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Ministro enfrenta suspeita de lobismo por laços com Porsche

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4 min de leitura

Chefe da montadora pede desculpas após vazamento de fala sua afirmando ter influência sobre ministro das Finanças e nas decisões do governo da Alemanha sobre o futuro da indústria automobilística.

 

O ministro das Finanças da Alemanha, Christian Lindner, está no centro de uma controvérsia na mídia alemã sobre suposta proximidade com o chefe da Porsche, que indicaria influência da montadora na política governamental.

 

Na sexta-feira, o programa satírico da emissora pública alemã ZDF Die Anstalt exibiu uma citação de uma fala do chefe da Porsche, Oliver Blume, durante uma reunião da empresa em junho. Nela, o executivo afirma ter mantido contato frequente com Lindner sobre a política para combustíveis sintéticos, também chamados e-fuels, no decorrer de negociações da coalizão de governo da Alemanha.

 

"Tivemos um grande papel na inclusão de e-fuels no acordo da coalizão", diz a citação. "Fomos a principal força motriz, com contato muito próximo com os partidos da coalizão. Nos últimos dias, Christian Lindner me manteve atualizado quase de hora em hora", acrescenta.

 

Neste domingo (24/07), Blume, pediu desculpas pelas suas declarações. "Escolhi as palavras erradas em um evento interno", disse o chefe da Porsche ao jornal Bild am Sonntag. "Através delas, foi passada uma impressão errada. Sinto muito."

 

Em sua conta oficial no Twitter, a equipe do FDP do ministro das Finanças disse que a "posição de Lindner sobre os e-fuels é conhecida há anos".

 

"Assim, em junho ele comentou sobre o fim dos motores de combustão planejados pela UE. Não houve contato prévio com Blume e nenhuma outra influência", dizia o texto.

 

Mais tarde, um porta-voz do FDP esclareceu que, durante as negociações da coalizão em outubro, houve "apenas uma breve conversa telefônica" entre Blume e o então futuro ministro das Finanças envolvendo "questões sobre o uso de e-fuels".

 

Importância do e-fuel
Os e-fuels são vistos como uma alternativa sustentável aos combustíveis fósseis, destinados a substituir a gasolina nos motores de combustão tradicionais e são produzidos a partir de energias renováveis, água e CO2.

 

No final de junho, houve uma disputa dentro da coalizão sobre a proibição da venda de carros novos de combustão interna a partir de 2035 no nível da UE. Na época, Lindner rejeitou a proibição, argumentando que continuaria a haver "nichos para motores de combustão".

 

O governo de coalizão da Alemanha, que une o Partido Social-Democrata (SPD), o Partido Verde e o Partido Liberal Democrático (FDP), assinou seu acordo de governo em dezembro do ano passado.

 

Parte do pacto se compromete a proibir a venda de veículos movidos a motor de combustão interna a partir de 2035. Entretanto, foi estipulado que deve haver uma exceção para carros movidos somente a combustíveis sintéticos.

 

Este conteúdo é uma obra originalmente publicada pela agência alemã DW. A opinião exposta pela publicação não reflete ou representa a opinião deste portal ou de seus colaboradores.

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