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Cantareira tem abril mais seco da história

03/05/2016 às 00:00
por Josélia Pegorim

A seca que assolou a maioria das regiões brasileiras em abril de 2016 foi sentida também pelo Sistema Cantareira, atualmente o segundo reservatório em importância para o abastecimento da Grande São Paulo. Pelas medições Sabesp – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – o Cantareira recebeu irrisórios 4,4 mm de chuva nos 30 dias de abril de 2016. É quase nada, é como se não tivesse chovido. A média histórica de chuva para abril fica entre 80 e 90 mm. Foi o abril mais seco registrado em toda a história de operação do Sistema Cantareira que começou em 1973.

 

 

 

 

O recorde histórico de falta de chuva sobre o Cantareira é mais um dado excepcional de abril de 2016. Para a cidade de São Paulo, foi o segundo abril mais seco em 73 anos, pelas medições do Instituto Nacional de Meteorologia. O fato de abril de 2016 ter sido o abril mais seco já observado no Sistema Cantareira é impactante, mas pode levar a uma interpretação equivocada sobre realidade da saúde do reservatório.

 

Recuperação depois de um bom verão

A chuva de 2015, especialmente de fevereiro e da primavera, e do verão de 2016 possibilitaram a recuperação do Cantareira, que saiu do volume morto muito antes do que os técnicos da Sabesp e os meteorologistas previram. Isto aconteceu exatamente no dia 30 de dezembro de 2015, quando o nível de água armazenada finalmente atingiu o limite mínimo do volume útil. A partir daí, com a chuva do verão de 2016 e as ações do governo paulista no gerenciamento da água disponível nos diversos mananciais que abastecem a Grande São Paulo, o nível de armazenamento no Cantareira só subiu.

O máximo alcançado foi 36,9% em 11 de abril de 2016. A partir daí, com falta de chuva, o aumento do calor e do consumo, o nível de água passou a oscilar entre estabilidade e quedas.

Se tivesse algo próximo da média para abril (de 80 a 90 mm), teria sido bom, aumentaria um pouco o nível de armazenamento e quem sabe o Cantareira tivesse chegado aos 40% no fim de abril. Se tivesse chovido o dobro da média, aí a chuva de abril teria um peso relevante.

 

 

 

Não ter chovido em abril foi ruim, pois qualquer chuva no estado atual do Cantareira é bem-vinda, mas a seca de abril não pode ser culpada de nada que der errado daqui para frente. O que pôs o Cantareira operante novamente foi a chuva da primavera de 2015 e do verão de 2016.

 

O meteorologista Alexandre Nascimento comenta: "O grande problema é que não choveu o suficiente para recuperar o "buraco" dos últimos anos. Ou seja, a média não seria o suficiente mesmo.... Com a chuva normal, com a redução de saída e com a redistribuição dos usuários para outros mananciais o sistema recuperou quase 50%. "

 

O nível de armazenamento do Cantareira estava em 36,2% no dia 2 de maio de 2016, quase igual ao nível do fim do período chuvoso, 31 de março, que era 36,1%.

 

 

 

Em 21 dias, entre 11 de abril e 2 de maio, o nível de água armazenada no Cantareira baixou 0,7%, de 36,9% para 36,2%. Daqui para frente, o número de baixas do nível de armazenamento tende aumentar. A ocorrência de chuva vai depender quase que totalmente da passagem das frentes frias.

O Sistema Cantareira ainda não está realmente recuperado e não se pode descartar a possibilidade de voltar a ter um nível muito próximo do volume morto, ou até entrar no volume morto novamente, até o recomeço da chuva na próxima primavera.

Apesar da seca de abril, o verão 2015-2016 foi o mais chuvoso no Cantareira em cinco anos. Mas dizer que a crise hídrica acabou, voltar a usar a água deste sistema normalmente pode ser prematuro e perigoso.