Como a La Niña influencia o caminho das frentes frias?

02/12/2016 às 23:06
por Josélia Pegorim

Atualizado 03/12/2016 às 12:59

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Entenda o frio da primavera de 2016

No dia 30 de novembro de 2016, faltando apenas 21 dias para o dia do solstício de verão, em 21 de dezembro, o Sul do Brasil ainda registrava temperatura da ordem de 3°C na região serrana de Santa Catarina. Em São Paulo, a temperatura máxima não chegou aos 20°C e o Rio De Janeiro teve uma tarde de inverno, com máxima na casa dos 25°C. São temperaturas muito baixas para o fim da primavera.

Este foi mais um evento de frio atípico de uma primavera que se recusou a tirar as vestes de inverno para a chegada do verão. Do espírito do verão, pelo menos até o último dia de novembro, a primavera de 2016 só tinha a chuva.

 

O que fez a primavera de 2016 ter frio prolongado?

A explicação está no resfriamento da água do oceano Pacífico Equatorial que começou a ser observado já no outono e que em novembro configurou definitivamente um novo evento do fenômeno La Niña.

La Niña é o fenômeno oceânico-atmosférico que se configura quando a temperatura da superfície da água do mar, na região do oceano Pacífico Equatorial, fica pelo menos 0,5°C abaixo da média normal, por três trimestres consecutivos. É o fenômeno oposto ao El Niño, que é aquecimento da água do mar na mesma região do Pacífico.

Estas alterações da temperatura da água no Pacífico Equatorial interferem no padrão de pressão atmosférica e das correntes de vento, em diversos níveis de altitude.

 

 

 

A corrente de jato subtropical

A cerca de 10 km de altitude existe permanentemente correntes de ventos muito fortes, em algumas áreas mais ou menos fixas ao redor do globo. Uma destas regiões de vento forte fica em torno de 40°S de latitude, mais ou menos onde está o Uruguai e é chamada de corrente de jato subtropical. Ocorrem oscilações para cima e para baixo desta posição, dependendo da época do ano.

A corrente de janto subtropical funciona como uma barreira atmosférica natural que delimita até onde as frentes frias (e suas respectivas massas de ar frio polar) conseguem chegar.

 

 

Primavera fria

Durante a primavera de 2016 estas "barreiras atmosféricas" firam fracas permitindo que a maioria das frentes frias que chegaram ao Sul do Brasil conseguisse avançar também para a Região Sudeste do Brasil. Isto significa que o ar polar também influenciou com frequência a Região Sudeste. Durante o mês de novembro de 2016, o ar polar conseguiu penetrar sobre o Centro-Oeste e até nas proximidades do sul de Rondônia, causando uma friagem leve.

 

A maior "liberdade" de deslocamento das frentes frias na primavera de 2016 está relacionada com o fenômeno La Niña que interfere na força e no posicionamento médio da corrente de jato subtropical.

O jato subtropical faz o papel de "barreira natural" facilitando ou dificultando a passagem das frentes frias. Como ele ficou enfraquecido, as frentes frias e suas massas polares conseguiram passar facilmente da Argentina para o Brasil. Com as massas polares mais fortes, o ar frio conseguiu avançar com mais força até o Sudeste causando as baixas temperaturas.

 

O meteorologista Alexandre Nascimento explica como é a interferência da La Niña na corrente de jato subtropical e o que acontece com as frentes frias na situação de El Niño e na situação de La Niña.

 

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