Mesmo com episódios de chuva ao longo do verão, o Sistema Cantareira segue com níveis de armazenamento muito abaixo do esperado para esta época do ano. Na manhã de 5 de fevereiro, o armazenamento de água estava em 24,4% da capacidade total. Há um ano, o nível de água estava em 55,3 %. No fim do verão de 2025, o Cantareira armazenava 58% de sua capacidade total. Essa situação não pode ser explicada por um único fator.
Um problema que vem de vários períodos úmidos fracos
O nível atual do Cantareira reflete:
- Dois períodos úmidos consecutivos com precipitação abaixo da média
- Irregularidade espacial e temporal da chuva
- Calor intenso e persistente em anos recentes, que aumentou a evaporaçã0]
Quando a recuperação não ocorre em um período úmido, o impacto se acumula no seguinte, tornando o processo de recomposição cada vez mais difícil.

Sistema Cantareira vem tendo chuva abaixo da média história, em quase todos meses, desde o início de 2024 (Fonte: Sabesp)
Chuva onde importa (e onde não importa)
O Sistema Cantareira é formado por um conjunto de represas interligadas.
As principais — Jaguari e Jacareí — estão localizadas na divisa de São Paulo com o Sul de Minas Gerais.

As represas Jaguari e Jacareí são as maiores que compõem o Sistema Cantareira (Fonte: Sabesp)
Por isso:
- Chuvas intensas na capital paulista não impactam as represas que estão na divisa com o Sul de Minas Gerais.
- A recuperação do sistema depende de chuva frequente e persistente exatamente nessas áreas
Outras represas do sistema incluem Cachoeira, Atibainha, Paiva Castro e Águas Claras, mas o volume das principais determina o comportamento geral do armazenamento.
ZCAS: importante, mas nem sempre suficiente
A chuva provocada pela Zona de Convergência do Atlântico Sul é fundamental para a recarga de reservatórios no Sudeste e no Centro-Oeste.
No entanto:
- Ela não atua sempre nas mesmas áres
- Sua intensidade varia de evento para evento e de um ano para outro
- Nem toda ZCAS beneficia diretamente a bacia do Cantareira
Mesmo quando há chuva volumosa em partes do estado de São Paulo, isso não garante recuperação eficiente do sistema como um todo.
Por que a atenção precisa continuar?
Mesmo quando a chuva começa a atuar de forma mais organizada:
- A recuperação é lenta
- O nível pode continuar abaixo do adequado por semanas ou meses
- O risco permanece se a regularidade da chuva não se mantém
A situação do Cantareira exige monitoramento constante, planejamento e uso consciente da água.
A água é um recurso essencial para a vida, para a economia e para a segurança hídrica.
Seu uso responsável é necessário tanto em períodos de escassez quanto de abundância.
Para entender por que chuva forte nem sempre resulta em aumento do nível dos reservatórios, veja nosso conteúdo explicativo completo: “Não é qualquer chuva que enche represa”.




