Brasileiras representam a América em disputa mundial de negócios

24/09/2020 às 11:32
por Redação

Atualizado 24/09/2020 às 12:45

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EcoCiclo criou primeiro absorvente biodegradável do mercado brasileiro, que se decompõe na natureza em apenas seis meses.

Por Rafael Carvalho, da Climate Ventures

 

A EcoCiclo, startup brasileira que produz absorventes biodegradáveis ficou em primeiro lugar na final regional da Climate Launchpad, a maior competição do mundo de novos negócios verdes - ou seja, propostas de empreendimentos com impacto socioambiental positivo e que ajudam a combater e mitigar os efeitos das mudanças climáticas. A seletiva regional foi realizada nos dias 17 e 18 de setembro em um evento online.

 

A competição teve mais de 3000 startups e ideias de negócios inscritas, envolvendo empreendedores de 56 países diferentes. A etapa em questão cobre a região das Américas e Caribe, e contou com a participação de 15 finalistas do Brasil, Canadá, Jamaica, Argentina, Uruguai e Colômbia. Seis foram classificados e vão participar da etapa mundial. Dentre eles, a EcoCiclo ficou em primeiro lugar, o que já lhe garantiu alguns prêmios, como a aceleração da Climate KIC, maior iniciativa de inovação climática da Europa. 

 

Não é para menos: o impacto da EcoCiclo, de fato, é ambicioso. Enquanto um absorvente tradicional, produzido a partir de derivados do petróleo, demora até 500 anos para se decompor, as empreendedoras Hellen Nzinga, Patricia Zanella, Karla Godoy e Adriele Menezes criaram a primeira opção biodegradável do mercado brasileiro, que se decompõe na natureza em apenas seis meses. 

 

Absorvente EcoCiclo

(Divulgação/Divulgação)

 

Para Karla Godoy, o aspecto social somou-se ao ambiental na análise dos jurados: “Nós criamos um produto biodegradável, mas que além de ter impacto positivo no meio ambiente, é também uma ferramenta de empoderamento feminino”. Tudo é pensado levando-se em conta aspectos econômicos, ambientais e sociais. Dessa forma, além de colocar no mercado brasileiro um produto biodegradável, vegano e hipoalergênico, o modelo de negócios também prevê a geração de renda para mulheres, que atuariam como revendedoras. 

 

Além de ter um produto focado inteiramente nas necessidades das mulheres - cujas demandas são muitas vezes ignoradas pelo mercado -, as sócias da EcoCiclo também estão acostumadas a trazerem para o mundo do empreendedorismo o debate da liderança feminina e do combate ao machismo. Na etapa regional da competição, eram a única equipe formada inteiramente por mulheres. 

 

ecociclo

Hellen Nzinga, Patricia Zanella, Adriele Menezes e Karla Godoy, fundadoras da EcoCiclo (Divulgação/Divulgação)

 

Na final global, que ocorre nos dias 30 de setembro, 1º e 2 de outubro, a EcoCiclo competirá com outras 68 ideias de negócios verdes. A startup recebeu a mentoria e treinamento de pitch exclusivo para a competição do Instituto Climate Ventures, plataforma de inovação multisetorial criada para acelerar uma economia regenerativa e de baixo carbono no país. 

 

Karla conta que também estão animadas com os benefícios que o processo de aceleração da Climate KIC, já garantido, vai trazer: “Hoje o grande desafio da EcoCiclo é de fato conseguir acesso a grandes investidores que acreditem em nosso produto e nossa missão para podermos colocar o produto na rua”. O prêmio para o vencedor global, de 10 mil euros, também impulsionaria o lançamento. 

 

O plano é começar a produção comercial já no próximo ano, estimuladas também pela crescente conscientização ambiental das consumidoras e as expectativas de que a retomada econômica seja verde. “Para nós é a sensação de que pela primeira vez estamos nadando a favor da maré. Fazer parte desse movimento nos mostra que estamos alinhadas a necessidade para garantir que o futuro seja mais justo e acessível para as pessoas que menstruam”, conclui. “Esse é o momento para crescer como marca. Os holofotes estão voltados para a sustentabilidade.”

 

Sobre Climate Ventures e Climate Launchpad

A Climate Launchpad é a maior competição global de ideias de negócios bons para o clima, e faz parte das iniciativas de empreendedorismo do EIT Climate-KIC, a principal organização de inovação climática da União Europeia. No Brasil, a competição é apoiada pela Climate Ventures.

 

 

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