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Entenda por que o ar frio em altitude favorece a formação de granizo

Temperaturas muito baixas nas camadas mais altas da atmosfera podem aumentar a instabilidade e criar condições favoráveis para a formação de gelo dentro das nuvens de tempestade.

Lívia Caetano

11/08/2026 às 15:50

Imagem da notícia Entenda por que o ar frio em altitude favorece a formação de granizo

Granizo começa a se formar dentro de grandes nuvens de tempestade

As pedras de granizo que chegam ao solo começam a se formar a vários quilômetros de altura, no interior de nuvens de grande desenvolvimento vertical, especialmente as cumulonimbus, associadas a temporais.

Para que essas nuvens alcancem grandes altitudes, a atmosfera precisa apresentar condições favoráveis à instabilidade. Um dos cenários que contribuem para isso ocorre quando o ar fica relativamente mais quente e úmido nas camadas próximas à superfície e as temperaturas muito mais baixas nos níveis superiores da atmosfera.

Essa diferença de temperatura na vertical favorece movimentos ascendentes mais vigorosos e permite que as nuvens cresçam rapidamente.

Qual é o papel do ar frio em altitude?

Quando uma parcela de ar quente e úmido sobe, encontra temperaturas progressivamente mais baixas. Se as condições forem suficientemente instáveis, esse movimento pode continuar por vários quilômetros de altura, levando umidade até regiões da nuvem onde as temperaturas estão abaixo de 0°C.

É justamente nessa parte mais fria da atmosfera que estão algumas das condições essenciais para o desenvolvimento do granizo.

O ar frio em médios e altos níveis também pode aumentar o contraste térmico vertical e, dependendo das demais condições atmosféricas, contribuir para tempestades com correntes ascendentes mais intensas.

Como uma gota de água se transforma em granizo?

Dentro de uma nuvem de tempestade existem gotas de água que conseguem permanecer no estado líquido mesmo sob temperaturas inferiores a 0°C. Elas são chamadas de gotas super-resfriadas.

Ao entrarem em contato com cristais ou pequenas partículas de gelo, essas gotas congelam e passam a contribuir para o crescimento do granizo.

As fortes correntes ascendentes existentes dentro da tempestade conseguem manter essas partículas suspensas e transportá-las por diferentes regiões da nuvem. Durante esse processo, elas encontram novas gotas super-resfriadas, que congelam sobre sua superfície e acrescentam novas camadas de gelo.

Quanto mais tempo a pedra permanece dentro desse ambiente e quanto maior a quantidade de água disponível, maior pode ser seu crescimento.

Quando o granizo finalmente cai?

Existe um momento em que a corrente ascendente já não consegue mais sustentar a pedra de gelo.

Isso pode acontecer porque o granizo ficou pesado demais ou porque a própria corrente ascendente perdeu intensidade. A partir daí, a pedra começa a cair em direção à superfície.

O tamanho com que chega ao solo depende de vários fatores, incluindo a intensidade das correntes dentro da tempestade, a quantidade de água super-resfriada disponível e o derretimento que ocorre durante a descida por camadas mais quentes da atmosfera.

Por isso, algumas tempestades produzem apenas pequenas pedras de gelo, enquanto outras conseguem gerar granizo de tamanho consideravelmente maior.

Ar frio sozinho não significa ocorrência de granizo

Apesar de ser um ingrediente importante, a presença de ar frio em altitude não é suficiente para garantir uma chuva de granizo.

É necessário que outros fatores atuem em conjunto, principalmente disponibilidade de umidade, instabilidade atmosférica e correntes ascendentes suficientemente intensas para transportar e manter as partículas de gelo dentro da nuvem.

É essa combinação que explica por que podemos ter uma atmosfera muito fria em altitude sem registro de granizo e, em outras situações, tempestades capazes de produzir grande quantidade de pedras de gelo.

Granizo exige atenção na aviação

Para a aviação, tempestades com potencial para granizo exigem atenção redobrada. Além das pedras de gelo, nuvens cumulonimbus podem provocar turbulência intensa, fortes correntes ascendentes e descendentes, descargas elétricas e formação de gelo.

O risco não fica restrito aos locais onde o granizo chega ao solo, já que partículas de gelo também podem estar presentes dentro e nas proximidades das células de tempestade, tornando o monitoramento meteorológico essencial para a segurança das operações aéreas.

Sul do Brasil tem condições favoráveis para o fenômeno

No cenário previsto para o Sul do país nesta terça (11), a presença de uma atmosfera bastante fria em médios e altos níveis, combinada às áreas de instabilidade, aumenta o potencial para ocorrência de granizo.

A atenção fica principalmente entre a metade norte do Rio Grande do Sul e o Oeste de Santa Catarina, onde as tempestades podem encontrar condições favoráveis à formação de gelo.

Neste episódio, o destaque não é necessariamente para pedras de grande tamanho. Existe também a possibilidade de ocorrência de granizo pequeno em maior quantidade, com chance de acumulação localizada em alguns pontos.

Assim, mais do que apenas observar a temperatura próxima ao solo, é preciso analisar toda a estrutura vertical da atmosfera para avaliar o potencial de granizo durante uma tempestade.

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