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Raios: como se formam, por que são tão frequentes no Brasil e quais os riscos

Entenda como os raios se formam, por que são tão frequentes no Brasil, quais os principais riscos durante tempestades e como se proteger das descargas elétricas.

Lívia Caetano

04/02/2026 às 15:19

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Raios: como se formam, por que são tão frequentes no Brasil e quais os riscos.

Os raios estão entre os fenômenos meteorológicos mais impressionantes da atmosfera — e também entre os mais perigosos. Essas descargas elétricas naturais acompanham tempestades intensas e podem provocar acidentes fatais, incêndios, danos à infraestrutura e interrupções no fornecimento de energia.

No Brasil, o tema merece atenção especial: o país lidera o ranking mundial de incidência de raios, com dezenas de milhões de descargas atingindo o solo todos os anos, especialmente durante os meses mais quentes e úmidos.

O que são os raios?

As descargas elétricas atmosféricas podem ocorrer de várias formas:

  • dentro de uma mesma nuvem;
  • entre nuvens diferentes;
  • ou entre a nuvem e a superfície terrestre.

O nome raio é usado especificamente quando a descarga elétrica parte da nuvem e alcança o solo. Já as descargas que permanecem no interior das nuvens ou entre elas são conhecidas como relâmpagos.

Como os raios se formam nas nuvens?

A formação dos raios está diretamente ligada às nuvens de grande desenvolvimento vertical, chamadas cumulonimbus, que podem ultrapassar 10 quilômetros de altura. Essas nuvens são típicas de dias quentes e com alta umidade, muito comuns na primavera e no verão no Brasil.

No interior dessas nuvens, coexistem:

  • gotas de chuva;
  • cristais de gelo;
  • pedras de gelo (granizo);
  • e em alguns casos, neve.

As fortes correntes de ar que sobem e descem dentro da cumulonimbus fazem com que essas partículas colidam intensamente. Esse atrito gera a separação de cargas elétricas:

  • cargas positivas se concentram no topo da nuvem;
  • cargas negativas ficam mais próximas da base.

Quando essa diferença elétrica se torna grande demais, ocorre a descarga — a chamada “faísca” atmosférica. Se essa descarga alcançar o solo, temos um raio.

Por que o Brasil registra tantos raios?

A elevada incidência de raios no Brasil está relacionada a uma combinação de fatores:

  • localização em áreas tropical e subtropical;
  • grande disponibilidade de calor e umidade;
  • frequente formação de nuvens cumulonimbus;
  • influência de sistemas como frentes frias, especialmente no Sudeste.

Além disso, o relevo, a urbanização e o transporte de umidade da Região Norte contribuem para intensificar as tempestades. Por isso, o Sudeste brasileiro costuma liderar os registros de descargas elétricas no país.

Existe uma “temporada de raios”?

Os raios podem ocorrer ao longo de todo o ano, mas são muito mais frequentes durante a primavera e o verão, quando as temperaturas estão mais elevadas e a atmosfera apresenta maior instabilidade e umidade. Essas condições favorecem a formação de nuvens cumulonimbus, responsáveis pelas tempestades mais intensas. Fenômenos climáticos como El Niño e La Niña também influenciam a ocorrência de raios, ao alterar os padrões de circulação atmosférica e a distribuição de calor e umidade. Além disso, o aquecimento dos oceanos intensifica a evaporação, aumentando a disponibilidade de vapor d’água na atmosfera e favorecendo a formação de tempestades com descargas elétricas.

Quais são os riscos associados aos raios?

Embora a chance de uma pessoa ser atingida diretamente por um raio seja muito baixa — estimada em menos de um caso em um milhão — o risco aumenta de forma significativa em áreas abertas, como campos, praias e zonas rurais. No entanto, os maiores perigos estão ligados aos efeitos indiretos das descargas elétricas. Um raio pode provocar incêndios florestais e urbanos, causar quedas no fornecimento de energia, danificar redes elétricas e de telecomunicações, queimar equipamentos eletrônicos e colocar em risco a vida de pessoas e animais. Mesmo sem um impacto direto, a corrente elétrica pode se propagar pelo solo, pela água ou por estruturas metálicas, ampliando o potencial de acidentes.

Na aviação, a ocorrência de raios é considerada um fenômeno conhecido e monitorado. Aeronaves comerciais são projetadas para suportar descargas elétricas atmosféricas, com fuselagens que conduzem a corrente elétrica pela parte externa da estrutura, protegendo passageiros, tripulação e sistemas internos. Embora aviões possam ser atingidos por raios ao atravessar regiões de instabilidade, especialmente em áreas tropicais, os principais impactos estão relacionados à operação, como desvios de rota, atrasos e inspeções técnicas após o pouso. O monitoramento meteorológico e a detecção de atividade elétrica são fundamentais para o planejamento de voos mais seguros e eficientes.

Como se proteger durante tempestades com raios?

Algumas medidas simples podem salvar vidas:

  • evite permanecer em áreas descampadas durante tempestades;
  • não se abrigue sob árvores isoladas;
  • afaste-se de cercas, postes e objetos metálicos;
  • dentro de casa, evite o uso de aparelhos ligados à tomada;
  • veículos fechados oferecem abrigo mais seguro.

A regra é clara: se há trovão, há risco.

Monitoramento é fundamental

O monitoramento meteorológico tem papel essencial na redução dos riscos associados aos raios, pois permite identificar áreas com maior probabilidade de ocorrência de descargas elétricas e antecipar situações de perigo. Sistemas de detecção e acompanhamento em tempo real ajudam na emissão de alertas preventivos, apoiam a tomada de decisão e reduzem prejuízos em setores sensíveis, como energia, aviação, agricultura e operações marítimas. A informação antecipada é uma das principais ferramentas para a proteção de vidas e da infraestrutura.


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