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Três dias congelantes no centro-sul do BR

10/06/2016 às 23:31
por Josélia Pegorim

Atualizado 11/06/2016 às 13:56

Os dias 11, 12 e 13 de junho de 2016 serão com frio extremo no Brasil. Temperaturas abaixo de zero vão continuar ocorrendo em larga escala pelos três estados da Região Sul. Áreas do centro-sul e do leste de São Paulo, do sul de Minas Gerais e da região de Mantiqueira, no sul do estado do Rio de Janeiro, também devem registrar frio abaixo de zero, especialmente no  domingo, 12, e na segunda-feira, 13 de junho. Com as baixíssimas temperaturas, o risco de geada ampla e de forte intensidade permanece alto.

O ar polar que começou a atuar sobre o Brasil em 5 de junho recebe neste fim de semana um grande reforço de outra massa polar, mas que é muito mais forte, a mais intensa que já chegou ao Brasil este ano até agora.

No dia 9 de junho, 38 cidades do Brasil registraram temperatura abaixo de zero e no dia foram 64! As temperaturas foram medidas pelo Inmet e pelo Epagri-Ciram. E este número pode aumentar!

 

 

Por que vai esfriar ainda mais?

Na última semana de abril, uma forte massa de polar passou pelo Brasil, mas quando chegou encontrou o país fervendo. Mesmo assim, esta massa polar teve força para derrubar a temperatura e a mais baixa registrada foi de 4,0°C abaixo de zero em Urupema (SC), pela medição do Epagri-Ciram, Depois, no dia 19 de maio, outra massa polar fez a temperatura em Urupema cair para 4,3°C negativos. Este recorde de menor temperatura no Brasil em 2016 só foi superado em 8 de junho, quando a temperatura chegou aos 4,5°C abaixo de zero em General Carneiro (PR), pela medição do Instituto Nacional de Meteorologia. No dia 10 de junho, este recorde foi batido e a temperatura em Urupema (SC) chegou aos 7,2°C abaixo de zero.

 

 

Alta pressão

As massas polares são associadas a centros de alta pressão atmosférica e uma das formas de avaliar sua força é pela intensidade do centro de alta pressão. Esta nova massa polar que avança sobre o Brasil vem associada com um centro de alta pressão de 1030 a 1032 hPa (hPa=hectopascais, unidade de medida de pressão atmosférica; 1 hPa é igual a 1 milibar (mb)). Este valor é tecnicamente muito elevado e maior do que todos os outros centros de alta pressão polares que passaram pelo Brasil até agora.

 

 

 

 

Depois de tantas massas polares fortes desde o fim de abril, chegamos a meados de junho com a atmosfera fria. Agora, quando uma nova massa polar entra no país, já encontra ar frio. O novo frio reforça o frio antigo.

 

Outros dois fatores vão colaborar para que a atuação desta nova e forte massa polar que passa pelo Sul do país entre 11 e 14 de junho seja mais intensa.

 

1 - Proximidade com o solstício de inverno

As noites já estão longas porque falta pouco mais de uma semana para o solstício de inverno que ocorre em 20 de junho, às 19h34, pelo horário de Brasília. Com menos horas de sol para aquecer o ar, o ar frio é preservado por mais tempo e a temperatura demora para se elevar.

 

2 - Barreira do ciclone extratropical

O ar polar vem intenso do norte da Argentina e vai passar devagar sobre o centro-sul do Brasil. O ar frio será forçado a se espalhar mais pelo leste da Região Sudeste por causa de um ciclone extratropical que estará passando entre 12 e 14 de junho pela costa das regiões Sul e Sudeste. A circulação de ventos gerada pelo ciclone extratropical sobre o mar vai funcionar como uma barreira natural, represando o ar polar sobre o continente.

O frio vai diminuir só quando este centro de alta pressão polar conseguir chegar ao oceano e seguir seu caminho afastando-se do Brasil.

 

Confira o comentário da meteorologista Josélia Pegorim que explica a passagem desta forte massa polar e aponta quando o frio irá diminuir.

 

 

 

 

Atenção: alto risco de geada forte no Sul, em SP e sul de MG. Parque de Itatiaia, no sul do RJ também terá geada.