Sul acumula mais de 170 mm de chuva após sequência de temporais
Os últimos dias foram marcados por chuva intensa e sucessivos episódios de temporais na Região Sul do Brasil. A atuação de sistemas meteorológicos sobre a região favoreceu volumes elevados de precipitação, além de ocorrências de fortes rajadas de vento, descargas elétricas e granizo em diferentes áreas.
Uma frente fria que permaneceu com lento deslocamento entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, seguida pela formação e desenvolvimento de outro sistema frontal associado a um ciclone extratropical, ajudou a manter a atmosfera bastante instável.
O levantamento consolidado até as 14h desta terça-feira, 1º de setembro, mostra acumulados superiores a 150 mm em diversos municípios de Santa Catarina e do Paraná. No Rio Grande do Sul, algumas localidades também ultrapassaram 130 mm.

Acumulados de chuva registrados entre 00h de 29/08/2026 e 14h de 01/09/2026.
Chuva passa dos 170 mm em Santa Catarina
O maior volume registrado no levantamento foi em Itaiópolis, no Planalto Norte de Santa Catarina, com 172,2 mm. Na sequência aparece Joinville, com 168,8 mm.
No Paraná, União da Vitória acumulou 165,2 mm, enquanto Pinhão chegou a 155,2 mm, Pato Branco teve 151,9 mm e Palmas registrou 150,4 mm.
Santa Catarina concentrou grande parte dos maiores acumulados. Além de Itaiópolis e Joinville, foram registrados 161,0 mm em Schroeder, 152,9 mm em Tijucas, 152,8 mm em Vargem e 151,8 mm em Rio Rufino.
No Rio Grande do Sul, os maiores valores chegaram a 137,2 mm em Ipê, 135,2 mm em Itapuca e 135,0 mm em Pedro Osório.
Os dados reunidos têm como fontes CEMADEN, SIMEPAR, EPAGRI e INMET.
Temporais também provocaram granizo no Rio Grande do Sul
Além dos volumes elevados de chuva, os temporais dos últimos dias também foram acompanhados por episódios de granizo em diferentes áreas do Rio Grande do Sul.
Segundo a Defesa Civil do estado, foram registradas 86 ocorrências de granizo entre 27 de agosto e 1º de setembro de 2026.
Sistemas meteorológicos favoreceram sequência de temporais
A grande quantidade de chuva está relacionada à persistência das instabilidades sobre o Sul nos últimos dias.
Primeiro, uma frente fria permaneceu praticamente estacionária entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, favorecendo a formação recorrente de áreas de chuva. Na sequência, uma nova frente fria associada ao desenvolvimento de um ciclone extratropical contribuiu para uma nova rodada de instabilidades.
Essa combinação proporcionou condições para chuva volumosa e episódios de tempestade, acompanhados localmente por vento forte, muitos raios e queda de granizo.
Nesta terça-feira, o ciclone já se encontra sobre o oceano, enquanto a frente fria associada avançou para o Sudeste. Mesmo assim, sua circulação ainda mantém bastante nebulosidade e chuva fraca a moderada em partes do Rio Grande do Sul, especialmente na Região Metropolitana, Costa Doce, Serra, norte, nordeste e litoral norte.
Vento forte e mar agitado ainda exigem atenção no litoral
A influência do ciclone extratropical também mantém o vento mais intenso na costa.
Nesta terça-feira, o litoral do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina ainda tem condições para vento mais forte, mar agitado e ressaca. Por isso, a situação marítima segue como um dos principais pontos de atenção no Sul durante o período.
Quarta-feira terá melhora do tempo em grande parte do Sul
A tendência muda de forma mais significativa na quarta-feira (2).
Com o avanço de uma área de alta pressão, o ar fica mais seco e frio e o tempo firma na maior parte da Região Sul. A sequência de chuva intensa dos últimos dias dá lugar a um período de maior estabilidade.
A principal exceção fica entre o litoral norte de Santa Catarina e o litoral do Paraná, onde a circulação marítima ainda pode manter muita nebulosidade e provocar chuviscos ou chuva fraca.
Nova frente fria chega ao Rio Grande do Sul na quinta-feira
A trégua será relativamente curta em parte da região.
Na quinta-feira (3), uma nova frente fria avança pelo Rio da Prata e pelo Uruguai e começa a mudar novamente o tempo no sul do Rio Grande do Sul.
A previsão não indica, neste momento, uma passagem com a mesma intensidade dos episódios recentes. O sistema tende a avançar de forma relativamente rápida e não há sinal de temporais severos associados a essa frente no cenário atual.
Entre quinta e sexta-feira, a frente volta a organizar áreas de chuva primeiro no Rio Grande do Sul e, posteriormente, em partes de Santa Catarina e do Paraná.
Ar polar aumenta o frio e o risco de geada no fim de semana
Depois da passagem dessa nova frente fria, a atenção se volta para a queda das temperaturas.
Uma massa de ar frio e seco de origem polar deve avançar pelo Sul no fim de semana e durante o feriado de 7 de setembro, aumentando as condições para formação de geada.
O sinal mais forte aparece entre a Campanha e áreas de Planalto e Serra do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o sul do Paraná, com destaque também para as serras gaúcha e catarinense. No cenário analisado, não há indicação de geada significativa para a Grande Curitiba.
Depois de vários dias marcados por chuva volumosa e tempestades, portanto, a Região Sul terá uma sequência bastante dinâmica: melhora do tempo na quarta-feira, passagem de outra frente fria entre quinta e sexta e uma nova rodada de frio mais intenso no fim de semana.



