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Onda de frio aumenta olho seco

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6 min de leitura

O inverno nem começou e o frio de gelar os ossos já causa estrago na saúde ocular. Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, no mês de maio, os prontuários de 270 pacientes do hospital mostram que a doença mais frequente nos consultórios é a síndrome do olho seco. Neste grupo,  27% ou 73 pacientes receberam diagnóstico de olho seco.

 

“Isso é mais que o dobro da incidência nas estações quentes antes da pandemia de covid, quando a disfunção atingia 12% dos brasileiros”, avalia. O médico ressalta que a avaliação dos pacientes mostra que prevalece entre eles o olho seco evaporativo. “É o tipo mais frequente desencadeado pelas alterações ambientais, nas pálpebras e no número de piscadas. Normalmente piscamos cerca de vinte vezes por minuto. Na frente das telas, de seis a sete vezes, e toda a população ficou mais conectada durante a pandemia”, observa.

 

De acordo com o oftalmologista, o olho seco tem efeitos significativos na função visual, produtividade e qualidade de vida. Isso porque os sintomas incluem sensação de areia nos olhos, ardência, vermelhidão, fotofobia e visão embaçada. A disfunção, segundo Queiroz Neto, é uma alteração na quantidade ou qualidade de uma das três camadas da lágrima formada por água, gordura e muco.

 

“A falta de lubrificação na superfície dos olhos predispõe a outras complicações, como por exemplo, lesões na lente externa do olho, a córnea, e à blefarite, inflamação crônica das pálpebras”.

 

A chance de contrair conjuntivite viral durante o frio também é maior, principalmente ao permanecer em ambientes fechados, alerta o especialista. Isso porque o frio espalha todo tipo de vírus no ar e a diminuição da lágrima deixa os olhos mais expostos. Uma evidência bastante clara da proliferação dos vírus neste período, segundo ele, é o aumento dos casos de covid nos últimos dias.

 

Foto: Getty Images

 

Gatilhos

 

Queiroz Neto ressalta que toda síndrome do olho seco é multifatorial. Sofre influência do meio ambiente, estilo de vida, idade, sexo, hábitos alimentares, consumo de água, uso de lente de contato, doenças sistêmicas como o diabetes, ou na superfície do olho como cicatrizes na córnea, ceratocone e blefarite.  A incidência da síndrome é de 3 mulheres para cada homem.  Pode também estar relacionada ao uso de ar-condicionado frio ou quente que diminuem a umidade do ar. Medicamentos antialérgicos, anti-hipertensivos e antidepressivos e a diminuição dos hormônios sexuais com o envelhecimento interferem nas glândulas lacrimais e causam deficiência aquosa na lágrima, mas é a evaporação a maior causa do olho seco.

 

Diagnóstico

 

Queiroz Neto afirma que 11% dos casos de olho seco são assintomáticos. Isso acontece porque 98% da lágrima é formada por água e a evaporação passa despercebida quando é pequena. Por isso, poucas horas no computador ou celular não afetam os olhos.

 

O diagnóstico manual feito com colírio e contato com o olho pode mascarar o resultado por estimular a lacrimação. Por isso, hoje é feito com uma câmera que emite luz infravermelha e é teleguiada por um software para avaliar as 3 camadas da lágrima,  sem interferir na superfície do olho. O exame também inclui a avaliação das pálpebras inferior e superior e das glândulas de meibômio. Por isso, permite flagrar logo no início a blefarite, inflamação na pálpebra que está relaciona a alterações nas glândulas de meibômio.

 

Tratamento

 

O oftalmologista afirma que o olho seco brando é tratado com colírios lubrificantes. Nos casos gaves pode ser feita uma cirurgia em que é implantado um plug no olho para reter a lágrima no globo ocular. Mas o melhor tratamento para 7 em cada 10 pacientes, segundo Queiroz Neto, é a luz pulsada, que desobstrui a glândula de Meibômio e estimula a produzir a camada lipídica do lágrima. 

 

Um estudo da ARVO (Association for Research in Vision and Ophthalmology) mostra que 70% dos casos de olho seco estão relacionados a uma disfunção nesta glândula.

 

“Já atendi pacientes que depois da aplicação da luz pulsada comemoravam o alívio nos olhos”, afirma. Além de preservar a produção da camada gordurosa da lágrima, observa,  a luz pulsada reduz o gasto com colírio.

 

6 passos de prevenção

 

Para manter os olhos lubrificados, Queiroz Neto recomenda: 

  • Nas telas pisque voluntariamente e descanse olhando par um ponto distante a cada 20 minutos.
  • Posicione o computador abaixo da linha dos olhos para manter a superfície ocular mais lubrificada.
  • Desligue os equipamentos uma hora antes de ir dormir para ter uma boa noite de sono.
  • Limpe a borda das pálpebras com cotonete embebido em xampu neutro para evita a obstrução das glândulas e a blefarite.
  • Beba água. Hidratação nunca é demais. Protege os olhos, a pele e os rins.
  • Inclua ômega na dieta. As melhores fontes são: abacate, castanhas e peixes gordos como a sardinha, salmão e bacalhau.

 

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