Ícone de alerta
Alerta anterior Próximo alerta Fechar alerta

Como o Brasil pode ajudar a mitigar as mudanças climáticas

Compartilhar Compartilhe no Whatsapp Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter

7 min de leitura

O IPCC (Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudanças Climáticas) lançou um relatório na segunda-feira (4) para abordar a mitigação das mudanças do Clima, isto é, o que pode ser feito para frear a crise climática em curso. 


A principal e mais importante mensagem é de que o tempo para agir está acabando. Para alguns setores, como o de transporte, já não é possível alcançar emissões zero neste século, o que significa que o mundo terá que zerar as emissões do transporte e ainda compensar uma parte - as chamadas emissões negativas. 


Quanto mais atrasado for a ação climática dos países, mais setores se tornarão mais difíceis de descarbonizar, isto é, deixar de emitir carbono para se tornar neutro em emissões de gases de efeito estufa.


Algumas recomendações do IPCC dialogam diretamente com aspectos ambientais e sociais que hoje estão mal resolvidos no Brasil. Detalhamos abaixo cinco deles: 

 

1. Reduzir as emissões rapidamente

Se as emissões de gases causadores do efeito estufa são a razão do aquecimento da atmosfera da Terra, alterando o clima global, parece óbvio dizer que a principal forma de mitigar o problema é reduzir rapidamente essas emissões, certo? 


Apesar de óbvio, desde que os cientistas passaram a alertar para esta necessidade urgente, governos e empresas aceleraram ainda mais os processos que elevam as emissões de gases de efeito estufa, com destaque para o aumento na produção de combustíveis fósseis e o descontrole do desmatamento.  


Segundo o IPCC, a década passada testemunhou o maior crescimento desses gases da história humana - 9,1 bilhões de toneladas a mais foram emitidas na comparação com a primeira década deste século. Para inverter esta tendência, a substituição de energia fóssil por renovável será obrigatória. 


O Brasil é o sexto maior emissor global, e a maior parte de sua poluição vem do desmatamento. Apesar do crescimentos das energias renováveis, novos investimentos em termelétricas fósseis podem tornar o setor de energia elétrica do país um foco importante de emissões

 

2. Florestas

A criação de novas florestas e o reflorestamento daquelas que foram destruídas é uma das principais formas de remover o dióxido de carbono (CO2) da atmosfera e frear novas escaladas no aquecimento global. Mas o IPCC pede muita cautela com essas medidas. 


Em primeiro lugar, plantar árvores não pode ser visto como uma maneira de compensar emissões para que empresas continuem poluindo. Principalmente porque não há garantias de que uma floresta plantada hoje para compensar toneladas de emissões estará viva e capturando carbono nos próximos 30 anos, sobretudo no Brasil onde o desmatamento tem crescido sem que haja punição aos infratores. 


Além disso, seria necessário muita terra para plantar árvores suficientes para compensar as atuais emissões, o que poderia diminuir as áreas disponíveis para o cultivo de alimentos, piorando as consequências das mudanças climáticas. 


As florestas aumentam a drenagem do solo, protegem encostas e faixas costeiras sujeitas a erosão, conservam a biodiversidade, produzem umidade e alimentam nascentes, diminuem os efeitos das ilhas de calor nas cidades, e podem gerar emprego, renda e qualidade de vida a partir de seus bioprodutos e paisagem. Esses serviços combinados ajudam a proteger a sociedade dos efeitos das mudanças climáticas, como chuvas e estiagens extremas. 

 

3. Novas formas de viver nas cidades 

Um dos pontos de maior preocupação do novo relatório do IPCC é o papel que as cidades podem desempenhar para “consertar” o clima global. 


Segundo o relatório, as cidades têm o potencial de liderar as mudanças no setor de energia, principalmente a partir da eletrificação do transporte, do aumento da eficiência no uso da energia e do impulsionamento da energia solar distribuída. 


O setor de construção civil é um grande emissor isolado de gases de efeito estufa e gerador de resíduos. Segundo o IPCC, a forma de construir os edifícios precisa mudar para se tornar mais inteligente e menos poluente, com mais aproveitamento de recursos como a água e um melhor gerenciamento dos resíduos dos futuros ocupantes.

 


4. Uma nova agricultura

Medidas de mitigação do setor de uso da terra têm grande potencial para reduzir não apenas as emissões de carbono, mas também de outros gases de efeito estufa de curta duração e grande poder de aquecimento, como o metano. Em 2019, o setor de uso do solo emitiu sozinho 22% dos gases de efeito estufa. 


Entre as indicações estão a busca por sistemas agrícolas de baixo carbono, com menos uso de fertilizantes que contribuem para as emissões, além do apoio aos pequenos produtores e sistemas orgânicos de cultivo. Além de ajudar o clima, essas medidas podem resolver questões de saúde e conflitos sociais e econômicos.


 Outras ideias são o incentivo público a dietas com menos carne, agricultura urbana de pequena escala e restauração de pastagens degradadas e terras que perderam a fertilidade devido ao excesso de monocultivos e agrotóxicos.

 

5. Os povos indígenas e tradicionais 

Os indígenas são citados muitas vezes no relatório como grupos que podem, por seus modos de vida, contribuir para a preservação de biomas fundamentais para o clima, como as florestas. Neste sentido, o reconhecimento dos direitos dessas populações, incluindo o direito a seus territórios ancestrais, é uma peça fundamental. 


O IPCC também aborda que a incorporação dos conhecimentos desses povos nas políticas públicas podem fortalecer projetos de conservação ambiental em muitas partes do mundo. 

 

GettyImages

 

+ mais notícias