Baixa pressão atmosférica se intensifica no mar entre ES e BA

22/03/2019 às 23:29
por Josélia Pegorim

Atualizado 23/03/2019 às 18:06

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Navegantes devem evitar a área. Há risco de chuva e de vento forte e possibilidade de formação de ciclone.

Um sistema de baixa pressão atmosférica se organiza sobre o mar neste sábado, 23 de março, entre o litoral do Espírito Santo e do sul da Bahia, intensificando-se cada vez sobre o mar até a segunda-feira, dia 25. A Climatempo acompanha a evolução deste sistema, pois há uma possibilidade de que ganhe força suficiente para gerar um ciclone tropical.



A intensificação do sistema de baixa pressão atmosférica significa que a pressão atmosférica no seu centro fica cada vez mais baixa. Quanto mais baixa a pressão do ar, mais intenso são os ventos e mais nuvens carregadas se formam.



O que se pode ver atualmente?

O sistema já começa a tomar forma e foi classificado pela Marinha do Brasil como depressão tropical, com ventos de até 61 km/h. As imagens da captadas pelos satélites meteorológicos permitem ver um grande aglomerado de nuvens sobre mar, ao largo do litoral destes estados. As nuvens mais carregadas, com potencial para raios e chuva forte, aparecem como manchas vermelhas e amarelas.

 


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Ciclone tropical formado.

De acordo com a Marinha do Brasil, seguindo as normas de classificação de ciclones tropicais da  Organização Meteorológica Mundial (OMM, sigla em inglês WMO),  o sistema de baixa pressão na costa da Bahia já apresentou as características para ser classificado com tal. São elas: centro de baixa pressão com giro  de ventos no sentido horário, origem em águas tropicais e não proveniente de frente fria. Estas características foram satisfeitas as 13h deste sábado, horário de Brasília. O sistema também foi classificado como depressão tropical, segundo a escala Beufort para classificação de intensidade de ventos.

 

 

Entenda a escala Beaufort

A escala Beaufort é utilizada por vários centros de previsão do tempo ao redor do mundo, para classificar tempestades segundo a intensidade de ventos que a mesma gera. Para ser classificado como uma Depressão Tropical o ciclone tem que produzir ventos sustentados, ou seja, média da velocidade do vento em 10 minutos, de até 61 km/h.  A classificação  Depressão Tropical é a menos intensa presente nessa escala e para ser nomeado o ciclone tropical tem que atingir o patamar de Tempestade Tropical, que possui ventos sustentados entre 62 e 118 km/h. Se  o sistema presente na costa da Bahia atingir esse patamar  receberá o nome de Iba, nome de origem indígena que significa "Ruim". Saiba mais como são dados os nomes para os ciclones na costa do Brasil.

 

 

Evolução do Sistema

As simulações atmosféricas feitas em supercomputadores continuam indicando a tendência de intensificação do ciclone tropical no mar neste fim de semana. O sistema deve ficar mais organizado durante o domingo, mas é improvável que chegue a ser classificado como Tempestade Tropical. De todo modo, as soluções mais recentes dos modelos atmosféricos indicam que o sistema se afastará para sul nesse domingo e a partir de terça para sudeste. Portanto espera-se que os maiores impactos sejam no oceano.

 

 

Qual o efeito no ES e na BA?

É preciso esclarecer que a maior instabilidade, as áreas de chuva mais fortes e os ventos mais fortes vão ficar sobre o mar. Mas independente da intensificação desta baixa pressão atmosférica, a circulação de ventos em diversos níveis da atmosfera vai forçar a concentração de umidade e calor sobre o norte e leste de Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo neste fim de semana, 23 e 24 de março. Por isso, nuvens carregadas já atuam nestas áreas e vão continuar atuando nos próximos dias.  Há risco de raios e de chuva forte.


Por causa da proximidade desta baixa pressão atmosférica com o litoral do Espírito Santo e do sul da Bahia, mesmo que não se concretize o ciclone, algumas regiões capixabas e do sul baiano poderão sentir ventos moderados a fortes e pancadas de chuva isoladas também moderadas a fortes. As rajadas mais intensas devem ocorrer sobre o oceano e o mar tende a ficar muito agitado, perigoso para a navegação.

 

O limite entre 63 km/h e 116 km/h é mantido para regiões oceânicas, caso se forme o ciclone tropical. Mas no continente, as rajadas mais intensas podem ser de 60 km/h a 80 km/h.

As simulações atmosféricas indicam que a baixa pressão se desloca para o alto-mar e não para o continente. O maior risco da chuva e do vento forte deste sistema é para a navegação. Os navegantes devem evitar sair para o mar pelo menos até terça-feira. Fique atento aos avisos da Marinha do Brasil.

 

Saiba mais sobre a possibilidade de formação do ciclone a costa entre ES e BA

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