Mesmo após dois episódios de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), os reservatórios do sistema Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO) seguem em situação de atenção. As chuvas volumosas registradas em janeiro de 2026 causaram transtornos em várias regiões e elevaram níveis de rios, mas o impacto positivo esperado para a geração de energia hidrelétrica ficou abaixo do ideal.
Análise dos meteorologistas da Climatempo, Renan Barbosa e Marcely Sondermann, mostra que a chuva de janeiro teve baixa eficiência hidrológica, com recuperação lenta dos reservatórios, especialmente nas bacias de maior interesse do SE/CO.
Situação dos reservatórios em janeiro de 2026
Os dados do ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico – indicam piora no armazenamento em quase todos os subsistemas, na comparação com janeiro de 2025.
- Sudeste/Centro-Oeste: caiu de 62,03% (2025) para 46,1% (2026)
- Norte: recuou de 80,33% para 58,05%
- Nordeste: passou de 69,63% para 52,0%
- Sul: foi a única exceção, com leve alta de 61,24% para 62,05%
Apesar da melhora no Sul, a participação desse subsistema no total armazenado do país é menor, o que não altera de forma significativa o cenário nacional, fortemente dependente do SE/CO.
Recuperação lenta ao longo de janeiro
Até o dia 28 de janeiro de 2026, os reservatórios do SE/CO apresentaram uma recuperação acumulada de cerca de 4%, com destaque para um ganho pontual de 0,6% no dia 25.
Mesmo assim, o ritmo é considerado lento. Em anos hidrologicamente favoráveis, o aumento diário costuma ser de 1% ou mais. Em 2026, a irregularidade das chuvas limitou a conversão de precipitação em vazão, reduzindo o impacto positivo sobre o armazenamento.
Chuva prevista favorece algumas bacias, mas cenário segue aquém do ideal
Nos próximos dias, a circulação de ventos deve favorecer o transporte de umidade para as bacias dos rios Paranaíba, Grande, Tietê e Alto São Francisco. A atuação de uma área de baixa pressão na costa do Sudeste, combinada ao calor, aumenta a instabilidade e a ocorrência de pancadas de chuva.
Com o solo já úmido, parte da chuva pode contribuir para elevação gradual dos níveis dos reservatórios. Ainda assim, quando comparado à climatologia e a anos mais favoráveis, o cenário segue bem abaixo do ideal para a segurança energética.
Fevereiro de 2026 terá chuva irregular
A previsão climática para fevereiro indica precipitações mal distribuídas no tempo e no espaço. Segundo Marcely Sondermann, meteorologista e consultora da Climatempo para o setor elétrico, a primeira quinzena do mês terá chuvas no Sudeste e no Centro-Oeste, porém de forma irregular.
Na segunda quinzena, a tendência é de deslocamento das chuvas mais volumosas para áreas do norte de Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo, com pouco impacto direto nas principais bacias do SE/CO. Isso reduz a eficiência hidrológica e limita ganhos mais expressivos no armazenamento.
Alerta permanece para o setor elétrico
Apesar de algum ganho pontual no curto prazo, o cenário hidrológico segue desafiador. As chuvas previstas para fevereiro não devem ser suficientes para uma recuperação consistente dos reservatórios do SE/CO, exigindo monitoramento constante das condições meteorológicas e hidrológicas.
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