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Projeto incentiva iluminação livre de mercúrio na área da saúde

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6 min de leitura

 

 

O Hospital da Clínicas da Unesp de Botucatu (HC) vai trocar até 3 mil lâmpadas fluorescentes em apoio ao esforço de eliminação deste tipo de lâmpada, que contém mercúrio. Com isso, a instituição ainda fará uma economia de até 43% no gasto com energia. A iniciativa faz parte do Projeto Iluminação Livre de Mercúrio na Saúde, promovida pela Coalizão pela Iluminação Limpa (CLiC), da qual o HC é parceiro.

 

 

Foto: Getty imagens

 

Diversas instituições de saúde devem fazer anúncios semelhantes este mês, quando a proibição global (fabricação, importação e exportação) das lâmpadas fluorescentes será votada na Conferência das Partes da Convenção de Minamata sobre Mercúrio (COP4). O evento começou na segunda-feira (21) e vai até o dia 25 de março de 2022.

 

O mercúrio contido nas lâmpadas fluorescentes é altamente tóxico. Quando estas lâmpadas de vidro se partem, os vapores tóxicos são liberados para o ar. Não existe um nível "seguro" de exposição ao mercúrio; a absorção de vapores de mercúrio por bebês e crianças aumenta o risco de deficiências de desenvolvimento para toda a vida. Para mulheres grávidas expostas ao mercúrio há riscos para o feto.

 

Se adotada, a emenda, introduzida por representantes de países africanos, evitaria 3,5 gigatoneladas de emissões de CO2, ao mesmo tempo em que eliminaria 232 toneladas de poluição por mercúrio e reduziria o uso global de eletricidade em 3% entre 2025-2050.

 

"Ao substituir as fluorescentes por LEDs, além da sustentabilidade ambiental e proteção à saúde humana, poderemos diminuir nossa conta de energia do hospital, reduzindo grandemente os custos operacionais. Estas economias para um hospital público são fundamentais, ainda mais frente às necessidades e demandas extras que a pandemia do COVID-19 nos trouxe”, 

 

afirma a médica Karina Pavão, professora da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu. 

 

“Este projeto visa demonstrar como é fácil adaptar unidades de saúde. Ao substituir a iluminação hospitalar atual por LEDs, além de melhorarmos as condições de trabalho para as equipes, diminui-se os riscos de saúde pela exposição ao mercúrio",

 

diz Nyamolo Abagi, líder de indústria na CLiC.

 

 

Avanço tecnológico

 

No passado, as lâmpadas fluorescentes eram promovidas como uma melhor alternativa às lâmpadas incandescentes e halógenas, e os riscos associados ao mercúrio em fluorescentes eram tolerados como uma compensação necessária.

 

Graças aos grandes avanços na tecnologia de diodos emissores de luz (LED), as lâmpadas LED sem mercúrio podem substituir de forma rentável as fluorescentes em praticamente todas as aplicações, além de durar mais.

 

“O advento do LED torna as lâmpadas fluorescentes ultrapassadas em termos de eficiência energética e em termos de poluição ambiental, visto que o LED não contém mercúrio e tem maior vida útil”, diz Erick Pelegia, especialista em eficiência energética do Projeto Hospitais Saudáveis.

 

A doença de Minamata, no Japão  

 

A emenda de eliminação das lâmpadas fluorescentes faz parte de uma iniciativa maior e mais antiga: a Convenção de Minamata sobre o Mercúrio, um tratado global do qual mais de 140 países são signatários, incluindo o Brasil. 

 

Convenção de Minamata, que ajuda os países a conter a contaminação por mercúrio em todos os setores, teve origem após a divulgação de um grave crime ambiental de grandes proporções no Japão, nos anos 1950, na cidade de mesmo nome da convenção. Um envenenamento em massa por mercúrio - a chamada doença de Minamata - gerou uma síndrome neurológica em centenas de vítimas, algumas fatais.

 

Alguns destaques da Convenção de Minamata incluem o banimento de novas minas de mercúrio e o descomissionamento das existentes, a redução e a descontinuação do uso de mercúrio em diversos produtos e processos e medidas de controle referentes a emissões desse elemento no ar, em corpos d'água ou na terra. A convenção também endereça questões como a armazenagem provisória de mercúrio e sua disposição final, locais contaminados e questões de saúde relacionadas.

 

No entanto, o texto atual da Convenção de Minamata não inclui as lâmpadas fluorescentes nos itens para descontinuação. Em 2021, os países africanos participantes da Convenção de Minamata propuseram uma emenda mais abrangente sobre as lâmpadas fluorescentes para incluí-las na lista de produtos a serem banidos (African Lighting Amendment). Esta emenda será votada durante a COP4, de 21 a 25 de março em Bali, Indonésia.

 

A Convenção tem sido bem-sucedida na eliminação progressiva e da redução do uso de mercúrio em vários produtos e processos relacionados com a medicina, incluindo amálgamas dentárias e termômetros. A transição da iluminação em unidades de saúde para os LEDs apresenta também uma oportunidade para ação climática pela diminuição do consumo de energia.

 

 

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