O fenômeno El Niño se estabeleceu nos últimos dois meses e segue se fortalecendo. A expectativa de um evento de forte a muito forte intensidade vem sendo divulgada pela Climatempo desde o início do ano e está se confirmando. A tendência é de que o aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial continue aumentando nos próximos meses, fazendo com que o El Niño 2026 seja o mais forte já observado, pelo menos desde 1950.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) divulgou em 3 de agosto de 2026 uma nova atualização sobre as condições do ENSO (El Niño-Oscilação Sul).
A avaliação mostra que a temperatura da superfície do mar, em diversos trechos da porção central e leste do Oceano Pacífico Equatorial, seguem acima da média e mantendo a tendência de grande aquecimento desde junho. Ao mesmo tempo, a atmosfera continua apresentando características típicas de El Niño, com mudanças na circulação dos ventos e na distribuição das áreas de chuva, reforçando o acoplamento entre oceano e atmosfera que caracteriza o fenômeno.
Aquecimento permanece intenso Pacífico Equatorial central-leste
Os dados mais recentes mostram que o aquecimento é mais intenso no setor leste do Pacífico equatorial, próximo ao litoral do Equador e do Peru (região Niño 1+2), mas as porções centrais (Niño 3 e Niño 3.4) também mantiveram a tendência de grande aquecimento.
A média das anomalias semanais observadas no período entre 5 de julho e 1 de agosto de 2026 foram de:
- Niño 3.4: +1,5°C
- Niño 3: +2,1°C
- Niño 1+2: +3,2°C
Esses valores indicam que o aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial já está intenso. A anomalia de 1,5°C acima da média coloca este evento El Niño na categoria forte.

O El Niño 2026 continua ganhando força e atingiu a categoria de forte no início de agosto (Info: Climatempo)
El Niño ainda ganha força nos próximos meses
Além do aquecimento observado na superfície do oceano, o relatório da NOAA destaca que ainda há muito calor acumulado nas camadas mais rasas do Pacífico Equatorial. A água também está tendo um grande aquecimento em camadas mais profundas do oceano, o que funciona como uma reserva de calor e que deve alimentar o fenômeno nos próximos meses, fazendo com que o El Niño fique ainda mais forte.
Outro fator importante é a presença das chamadas ondas de Kelvin oceânicas, que deslocam a água mais quente pelo Pacífico Equatorial e ajudam a manter o aquecimento do oceano. Com isso, o El Niño encontra condições favoráveis para continuar se fortalecendo ao longo dos próximos meses.
Inpactos do El Niño serão sentindos também em 2027
A previsão atual da NOAA aponta 97% de probabilidade de o El Niño permanecer ativo até o início da primavera de 2027. Além disso, o Climate Prediction Center (CPC) estima 81% de chance de o episódio atingir a categoria de El Niño muito forte durante o trimestre de outubro a dezembro de 2026.
Além da intensificação do El Niño, que poderá bater o recorde dos demais eventos, pelo menos desde 1950, a Climatempo alerta que os impactos do fenômeno devem ser sentidos por todo o verão 2026/2027. Este El Niño deve se estender por um tempo maior do que o normal e o enfraquecimento deve ocorrer no decorrer do outono de 2027.
A Climatempo segue monitorando as consequências deste intenso El Niño em diversas áreas que possam ter algum impacto na população brasileira.
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