Falta de chuva faz conta de luz aumentar

10/03/2017 às 15:23
por Maira Di Giaimo

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A “caixa d’água” do Brasil não encheu

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), órgão presidido pelo Ministério de Minas e Energia (MME), divulgou uma nota na quarta-feira (7) onde reconhece que nos próximos meses as usinas

termoelétricas precisarão novamente ser ativadas, o que vai fazer a conta de luz ficar mais cara.

 

"(...) Apesar de assegurado o abastecimento de energia para o ano de 2017, as condições hidrológicas desfavoráveis deverão levar a despachos térmicos mais volumosos, significando um aumento no custo da operação do sistema", diz a nota.

 

A principal fonte energética do Brasil são as hidrelétricas. O problema é que durante o período chuvoso (entre dezembro e março) não choveu o suficiente na região da “caixa d’água” do Brasil para encher os reservatórios das usinas. O jargão “caixa d’água” é utilizado no setor elétrico para designar as áreas onde estão os principais reservatórios que sustentam a geração de energia no país.

 

 

É a região que abrange todo o estado de Goiás, o oeste e o sul de Minas Gerais, uma parte do norte do estado de São Paulo e a região de divisa de São Paulo com Minas Gerais. Estes reservatórios estão em grandes rios como o rio Verde, o rio Paranaíba, o rio Grande e o rio Tocantins.

Então você pode até ter visto muita chuva em outras áreas do país neste verão, mas é lá que a chuva realmente importa quando se fala em geração de energia.

 

“A única bacia que esse ano recebeu muita chuva foi a bacia amazônica, mas que pouco representa no cenário de reservas hidrelétricas do Brasil”, explica o meteorologista da Climatempo Alexandre Nascimento.

 

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Próximos meses

A nossa “caixa d’água” ainda pode receber um pouco mais de chuva entre março e abril, mas depois disso começa o período mais seco. É aí que a situação complica! No decorrer do outono já não se pode mais esperar por volumes elevados de chuva. “Em março deve chover até mais do que em fevereiro, mas como já estamos no final do período úmido, não há tempo para recuperar esses reservatórios”, completa Nascimento.

 

Como fica a chuva de março?


Verões secos

Para piorar, a “caixa d’água” já vem enfrentando verões com pouca chuva desde 2013. Veja a comparação do volume no mês de fevereiro entre 2012 e 2017 na hidrelétrica de Furnas, da bacia do rio Verde e na hidrelétrica de Emborcação, da bacia do rio Paranaíba.

 

 

A forte seca de 2014 e 2015 fez o volume dos reservatórios despencar. Nessa época as usinas termoelétricas tiveram forte atuação na geração de energia. Foi exatamente nesse período que a ANEEL inseriu a política das bandeiras tarifárias para a cobrança. Essa estrutura de pagamento começou a valer em todos os estados a partir de janeiro de 2015.

 

 

Nível dos reservatórios

Houve uma recuperação dos reservatórios em 2016, mas agora, mais uma vez, o nível dos reservatórios está baixando. De acordo com o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) , na quinta-feira (8) os volumes dos reservatórios das hidrelétricas do país estavam em:

SUL - 50,07%

SUDESTE/CENTRO-OESTE - 41,4%

NORTE - 56,08%

NORDESTE - 21,37%

 

Previsão

A previsão da CMSE é que ao final de março, os níveis atinjam 65,8% de sua capacidade no Norte, 49,6% no Sul, 45,9% no Sudeste/Centro-Oeste e 23,1% no Nordeste. E é com esse acumulado que iremos enfrentar o período seco de 2017.

 

Para poupar a pouca água dos reservatórios, as usinas termoelétricas, movidas a combustíveis fósseis como carvão mineral, entre outros, são ativadas. Essa alternativa é realmente só para casos mais extremos, pois as termoelétricas poluem mais o meio ambiente e são mais caras, o que deve pesar na sua conta de luz.

 

Pode se preparar para um aumento na tarifa. Agora em março já estamos na bandeira amarela, com custo de R$ 2,00 a cada 100 kWh.

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