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Fake news ajudam a acelerar pandemia na Índia

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Foto: iStock

6 min de leitura

Observadores e ativistas dizem que as autoridades não tomaram medidas suficientes para deter a desinformação. Na verdade, algumas figuras públicas e altos funcionários do governo foram responsáveis diretos pela disseminação.

 

Em meados de abril, por exemplo, quando o número de casos de covid-19 começou a disparar, V. K. Paul, um alto funcionário do governo diretamente envolvido na resposta ao coronavírus, recomendou que as pessoas buscassem terapia alternativa caso tivessem infecções leves ou assintomáticas.

 

Ele também aconselhou as pessoas a consumirem "chyawanprash" (um suplemento dietético) e "kadha" (uma poção de ervas e especiarias) para melhorar sua imunidade.

A declaração desencadeou críticas de médicos, que disseram que tais recomendações poderiam encorajar as pessoas a tentar terapias não certificadas e esperar tempo demais antes de buscar ajuda médica.

 

"Isso é espantoso e enganoso. Vai encorajar as pessoas a se sentarem em casa, bebendo tais poções e, quando chegarem ao hospital, poderá ser tarde demais", diz Rajan Sharma, ex-presidente nacional da Associação Médica Indiana.

 

Apar Gupta, diretor executivo da Fundação Internet Freedom, compartilha ponto de vista semelhante.

 

"Quando se tem autoridades públicas endossando tais apelos, há obviamente uma falta de respeito pela ciência. Que efeito você acha que isso terá sobre aqueles que usam mídias sociais?", questiona.

 

 

Elevado uso das mídias sociais


Especialistas acreditam que a baixa confiança na imprensa tradicional e a falta de uma mídia pública independente forte, aliada a uma audiência fragmentada e ao alto uso da mídia social, ajudaram na rápida e ampla disseminação da desinformação.

O consumo de conteúdo em redes sociais aumentou desde que o governo indiano impôs um rigoroso lockdown em março do ano passado, para controlar a disseminação do vírus.

 

O Whatsapp, que tem mais de 500 milhões de usuários no país, é a plataforma através da qual a maior parte da desinformação está sendo veiculada. "O alcance crescente das mídias sociais intensifica ainda mais a crise da desinformação", diz Gupta.

Maré de mentiras


Com os casos de covid-19 surgindo em todo o país, muitos naufragam numa maré crescente de conteúdo enganoso e falso, o que também está afetando o esforço de vacinação em massa do país ao espalhar rumores mentirosos sobre os efeitos adversos das vacinas.

 

Circulam na Índia informações falsas sobre a segurança das vacinas entre pessoas com condições preexistentes como diabetes e hipertensão e até sobre sua real eficiência entre as mulheres.

 

Há também, por exemplo, mitos em torno do uso de nebulizadores como um substituto para tanques de oxigênio, atualmente em falta no país. Rumores promovendo a inalação de vapor, bem como o consumo de alho, canela e raiz de alcaçuz, como medida preventiva ou cura para a covid-19, têm sido igualmente disseminados.

 

Outra ideia infundada e perigosa que está sendo propagada nas mídias sociais é que os indianos têm uma imunidade mais alta contra o coronavírus. Isso foi baseado em uma interpretação errônea e superficial de um único estudo genético realizado entre diferentes grupos étnicos.

 

"Não há simplesmente nenhuma evidência científica que sustente esta afirmação absurda. Tivemos que desmascarar esta afirmação para fazer as pessoas entenderem que os indianos não têm nenhuma proteção genética especial contra o vírus", diz um pesquisador do Alt News, um site sem fins lucrativos de verificação de fatos, à DW.

 

Muito desse conteúdo, na forma de texto, imagens e vídeos, é compartilhado nos idiomas locais.

 

"Muitos desses vídeos e memes são reciclados porque não se evaporam facilmente do ciberespaço. Mesmo depois de essa avalanche de desinformação ser desmascarada, ainda há pessoas que não sabem no que acreditar", afirma Prateek Waghre, analista de pesquisa do Instituto Takshashila.

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