul, com pressão atmosférica de 992 hectopascais. A frente fria associada com esse ciclone é identificada como a curva azul com triângulos que se estende em direção ao estado de São Paulo.

Análise técnica da Marinha do Brasil, de 12 UTC de 8/4/26 (9h BRT), mostrando os sistemas meteorológicos atuantes na América do Sul
No início da tarde da quarta-feira, 8 de abril, o ciclone extratropical estava no litoral do Rio Grande do Sul. A frente fria associada com este ciclone extratropical estava se deslocando do Estado de São Paulo e do Sul de Goiás em direção ao Rio de Janeiro e a Minas Gerais.
Sul do BR e MS ainda estão com muitas nuvens nesta quarta-feira
Na imagem da nebulosidade sobre a América do Sul, vista pelo satélite goes 16 às 13:00 BRT de 08/04/2026, o ciclone extratropical aparece na forma de uma espiral na costa do Rio Grande do Sul. As bandas de nuvens que se prolongam na altura do litoral e interior do estado de São Paulo fazem parte da frente fria associada ao ciclone.
A circulação de ventos em vários níveis da atmosfera ainda está mantendo o ar úmido pelo interior da região Sul do Brasil, no centro-sul de Mato Grosso do Sul, sobre o Uruguai, no norte e no leste da Argentina e sobre o Paraguai. Por isso muitas nuvens ainda estão se formando em todas essas áreas.

Na imagem da nebulosidade sobre a América do Sul, de 13h BRT de 8/4/26, o ciclone extratropical aparece com forma espiralada sobre o oceano, entre o sul do RS e o Uruguai (Imagem: GOES 16)
Para onde vão a frente fria e um ciclone extratropical nos próximos dias?
Durante a quinta-feira, dia 9, o ciclone extratropical se desloca sobre o oceano afastando-se da costa gaúcha. A frente fria, no interior do Brasil, sobre Goiás, Minas Gerais, Rio de janeiro, indo em direção ao Distrito Federal, ao norte e o leste de Minas Gerais e para o Espírito Santo. Pancadas de chuva moderadas a fortes são esperadas em todas estas regiões nesta quinta-feira.
Na sexta-feira, 10 de abril, a frente fria estará atuando entre a Bahia, Minas Gerais e o Espírito Santo. Há risco de chuva forte nessas regiões neste dia. O ciclone extratropical já estará completamente afastado do Brasil, e não terá mais influência nas condições do tempo no país.
Atenção para o mar agitado e ressaca no Sul e Sudeste do Brasil, após o afastamento do ciclone extratropical.
Ar seco entra no Sul do BR e em MS
Com o afastamento do ciclone extratropical durante esta quinta-feira, o ar seco de origem polar vai se espalhando pelo interior da região sul do Brasil e também sobre o Mato Grosso do Sul. Isso vai diminuir a umidade e a nebulosidade nessas áreas e também provocar uma ligeira a queda da temperatura.
Esse ar seco vai predominar durante a sexta-feira,10, sobre a maioria das áreas de Mato Grosso do Sul, do Sul do Brasil e do interior de São Paulo.
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(matéria inicial publicada em 3/4/2026)
Novo ciclone extratropical e frente fria trazem chuva e vento fortes para o Brasil
Entre os dias 6 e 7 de abril de 2026 um novo ciclone extratropical e uma frente fria vão se organizar entre o Brasil, o Uruguai, a Argentina o Paraguai. Até o dia 10 de abril, em diferentes formas e intensidade, estes sistemas terão impacto no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste do Brasil.
- A Climatempo alerta que o ciclone extratropical deve se formar entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul, devendo passar pelo extremo sul gaúcho no dia 7 de abril, terça-feira, e depois seguir se deslocando pelo oceano, sempre na altura da costa gaúcha. O ciclone extratropical não vai passar sobre Santa Catarina, nem sobre o Paraná, e não vai avançar para o Sudeste e nem para o Centro-Oeste do Brasil.
Contraste intenso de temperatura gera o ciclone extratropical
Ciclones extratropicais e frentes frias se organizam em regiões onde há um grande contraste de temperatura: uma massa ar quente perto de uma região onde o ar está frio.
Esta situação será observada durante o fim de semana da Páscoa sobre a região central da América do Sul: o ar fica muito quente sobre o norte da Argentina e no Paraguai e ao mesmo tempo, uma forte massa de ar frio, de origem polar, passa pelo leste da Argentina e vai para o oceano. É entre essas duas massas de ar que se forma o ciclone extratropical e que depois vai originar uma frente fria.

Regiões com forte contraste de temperatura são favoráveis à formação de ciclones extratropicais (Fonte: Climatempo)
Como e quando o ciclone extratropical e a frente fria se formam?
Tudo começa com a intensificação de uma área de baixa pressão atmosférica entre o Paraguai e o norte da Argentina durante a segunda-feira, 6 de abril.
Na terça-feira, 7 de abril, esta área de baixa pressão atmosférica se intensifica entre o Uruguai e Argentina e surge o centro do ciclone extratropical sobre o Uruguai, que vai se deslocando aos poucos para a região litorânea entre esses dois países.
Esse ciclone extratropical terá forte intensidade e até a noite do dia 7 de abril, a pressão atmosférica no centro do ciclone vai ficar abaixo de 1000 hectopascais. A frente fria associada a esse ciclone extratropical se organiza durante a terça-feira, 7 de abril, entre o Sul do Brasil, o Paraguai e Argentina.

