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Doce, rio de lama

11/11/2015 às 15:47
por Josélia Pegorim

Atualizado 11/11/2015 às 18:30

O rompimento das barragens de contenção de rejeitos de minérios que ocorreu na região da cidade de mineira de Mariana no dia 5 de novembro de 2015 desencadeou uma das maiores tragédias sociais e ambientais do Brasil. Um rio de lama desceu montanha abaixo, como uma avalanche incontrolável soterrando a região de Bento Rodrigues, distrito de Mariana.

 

 

 

 

 

 

 

Dias depois, a o rio de lama seguia seu caminho natural para dentro de um rio de verdade: o rio Doce. Ele é um dos principais rios da Região Sudeste do Brasil, responsável pelo abastecimento de água para dezenas de cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo, além de fornecer a água para as atividades industriais e agropecuárias.

 

 

 

 

 

 

 

 

O rio Doce virou um rio de lama contaminado desde sua nascente. A lama chegou a Governador Valadares, uma das maiores e principais cidades do vale do rio Doce, no dia 9 de novembro turvando a água.

 

 

 

 

Mas dois dias depois, com o aumento da carga de barro, o que se via era um mar marrom, sem vida, com peixes mortos aflorando na superfície. Não dá mais para beber a água. A lama contaminou a água também com alumínio, manganês, ferro. Foi decreta calamidade pública em Governador Valadares.

 

 

 

A lama segue seu curso, como a água do rio Doce seguiria. Seu destino é chegar ao mar e isto acontece na foz do Doce em Linhares, cidade do Espírito Santo. Cidades capixabas como Colatina aguardam a chegada da lama e já sabe que não terá mais a água do rio Doce disponível por muitas semanas e meses.

 

 

 

 

O rompimento das barragens não teve nenhuma relação com a chuva. O tempo estava seco no dia do acidente. Toda a região de Mariana, do vale do rio Doce e todo o Espírito Santo estavam, e ainda estão, numa situação de grave crise hídrica. Agora, a crise é também de lama.

 

 

 

 

Efeitos da chuva

Mas e se chover? Uma das perguntas daqui para frente é sobre como seria o efeito da chuva nas áreas atingidas pela lama. Na região de Bento Rodrigues, distrito soterrado pela lama, o sol forte, o calor e a falta de chuva nos últimos dias acelerou a evaporação. A lama está endurecendo e o manuseio do lamaçal tornou-se mais difícil. Enormes blocos de lama estão ficando duros. A chuva seria bem vinda para amolecer a lama e facilitar a movimentação? Mas se chover forte por alguns dias o risco de deslizamento aumenta e mais lama poderá descer para locais abaixo de Bento Rodrigues? Mais lama poderá sair das barragens se chover forte?

Qual seria o efeito da chuva na região do rio Doce? A lama seria diluída se a chuva cair forte por alguns dias? Que volume de água realmente faria diferença para diluir a lama 50 mm, 100 mm, 200 mm de chuva?

O fluxo do rio poderia ser acelerado, indo mais rápido para o mar, com alguns dias de chuva forte? Seria bom chover forte na cabeceira do rio Doce? O rio Piranga, que nasce na Serra da Mantiqueira, junto com o rio Piracicaba, são os principais formadores do rio Doce.

Confira a entrevista com o Coronel do Corpo de Bombeiros de Colatina, Fabiano Marchetti Bono, também coordenador estadual de proteção de defesa civil, que explica quais medidas já estão sendo tomadas em Colatina. A previsão é de que a lama chegue na  sexta-feira (13).

 

 

 

 

Previsão de chuva

A partir de sexta-feira,13, as condições para chuva devem aumentar bastante na região de Mariana, do vale do rio Doce e do Espírito Santo com passagem de uma frente fria. Fortes pancadas poderão ocorrer no fim de semana e há previsão de mais chuva para a segunda-feira.

Os volumes estimados são mostrados nos mapas abaixo. No primeiro, os maiores volumes acumulados no período de cinco dias variam de 70 a 100 mm e são representados pelo tom de verde.