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Garimpo faz explodir contaminações por mercúrio no Brasil

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5 min de leitura


Um estudo divulgado em março mostrou que 75% dos quase 300 mil habitantes da cidade de Santarém (PA) estão contaminados por mercúrio em doses acima das consideradas seguras pela Organização Mundial da Saúde. A pesquisa, realizada pela Universidade Federal do Oeste do Pará e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mostra como esta substância perigosa está se espalhando rapidamente pelo país, principalmente pelo consumo de água e de peixes dos rios. 

 

 

Contaminação por mercúrio pode demorar décadas para se manifestar no corpo humano (Foto: Getty imagens)

 


Em 2021, outro estudo já indicava que 100% dos Mundurukus do Pará estavam contaminados com mercúrio. Antes disso, outras pesquisas já indicavam alto índice de contaminação em doses elevadas dessa substância tóxica entre os Yanomamis.

 

O mercúrio que afeta a saúde tanto dos indígenas, como de populações urbanas da Amazônia tem origem no garimpo de ouro.

 

A atividade tem se alastrado no Norte do país e também em algumas partes do Centro-Oeste e no estado do Maranhão. As consequências desta contaminação podem demorar décadas até serem plenamente entendidas. 


Foi assim em Minamata, no Japão. Durante anos, a mineradora Chisso Co. Ltd. contaminou milhares de pessoas com metilmercúrio lançado no esgoto, mas os efeitos à saúde demoraram cerca de 20 anos para começar a se mostrar. Este intervalo entre a contaminação e os sintomas pode dar uma falsa sensação de não envenenamento e retardar medidas de controle da poluição. 


A Doença de Minamata, como ficou conhecido mundialmente o episódio de envenenamento em massa, gerou uma das maiores mobilizações sociais, ambientais e políticas do Japão contemporâneo. O movimento levou à discussão internacional da contaminação por mercúrio, e em 2013 uma convenção internacional foi criada para frear a produção, exploração e comercialização de mercúrio e de produtos com este componente. 


O Brasil é signatário da Convenção de Minamata desde 2018, mas está descumprindo seus princípios ao incentivar o garimpo ilegal, principal fonte da contaminação por mercúrio no país. As autoridades brasileiras também falham em fiscalizar a entrada ilegal de mercúrio no país (o Brasil não produz esta substância) por meio de falsificações de importação para uso odontológico e industrial. 


Na semana passada (de 22 a 25/3), diplomatas de todos os continentes se reuniram na Indonésia para a conferência das partes da Convenção de Minamata, organizada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Novos compromissos foram assumidos, entre eles a eliminação de lâmpadas fluorescentes, que contêm mercúrio. 

 

“Os últimos cinco dias serão lembrados como um momento crucial para a Convenção, quando mudamos o foco de assuntos procedimentais para a plena implementação”,

 

afirmou Monika Stankiewicz, Secretária Executiva da Convenção de Minamata, no encerramento da reunião.

 

“Vocês alcançaram hoje resultados verdadeiramente marcantes para nos aproximar do objetivo da Convenção e começar a quebrar o ciclo de miséria que o mercúrio traz”.

 


Para saber mais


Minamata (2020) - O filme conta a luta que os japoneses tiveram que travar para que a contaminação por mercúrio na Baía de Minamata se tornasse pública e os culpados responsabilizados. Veja o trailer


Obturações - Está em tramitação no Congresso um projeto de lei que estabelece o prazo de três anos para proibição total do uso de amálgama de mercúrio na odontologia. Saiba mais aqui


Plano Nacional - Há um projeto de lei no Congresso para implementar plenamente a Convenção de Minamata no Brasil e erradicar contaminações por mercúrio. O principal instrumento para a aplicação da lei seria proibir o garimpo ilegal de ouro em todo o território nacional e garantir a efetiva fiscalização. Saiba mais aqui

 

 

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