Ceará: 11,45% do território em processo de desertificação

21/06/2019 às 12:02
por Redação

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Trabalhos e estudos estão sendo realizados para amenizar os efeitos. Resultados mostram o desenvolvimento intenso da cobertura vegetal

De acordo com o último mapeamento realizado pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), por meio da Gerência de Estudos e Pesquisas em Meio Ambiente (Gepem), o Ceará já apresenta 11,45% do seu território com áreas fortemente degradadas em processo de desertificação. Atualmente, as regiões mais vulneráveis são os Inhamuns, o Médio Jaguaribe e parte do Centro-Norte, onde está localizado o município de Irauçuba e seus circunvizinhos.


Vale ressaltar ainda que, de acordo com o Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca, 100% do Ceará é considerado Área Suscetível à Desertificação (ASD) e ainda conforme a Resolução Nº 115, de 23 de novembro de 20 do Conselho Deliberativo da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), 98,7% do estado está dentro da Região Semiárida do Brasil, comprovando a grande vulnerabilidade do estado.

Ao longo de sua história, a Funceme vem desenvolvendo atividades que visam alertar e amenizar os efeitos da desertificação no Ceará. O tema já vem sendo discutido pela comunidade internacional desde 1977, visto que muitos outros países também enfrentam os mesmos problemas.

Um dos projetos de destaque que tem acompanhamento contínuo pela instituição é o de Recuperação de Áreas Degradadas em Processo de Desertificação, na localidade do Brum, no município de Jaguaribe, situado a cerca de 300 quilômetros de Fortaleza.

 

Desenvolvimento

 

Após três anos da conclusão dos trabalhos de implementação do projeto, técnicos da Funceme seguem monitorando e realizando estudos de acompanhamento do processo de recuperação da área. Elaborado no âmbito do convênio com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), através do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC), teve suas atividades concluídas em 2016.

 

No início das ações, a área selecionada, que consta de 5 hectares, estava bastante degradada, com impactos diretos na vegetação, no solo e no potencial produtivo, apresentando condições que inviabilizavam o uso da terra pela população local. Com o projeto, foram executadas diversas práticas conservacionistas simples e de fácil replicação, visando reverter aquele quadro.

 

Dentre as atividades promovidas destacam-se a construção de barragens sucessivas de pedras para contenção de sedimentos, a implementação de técnicas de manejo do solo tais como terraços de base estreita para controlar a erosão e manter a umidade do solo, escarificação e sulcamento, para diminuir a compactação e melhorar a aeração e a penetração da água no solo e aplicação dos insumos para a recuperação da área esterco de curral e serapilheira. visando proporcionar condições de reaparecimento da vegetação e matéria orgânica para melhorar as condições físicas e químicas do solo.

 

SOLO_FUNCEME_2_aCenário do sítio Brum, em 2012, antes das intervenções da Funceme (FOTO: Divulgação)

 

“Os pesquisadores da Funceme vêm monitorando os indicadores determinados pelo projeto, tais como, percentual de cobertura vegetal, acúmulo de sedimentos nas barragens sucessivas e alterações nas características físicas e químicas dos solos, além de outras variáveis importantes para a avaliação da recuperação do ambiente”, explica a gerente do Gepem, Margareth Benício.

 

Mudanças

 

Comparando a área antes e depois das intervenções é possível perceber que as técnicas implementadas estão contribuindo de forma significativa com a recuperação da vegetação. As análises de laboratório, que estão sendo realizadas anualmente, já mostram uma melhoria nos atributos físicos e químicos do solo.

 

“Entre as mudanças positivas, observamos o ressurgimento de algumas espécies vegetais e o melhoramento do aspecto das plantas existentes, que se tornaram mais exuberantes. Estes fatos são atribuídos, principalmente ao acúmulo de umidade no solo ocasionado pela contenção de sedimentos nas barragens de pedras e terraços”, reforça a pesquisadora da Funceme.

 

Atualmente o sítio Brum abriga cerca de 34 famílias que, por meio do conhecimento repassado pela Funceme, já estão convencidas de que uma área degradada e improdutiva, pode se tornar produtiva novamente desde que tenha um manejo adequado.

 

Os resultados, mesmo preliminares, já causam um grande impacto na comunidade que já denominou a área de “Amazoninha”, por observarem o desenvolvimento intenso da cobertura vegetal em relação as áreas circunvizinhas, trazendo um benefício significativo que é o aumento na produção de mel de abelha.

 

Importância

 

A desertificação corresponde à degradação das terras nas zonas áridas, semi-áridas e sub-úmidas secas, resultante de vários fatores, incluindo as variações climáticas e as atividades humanas, de acordo com a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (CNUCD). O processo causa grande perda para a economia, biodiversidade e leva a graves problemas socioeconômicos, devido à migração da população da área desertificada para outras áreas, muitas vezes já bastante povoadas e sem infraestrutura.

 

Apesar dos esforços para a recuperação e preservação dos solos por meio das ações da Funceme e de órgãos do estado que atuam na área, é preciso que o homem, um dos grandes responsáveis pelo processo de desertificação, reavalie suas ações em relação ao manejo deste importante recurso natural e contribua, de forma mais eficaz e conservacionista, para a construção de um futuro que garanta uma exploração mais racional e sustentável do território.

 

“Procurar conhecer as características dos solos para que possa utilizá-lo respeitando suas limitações é um dos caminhos para o combate à desertificação, evitando assim os processos erosivos que culminam com a sua degradação ”, finaliza a pesquisadora Sônia Perdigão.

 

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Localidade no interior do Ceará ganhou nova vida após intervenções (FOTO: Divulgação/Funceme)

 

 

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