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    Pesquisa aponta elo entre mudanças climáticas e ciclone bomba

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    Foto: Patricia Marques - Porto Alegre - RS

    6 min de leitura

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     Climatologista alerta para aumento do contraste térmico entre as massas de ar polares e o ar tropical na intensificação dos eventos extremos no Sul do Brasil.

     

    As chuvas torrenciais e os ventos que varreram o Sul do Brasil em 30/6 se devem à nova dinâmica climática provocada pelo aquecimento global. Essa é a principal conclusão das análises do Climatologista Francisco Eliseu Aquino, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Segundo ele, o aumento de 1 °C na temperatura média do Brasil de norte a sul tem fortalecido o contraste trópico-pólo, e agora toda a circulação atmosférica do nosso continente está sob influência desse reordenamento do sistema climático.

     

    A água da tempestade provocada pelo ciclone bomba do dia 30/06 foi coletada pelos estudiosos, e os dados estão sendo processados. Segundo Aquino, uma análise preliminar dessas informações parece fortalecer a seguinte hipótese: as duas importantes fontes de umidade para formação de chuvas na região, que são a Amazônia e o Atlântico Sul, podem estar acompanhadas de uma terceira, que seria o Mar de Wendel, no oceano Antártico (Atlântico Sul em direção à Antártica).  A mudança nas relações entre as massas de ar das regiões amazônica e polar já vinham chamando a atenção dos estudiosos desde a tempestade de 2016 no Rio Grande Sul, classificada como uma microexplosão. Uma análise da água daquela chuva mostrou que o DNA do evento -- ou seja, a composição isotópica da chuva -- era totalmente antártico.

     

    Segundo o professor, se existe uma região que é excepcionalmente sensível à mudança climática global é exatamente o Sul do Brasil. “Isso já estava descrito na literatura científica muito antes de eu iniciar meus estudos de graduação em geografia. Já se sabia que quando essa região começasse a dar sinais, os eventos saltariam muito rapidamente de intensidade”, diz.

     

    A Bacia do Prata já é uma região ciclogenética [propícia a ciclone] nativa da América do Sul, de acordo com o professor. “O que nós estamos suspeitando é que esses ciclones estão ficando mais bem formados, mais profundos e, por isso, mais perigosos”, explica. “Tanto é que nós tivemos dois ciclones bomba em menos de dez dias, com valor expressivo de precipitação e rompendo com a circulação atmosférica Amazônia-Sul da América do Sul por completo.” O segundo ciclone bomba, mencionado pelo professor, ocorreu no dia 8/7 no oceano e somente os ventos chegaram ao continente.

     

    “Lamentavelmente nós tivemos esses dois ciclones bomba, com altíssimo impacto e mais de 2 mil desabrigados, justo no auge da pior das pandemias da nossa história”, ressalta o professor, que avalia que será necessário sofisticar os mecanismos de alerta para esses eventos em parceria com a defesa civil.

     

    O professor lembra que o Rio Grande do Sul acaba de sair de sua estiagem mais intensa, iniciada em 2019 e que superou muito a de 2012. “Estamos falando de prejuízos de mais de R$ 40 bilhões de reais pela falta de precipitação na Bacia do Prata”, avalia. Ele explica que essa seca tem conexões com eventos meteorológicos regulares, mas que o desmatamento na Amazônia e no Cerrado está diminuindo a umidade do solo e a capacidade da atmosfera de manter os ecossistemas “Isso também atua para a variabilidade extrema das precipitações no Sul.”

     

    Os dados da pesquisa foram apresentados à comunidade científica e ao público em geral em webinar realizado esta semana pelo Instituto ClimaInfo, com apoio da jornalista Silvia Marcuzzo. A íntegra do webinar pode conferida aqui.

     

     

     

    Foto: Patricia Marques - Porto Alegre - RS

     

    Centro Polar e Climático – CPC / UFRGS: 

     

    Aquino é coordenador do Laboratório de Climatologia do Departamento de Geografia, Diretor do Centro Polar e Climático (CPC) e Coordenador da Divisão de Climatologia Polar e Subtropical da UFRGS.

     

    O CPC congrega pesquisadores nacionais e internacionais dedicados à investigação do papel do ambiente glacial no sistema climático, em especial a Antártica, o clima e paleoclimatologia da América do Sul meridional e as mudanças climáticas.

     

    O Centro é responsável pela execução do programa glaciológico nacional na Antártica e nos Andes e tem liderança científica na pesquisa glaciológica, climática e geográfica no Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR). A unidade conta com 55 membros, entre professores, pesquisadores, técnicos, alunos de graduação e pós-graduação.

     

    As áreas de atuação do CPC são: Glacioquímica e Paleoclimatologia, Climatologia Polar e Subtropical, Criopedologia e Geoecologia, Sensoriamento Remoto, Geomorfologia e Sedimentologia Glacial, além do Ensino da geografia sobre as regiões polares no Brasil.

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