Uma nova área de baixa pressão atmosférica está se formando na costa da região Sudeste, entre São Paulo e Rio de Janeiro nesta quarta-feira, 4 de fevereiro. Na madrugada da quinta-feira, 5 de fevereiro, essa área de baixa pressão dará origem a uma nova frente fria associada a um ciclone extratropical. Mas todo esse sistema terá pouca influência sobre a chuva e a temperatura no interior do Brasil nos próximos dias. Não há motivo para alertas por causa desse ciclone extratropical e nem desta frente fria.
As “estrelas do tempo” no Brasil esta semana são a grande disponibilidade de ar quente e úmido que já está distribuído pelo país há várias semanas, a nova ZCAS – Zona de Convergência do Atlântico Sul que se organizou no início desta semana e a movimentação do JBN – jato de baixos níveis, uma corrente de vento que muda de direção e intensidade diariamente, mas é poderosa, porque distribui o ar quente úmido da Amazônia para as outras regiões do país. A combinação de todos esses fatores tem gerado nuvens muito carregadas sobre quase todos os estados brasileiros, que estão provocando chuva forte e volumosa neste início de fevereiro.
Por que está chovendo tanto nesse início de fevereiro?
Fevereiro começou com muita chuva na maior parte do Brasil. As nuvens carregadas se espalharam de Norte a Sul do país, até mesmo em áreas do Nordeste. Mas a chuva em estados da região Sudeste voltou a ganhar força desde terça-feira, 3 de fevereiro. A chuva forte que caiu sobre a cidade de São Paulo na noite desta terça-feira causou o transbordamento de rios e novos alagamentos na capital paulista. Muitas áreas do estado do Rio de Janeiro e de Minas Gerais registraram mais de 50 mm entre a manhã do dia 3 e a manhã dia 4 de fevereiro. A principal razão para a intensificação da chuva na região Sudeste é a forte presença de uma corrente de vento quente e úmido, vinda da Amazônia. É o que os meteorologistas chamam de JBN – jato de baixos níveis. Esta corrente de vento varia de intensidade e de posição diariamente. A injeção de ar quente e úmido provocada pelo JBN, funciona como um poderoso combustível para o desenvolvimento de nuvens de chuva.
MS e SP com muita chuva no início de fevereiro
Nova frente fria e ciclone extratropical se formam na costa do Sudeste
A área de baixa pressão atmosférica que se formou na costa do Sudeste do Brasil nesta quarta-feira, 4 de fevereiro, tem fraca intensidade, mas ajuda a canalizar e a manter a corrente de vento quente e úmido sobre a região Sudeste.
O ciclone extratropical e a frente fria que devem se formar na altura da costa do estado do Rio de Janeiro, entre esta quarta e a quinta-feira, 5 de fevereiro, atuam sobre o oceano, com fraca intensidade, e pouca influência nas condições do tempo sobre o interior do Brasil. A formação dessa frente fria não traz nenhum ar frio de origem polar intenso para o interior do Brasil nos próximos dias. O ciclone extratropical que se organiza junto com essa frente fria, não terá força para provocar ventania sobre o litoral do Sudeste e se afasta em alto mar rapidamente durante esta quinta-feira.
A Climatempo reforça que a intensificação da chuva na região Sudeste do Brasil tem origem nas circulações de ventos que estão sendo observadas em torno de 1500 m e de 5000 metros de altitude. A presença da baixa a pressão atmosférica, a formação da frente fria com um ciclone extratropical tem pouca influência no tempo porque, neste caso, são fenômenos de fraca intensidade.
Raios: o que são e como se formam
Por que tantas baixas pressões estão se formando na costa do Sudeste?
A área de baixa pressão atmosférica que se forma na costa da região Sudeste nesta quarta-feira, 4 de fevereiro, será a quarta desde o início do ano. Isto não está relacionado com as mudanças climáticas globais e nem com o aquecimento global. É uma situação momentânea deste verão e tem uma explicação técnica.
Ana Clara Marques, meteorologista da Climatempo e especialista em previsão climática explica que a temperatura da água do mar, do oceano Atlântico Sul, tem estado acima da normal na costa do Sul e principalmente da região Sudeste do Brasil. Essa água aquecida está sendo combustível para a formação destas baixas pressões na costa do Sudeste. E a tendência é que outras baixas se formem na costa do sudeste até o fim da primeira quinzena deste mês.
Previsão para segunda quinzena de fevereiro
Na segunda quinzena, embora a água do mar na costa do Sudeste tenda a continuar mais quente do que o normal, a formação destas baixas pressões não será tão frequente. Ana Clara Marques explica que um sistema de alta pressão atmosférica deve ganhar força sobre o Sudeste do Brasil na segunda quinzena de fevereiro, e vai criar uma circulação de ventos diferente. A intensificação da alta pressão do Atlântico Sul na costa do Sudeste vai fazer com que estas baixas pressões se formar mais distantes da costa, mais em alto-mar e por isso a influência nas condições do tempo sobre o Brasil será menor.
Atenção para nova frente fria no próximo fim de semana
A Climatempo alerta para os efeitos que uma nova frente fria poderá causar nas regiões Sul e Sudeste do Brasil no próximo fim de semana, 7 e 8 de fevereiro. Este sistema começa a mudar o tempo no Rio Grande do Sul já na noite da sexta-feira, 6 de fevereiro, causando nuvens carregadas e pancadas de chuva. Porém, no sábado, dia 7, terá um rápido deslocamento sobre o Sul do Brasil espalhando a chuva sobre os três estados. Há risco de chuva forte. A previsão é de que esta frente fria comece a influenciar São Paulo já na noite do sábado, 7, mas a chuva se intensifica e se espalha pelo estado no domingo, 8 de fevereiro. Uma das maiores preocupações é com o grande volume de chuva que poderá cair no litoral paulista, especialmente na baixada Santista e no litoral norte. No domingo, 8, esta frente fria também começa a aumentar as condições para chuva no Rio de Janeiro e em áreas de Minas Gerais.
A Climatempo tem o papel de explicar sobre os eventos climáticos e evitar alarmismo, informando o público com responsabilidade.
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