Posições estimadas do ciclone extratropical entre 6 e 10 de abril de 2026 (Fonte: Climatempo)
Ciclone extratropical e frente fria provocam temporais
Nos dias 6 e 7 de abril, o processo de formação deste ciclone extratropical e da frente fria vão causar temporais no Sul do Brasil e em Mato Grosso do Sul.
Nos dias 8 e 9 de abril, a frente fria avança sobre o Sudeste causando fortes pancadas de chuva em todos os estados e também espalhando a chuva sobre Goiás e o Distrito Federal.
Risco de temporais no Sul do Brasil
A Climatempo alerta para o risco de chuvas fortes, e fortes rajadas de vento sobre o Sul do Brasil por causa da formação desse ciclone extratropical e da frente fria.
O processo de formação deste ciclone extratropical e da frente fria vão causar temporais sobre o Rio Grande do Sul na segunda e na terça-feira
Temporais também devem acontecer em Santa Catarina e no Paraná principalmente durante a tarde e noite da terça-feira.
A Climatempo alerta para o risco de chuvas fortes e fortes rajadas de vento sobre o Sul do Brasil por causa da formação desse ciclone extratropical e da frente fria.
Risco de temporais no Sudeste e no Centro-Oeste
Durante o dia 8 de abril, esta nova frente fria avança sobre a região Sudeste do Brasil. Neste dia são esperadas fortes pancadas de chuva sobre São Paulo, no Triângulo Mineiro, no Sul de Minas, em áreas da Zona da Mata Mineira, na Grande Belo Horizonte e no centro-sul do Rio de Janeiro. Na quinta-feira 9 de abril esta frente fria continua avançando sobre a região Sudeste espalhando fortes pancadas de chuva sobre Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, mas a instabilidade diminui em São Paulo.
Outro estado que vai sentir os efeitos da formação do ciclone extratropical e da frente fria será o Mato Grosso do Sul, onde fortes pancadas de chuva devem se espalhar sobre o estado durante a terça-feira, 7 de abril. Há risco de rajadas de vento moderadas a fortes. Por causa desta nova frente fria, também haverá condições para fortes pancadas de chuva na quarta e na quinta-feira,8 e 9 de abril, sobre Goiás, Mato Grosso e o Distrito Federal.
Atenção para fortes rajadas de vento
Fortes rajadas de vento podem acontecer em áreas do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste do Brasil por causa da formação e do deslocamento do ciclone extratropical e da nova frente fria.
Na segunda-feira, 6 de abril, rajadas de vento entre 60 km/h e 80 km/h devem ser observadas no litoral médio e litoral sul do Rio Grande do Sul. Nos demais estados do Sul do Brasil e em Mato Grosso do Sul, as rajadas de vento neste dia devem variar entre 40 km/h e 60 km/h.
Durante a terça-feira, 7 de abril, as fortes rajadas de vento serão frequentes ao longo do dia em todo o interior da Região Sul. As rajadas mais intensas devem ficar entre 60 km/h e 70 km/h e podem ocorrer mesmo sem estar chovendo. As nuvens carregadas do tipo cumulonimbus vão se espalhar pelo Sul do Brasil no decorrer da terça-feira 7 de abril e podem provocar rajadas mais fortes com até 90 km/h.
Ao longo da terça-feira, também há expectativa de rajadas de vento frequentes e fortes pelo litoral do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, alcançando valores entre 60 km/h e 80 km/h.
Ventania no oceano e mar agitado no Sul e no Sudeste
Os navegantes devem ter especial atenção aos avisos da Marinha do Brasil porque, em alto-mar, as rajadas de vento associadas a este ciclone extratropical podem superar os 100 km/h na costa do Uruguai, da província de Buenos Aires e na região oceânica do extremo sul do Brasil.
Durante a quarta-feira,8 de abril, este grande ciclone extratropical estará se deslocando em alto-mar, na costa do Rio Grande do Sul, afastando-se do Brasil. Mesmo assim, toda a costa da Região Sul do Brasil terá fortes rajadas de vento e mar bastante agitado.
Durante a quinta-feira, 9 de abril, este ciclone extratropical continua se afastando do Brasil, se deslocando em mar aberto, já longe do litoral da do Sul do Brasil. Ventos moderados a fortes ainda devem ser observados pela costa do Sul e do Sudeste do Brasil, mas com rajadas que não devem superar os 65 km/h.
Na sexta-feira, 10 de abril, o ciclone extratropical estará em águas oceânicas, longe do Brasil, e não há mais risco de ventos fortes na costa do Sul e do Sudeste.


