Nuvem de poeira do Saara viaja pelo Atlântico Norte

17/09/2018 às 23:27
por Josélia Pegorim

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Entenda a relação entre estas camadas de poeira e a formação de furacões e as praias do Caribe.

Não foi a primeira vez este ano que os satélites meteorológicos capturaram a viagem de uma camada de poeira do Saara pelo Atlântico Norte. A quantidade de poeira é tão espessa e se espalha por uma área tão grande, que parece uma imensa nuvem. Dependendo da colorização que é feita na imagem original captada pelos satélites meteorológicos, a camada de poeira tem um tom de marrom.



É assim que o satélite GOES 16 fotografou a nova camada de poeira do Saara (sim, vem lá do deserto do Saara!) que surgiu nesta segunda-feira, 17 de setembro.




 

Outra grande camada de poeira saariana já havia sido observada no começo de agosto.

 

 

 

 

A animação de imagens captadas pelo satélite GOES 16 em 1/8/18 mostra a camada de poeira

saariana se deslocando de leste para oeste na costa da África.

 

Poeira_Atlântico_1-8-18

 

 

Esta camada de poeira é rara?

Não. Diversas vezes durante o ano é possível ver estas camadas de poeira viajando pelo Atlântico Norte, de leste para oeste, da costa noroeste da África em direção ao Caribe e aos Estados Unidos. Cientistas da NASA descobriram que um dos locais de origem destas nuvens de poeira está no leito de um lago seco no norte do Chade.Milhões de toneladas de poeira saem de uma região conhecida como “depressão de Bodélé”, no extremo sul do deserto do Saara. A poeira é transportada pelas fortes correntes de vento em níveis elevados da atmosfera por milhares de quilômetros. Esta poeira saariana já pairou sobre Miami e chegou ao litoral do Texas, nos Estados Unidos, deixando o ar bastante poluído.

 

Areia das praias do Caribe

Essa grande quantidade de poeira que fica espalhada pela atmosfera é capaz de criar um cenário deslumbrante de cores ao pôr do sol e também tem um grande impacto nos ecossistemas do Atlântico Tropical. Já se sabe que esta poeira ajuda a fertilizar a floresta Amazônica e fornece nutrientes minerais para o fitoplâncton no oceano. Estas nuvens de poeira também ajudaram a formar as praias do Caribe, depois de ter sido depositada por milhares de anos.

 

Poeira mata os furacões

Para os meteorologistas, esta nuvem de poeira é chamada de “camada de ar do Saara”, que é quente e seca. Este ar quente e seco fica diretamente acima do ar mais frio e mais úmido acima do oceano Atlântico. Esta camada de ar quente e empoeirado pode dificultar muito, e mesmo “matar” o desenvolvimento de muitas tempestades que se formam na camada úmida abaixo dela. Quando esta poeira, esta camada seca e quente envolve áreas de instabilidade em formação, a instabilidade morre. A camada quente e seca inibe a convecção. É por isso que, no verão nos trópicos, uma camada de poeira do Saara pode suprimir temporariamente a formação de furacões.

Cientistas da NASA também concluíram que, quando um grande número de eventos de poeira do Saara ocorre durante a temporadas de furacões do Atlântico, entre julho e o fim de novembro, um menor número de tempestades consegue se desenvolver.

 

Foi o que ocorreu em 2006, que teve uma temporada de furacões muito fraca. Este ano, a camada de poeira que surgiu nos primeiros dias de agosto de 2018 também inibiu a formação das tempestades.

Sem poeira do Saara o ar, a primeira quinzena de setembro foi extremamente agitada e trouxe o grande furacão Florence, que já se dissipou e agora é apenas uma grande área de instabilidade no nordeste dos Estados Unidos. Mas agora, com o surgimento desta nova nuvem de poeira saariana, a segunda quinzena de setembro deve ser de pouca atividade de tempestades no Atlântico Norte.