Calor histórico causa derretimento de neve em ilha da Antártica

25/02/2020 às 21:54
por Redação

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Período entre 5 e 13 de fevereiro foi o mais quente já registrado na Antártica.

No dia 6 de fevereiro de 2020, estações meteorológicas registraram a temperatura mais quente da história na Antártica. Os termômetros localizados na Base Esperanza, centro de pesquisa da Argentina, no extremo norte da Península Antártica, atingiram 18,3ºC, o que causou vasto derretimento nas geleiras próximas.

 

As altas temperaturas começaram a ocorrer no dia 5 de fevereiro de 2020 e continuaram até o dia 13. As imagens abaixo mostram o derretimento na calota de gelo da Ilha Eagle e foram captadas pelo Operational Land Imager (OLI) no Landsat 8, nos dias 4 e 13 de fevereiro de 2020.

 

 

  

 

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Imagens de satélite mostram o derretimento de neve na Ilha Eagle, na Antártica

 

 

No mapa abaixo, é possível ver as temperaturas na Península Antártica em 9 de fevereiro de 2020. A imagem, gerada pelo modelo do Sistema de Observação da Terra Goddard (GEOS), mostra a temperatura registrada a dois metros do chão. As áreas em vermelho escuro, representam as temperaturas que ultrapassaram 10ºC.

 

 

 

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Temperatura na Antártica registrada por satélite em 9/2/2020

 

 

Mauri Pelto, glaciologista da Faculdade Nichols, observou que, durante o aquecimento, cerca de 1,5km² de neve ficou cheia de água derretida (como mostrada em azul na imagem acima). De acordo com os modelos climáticos, a Ilha Eagle teve um pico de derretimento no dia 6 de fevereiro, que chegou a 30 milímetros. No total, a neve na Ilha Eagle derreteu 106 milímetros entre os dias 6 e 11 de fevereiro. Cerca de que 20% da acumulação neve da estação derreteu durante este período.

 

Pelto afirmou nunca ter visto o gelo se derreter tão rápido no continente. "É mais comum ver esse tipo de evento no Alasca e na Groenlândia, mas não na Antártica”. O glaciologista usou imagens de satélite para detectar o derretimento generalizado de superfícies próximas a Boydell Glacier, uma geleira da Península Trinity.

 

O especialista observou ainda que essa fusão rápida é causada por altas temperaturas persistentes acima de camadas congeladas. Esse calor não era típico na Antártica até o século 21, mas se tornou cada vez mais comum nos últimos anos.

 

As altas temperaturas na Antártica em fevereiro de 2020 foram causadas por uma combinação de fatores meteorológicos. Uma crista de alta pressão atmosférica que se formou no início do mês sobre o Cabo Horn permitiu a elevação nas temperaturas. Normalmente, a península é protegida das massas de ar quente pelos ventos de oeste do Hemisfério Sul, que circundam o continente. No entanto, como estes ventos estavam enfraquecidos, foi possível que o ar quente extratropical atravessasse o Oceano Antártico e atingisse a camada de gelo. As temperaturas da superfície do mar na área também foram superiores à média em cerca de 2 e 3ºC.

 

Além disso, o vento Foehn, seco e quente, também pode ter contribuído para o evento. Os ventos Foehn são fortes, rajadas de ventos tempestuosas que descem os vales de montanhas e levam ar quente com eles. Em fevereiro de 2020, ventos de oeste atingiram a Cordilheira da Península Antártica. Como esses ventos viajam pelas montanhas, o ar normalmente esfria e se condensa para formar nuvens de chuva ou neve. À medida que o vapor d'água se condensa na água líquida ou no gelo, o calor é liberado no ar. Então, esse ar quente e seco atravessa o outro lado das montanhas, e leva rajadas de calor para partes da península. O ar mais seco significa menos nuvens baixas e luz solar potencialmente mais direta a leste da cordilheira.

 

"Duas coisas que podem fazer a indução pelo Foehn mais forte são ventos mais intensos e temperaturas mais altas", afirma Rajashree Tri Datta, pesquisador atmosférico do Centro de Vôo Espacial Goddard, da NASA. Com o ar mais quente na atmosfera e no oceano, as condições foram propícias para a formação de ventos fortes.

 

A onda de calor de fevereiro foi o terceiro maior evento de derretimento do verão de 2019-2020, após períodos de calor intenso em novembro de 2019 e janeiro de 2020. "Se você pensar apenas sobre esse evento de fevereiro, não é tão significativo", afirma Pelto. “O que é mais importante é que esses eventos ocorram com mais frequência".

 

 

Imagens do Observatório da Terra da NASA por Joshua Stevens, usando dados do Landsat do US Geological Survey e do GEOS-5 do Global Modeling and Assimilation Office no NASA GSFC. História de Kasha Patel.

 

Tradução de Amanda Sampaio, Climatempo

 

 

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