Como acontece a chuva do verão no BR?

18/12/2019 às 21:12
por Josélia Pegorim

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Conheça os mais importantes sistemas meteorológicos que se formam ou atuam sobre o Brasil nos meses de verão, responsáveis pela chuva e situações de seca.

Conheça os mais importantes sistemas meteorológicos que se formam ou atuam sobre o Brasil nos meses de verão, responsáveis pelos temporais e dias de chuva volumosa em áreas de todas as regiões do país.

 

O verão é a estação mais chuvosa do ano em praticamente todo o Brasil. No Nordeste, a porção norte da Região tem seu pico de chuva no fim do verão. Estados como a Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe e o nordeste da Bahia são áreas que normalmente têm pouca chuva no verão.

 

 

Nuvens convectivas

As nuvens convectivas são aquelas formadas pelo processo de convecção, que está associado ao aquecimento natural da atmosfera

A convecção forma as nuvens do tipo cúmulos, que podem aparecer em diferentes estágios de desenvolvimento em um dia de verão. São nuvens baixas e só algumas provocam chuva.

 

A nuvem cumulonimbus é a típica nuvem convectiva dos dias quentes e úmidos do verão. É esta nuvem que provoca chuva moderada a forte, com raios, ventos moderados a fortes e eventualmente granizo.

 

A cumulonimbus pode se formar isoladamente em vários locais de uma cidade grande como São Paulo, por exemplo, provocando chuva localizada, isolada. 

As nuvens convectivas podem se formar em qualquer lugar do país e em qualquer época do ano, desde que a as condições atmosféricas estejam favoráveis.

 

 

 

Foto de André C., Araguari (MG): nuvem cumulonimbus produzindo cortina de chuva

 

 

 

Linha de instabilidade 

Uma linha de instabilidade (LI) basicamente é um conjunto de nuvens cumulonimbus que se deslocam ao mesmo tempo, de forma organizada, com um alinhamento definido.  O tempo de vida de uma linha de instabilidade é de até 24 horas e podem ter grande extensão, prolongando-se por cerca de 1000 km. Uma LI pode se deslocar por centenas de quilômetros até se dissipar.

 

Atuando juntas, ao mesmo tempo, as várias nuvens cumulonimbus de uma LI podem provocar ventania de grandes dimensões formando o que chamamos de “frente de rajada”

A chuva provocada por uma LI pode ser mais volumosa e intensa do que a de uma frente fria. 

 

Linhas de instabilidade podem se formam em qualquer época do ano e em qualquer região do Brasil.

 

 

ZCIT

A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) é um dos principais sistemas meteorológicos que influenciam o país durante os meses de verão.

 

É caracterizada por bandas de nuvens carregadas que se formam na convergência entre os ventos alíseos de nordeste vindos do Hemisfério Norte, e os alíseos de sudeste vindos do Hemisfério Sul. Estas bandas de nuvens avançam do oceano Atlântico Norte em direção ao Norte e ao Nordeste do Brasil e provocam chuva forte e volumosa.

 

As áreas de instabilidade da ZCIT começam a ter maior influência no Brasil em geral durante o mês de janeiro, mas sua maior atividade sobre o país ocorre em março.

 

A intensidade e posicionamento médio da ZCIT depende da temperatura da água do oceano Atlântico Norte e Atlântico Sul. 

 

 

Corredor de umidade

Durante os meses de verão ocorrem grandes circulações de ventos específicas sobre a América do Sul que criam naturalmente um "corredor de umidade" da Região Norte para as Regiões Centro-Oeste e Sudeste. As principais circulações de vento são: Alta da Bolívia (AB) e o Vórtice Ciclônico em Altos Níveis da atmosfera (VCAN).

 

 

Alta da Bolívia (AB)

Grande sistema de alta pressão atmosférica (circulação anticiclônica) que se estabelece com centro sobre este país em torno de 10 mil metros de altitude. Porém, a circulação de ventos da Alta da Bolívia influencia áreas no Brasil, no Peru, no Paraguai, na Argentina e no Uruguai.

 

 

Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN)

Vórtice Ciclônico de Altos Níveis da atmosfera (VCAN) é caracterizado por uma circulação ciclônica (sentido horário fazendo o giro completo de 360º ao redor de um centro), que se forma em torno de 10 km de altitude. O VCAN tem muita influência sobre a Região Nordeste do Brasil durante o verão causando chuva em algumas áreas, mas também deixando o ar seco em outras.

 

O VCAN pode aparecer várias vezes sobre o Nordeste variando de posição e de extensão sobre a Região. Algumas vezes não temos o vórtice totalmente organizado, mas um grande cavado na altitude de 10 km de altitude, que também estimula a chuva em parte do Nordeste e deixa outras áreas secas.

 

 

ZCAS e ZCOU

O acúmulo e persistência do ar úmido e quente sobre país e circulações de vento em específicos geram a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) e Zonas de Convergência de Umidade (ZCOU), que são importantes sistemas meteorológicos responsáveis por grande parte da chuva do verão no Sudeste, no Centro-Oeste, numa grande porção da Região Norte e em parte do Nordeste.

 

 

 ZCAS

A Zona de Convergência do Atlântico Sul é uma grande e prolongada área de convergência de fluxos de umidade sobre o Brasil resultado da interação da circulação de vários sistemas meteorológicos: frentes frias na costa do Sudeste, Vórtice Ciclônico de Altos Níveis no Nordeste (VCAN) e Alta da Bolívia (AB).

 

A ZCAS pode se organizar sobre o Brasil mais de uma vez durante o verão e o período mínimo de persistência das áreas de instabilidade é de 4 dias.

 

Na Região Centro-Oeste, esta sequência de dias consecutivos de chuva e predomínio de céu nublado é chamada de “invernada”. 

 

 

ZCOU

Uma Zona de Convergência de Umidade pode ocorrer várias vezes durante o verão, gerando grandes áreas de nuvens carregadas e chuva persistente em várias regiões do Brasil. Porém, seu período de atuação não vai além de 4 dias. Além disso, a ZCOU pode se formar mesmo sem a presença do VCAN.

 

 

ASAS

A ASAS - Alta Subtropical do Atlântico Sul - é um sistema de alta pressão atmosférica que integra a circulação de ventos geral do globo. Este sistema de alta pressão existe o ano todo e se movimenta sobre o Atlântico Sul se aproximando ou se afastando do Brasil.

 

Como todo sistema de alta pressão atmosférica, a ASAS causa a subsidência do ar sobre as áreas centrais de sua influência, o que reduz a disponibilidade de umidade no ar. O ar sob a ASAS fica mais seco e por isso a nebulosidade e as condições para chuva diminuem. 

 

Quando o sistema ASAS atua sobre o Brasil no verão, a chuva diminui e o calor aumenta. Em anos de forte atuação da ASAS no verão, o calor é muito maior do que o normal para estação, com um maior número de dias com calor extremo.

 

A ASAS pode influenciar áreas do Nordeste, do Sudeste, do Centro-Oeste, e até do Sul e do Norte do Brasil, dependendo de sua força e posicionamento.

Este sistema de alta pressão atmosférica é identificado em níveis médios da atmosfera, em torno de 5 km de altitude.

 

Situações comuns em dias de verão

1 – Chuva com potencial para alagamentos.

2 – Muitos raios e possibilidade de granizo.

3 – Sensação térmica elevada.

4 – Pouca amplitude térmica.

5 – Recomposição de reservatórios e aumento de nível de rios.

6 – Índice UV elevado.

7 - Passagem de áreas de instabilidade, de linha de instabilidade e de ondas de leste

 

 

 

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