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IBGE reconhece oficialmente áreas de montanha no Brasil

Atualização da classificação do relevo brasileiro encerra um antigo debate da geografia nacional e passa a reconhecer oficialmente áreas montanhosas em diferentes regiões do país.

Lívia Caetano

04/06/2026 às 08:00

Imagem da notícia IBGE reconhece oficialmente áreas de montanha no Brasil
IBGE reconhece oficialmente áreas de montanha no Brasil.

Texto escrito pelas meteorologistas Lívia Caetano e Carine Gama.

Brasil passa a reconhecer oficialmente áreas de montanha

Durante décadas, uma das dúvidas mais comuns entre estudantes e até especialistas em geografia era: afinal, o Brasil tem montanhas? Embora o país possua áreas elevadas e picos com quase 3 mil metros de altitude, muitas dessas formações não eram oficialmente classificadas como montanhas.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), essa realidade começou a mudar com a atualização do Sistema Brasileiro de Classificação de Relevo (SBCR), resultado de anos de pesquisas e revisões realizadas por especialistas em geomorfologia. A nova abordagem reconhece oficialmente áreas montanhosas distribuídas por diferentes regiões do território brasileiro.

Por que o Brasil não era considerado um país com montanhas?

A antiga interpretação estava relacionada principalmente à origem geológica do relevo brasileiro. Durante muito tempo, o conceito de montanha foi associado a cadeias montanhosas jovens e formadas por processos tectônicos recentes, como os Andes, os Alpes e o Himalaia.

Como o território brasileiro está assentado sobre estruturas geológicas muito antigas e estáveis, suas elevações passaram por milhões de anos de erosão, tornando-se menos acidentadas do que as grandes cadeias montanhosas do planeta. Por isso, muitas dessas áreas eram classificadas apenas como serras, planaltos ou áreas elevadas.

Segundo pesquisadores envolvidos no Sistema Brasileiro de Classificação de Relevo, essa visão passou a ser considerada limitada, uma vez que a forma atual da paisagem também deve ser levada em conta na classificação do relevo.

O que mudou na nova classificação?

A atualização adotada pelo IBGE passou a considerar não apenas a origem geológica das formações, mas também características da paisagem, como desníveis acentuados, declividade das encostas e destaque do relevo em relação ao entorno.

De acordo com os pesquisadores responsáveis pelos estudos, esse conjunto de critérios permite identificar áreas que apresentam características típicas de ambientes montanhosos, mesmo que tenham sido formadas há milhões de anos e sofrido intenso desgaste pela erosão.

Com isso, diversas áreas já conhecidas pela população passaram a ser oficialmente reconhecidas como montanhas.

Onde estão as montanhas brasileiras?

As áreas montanhosas identificadas pelo novo sistema estão distribuídas em pelo menos 14 estados brasileiros. Entre os exemplos mais conhecidos estão a Serra do Mar, a Serra da Mantiqueira, a Serra do Espinhaço e a Serra Catarinense.

No Norte do país, o Pico da Neblina permanece como o ponto mais alto do Brasil. Já no Nordeste, áreas elevadas da Paraíba, do Ceará e da Bahia também passaram a integrar o conjunto de regiões classificadas como montanhosas.

Como as montanhas influenciam o tempo e o clima?

O reconhecimento dessas áreas também tem relevância para a meteorologia e para os estudos climáticos. Regiões montanhosas influenciam diretamente a circulação dos ventos, a formação de nuvens e a distribuição das chuvas.

Quando massas de ar úmido encontram barreiras montanhosas, são forçadas a subir, favorecendo a formação de nebulosidade e precipitação. Esse processo, conhecido como chuva orográfica, é comum em áreas como a Serra do Mar, onde o relevo exerce papel importante no comportamento do tempo.

A altitude também contribui para temperaturas mais baixas, ocorrência de nevoeiros, geadas e episódios de frio mais intenso. Não por acaso, algumas das menores temperaturas registradas no Brasil costumam ocorrer em regiões serranas do Sul e do Sudeste.

Além disso, a identificação mais precisa dessas áreas pode auxiliar em estudos relacionados à disponibilidade de recursos hídricos, monitoramento ambiental e prevenção de desastres naturais, como deslizamentos de terra em encostas.

Um novo olhar sobre o relevo brasileiro

A atualização do Sistema Brasileiro de Classificação de Relevo não significa que surgiram novas montanhas no país. O que mudou foi a forma de interpretar essas paisagens, com critérios mais modernos e compatíveis com o conhecimento científico atual.

Com isso, um debate histórico da geografia brasileira ganha um novo capítulo: o Brasil sempre teve montanhas, mas agora elas passam a ser reconhecidas oficialmente.

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