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Manejo Integrado do Fogo é eficaz para a redução de incêndios

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Foto: Fim de tarde numa parte alta da cidade de Congonhas. Ao fundo a Serra de Ouro Branco

6 min de leitura

A relação do Cerrado com o fogo é antiga, seja de forma natural ou quando é causado pelo homem. As evidências de incêndios no bioma indicam que eles ocorrem há mais de 32 mil anos. Além disso, historicamente, o fogo é usado em diferentes atividades do dia a dia – prática que permanece, principalmente para o manejo de áreas agrícolas e de pastagem.

 

A evolução do Cerrado fez com que a região fosse composta por um conjunto diverso de características e particularidades da vegetação e espécies de plantas que são tolerantes ou dependentes do fogo. Algumas, inclusive, só conseguem se reproduzir quando expostas às altas temperaturas das chamas, como a erva conhecida como cabelo-de-índio (Bulbostylis paradoxa).

 

O mesmo fogo que traz vida é o que destrói esses ambientes naturais, especialmente na época da seca, período entre maio e outubro, quando ele tende a ser mais intenso e de maiores proporções, saindo muitas vezes de controle e se transformando em incêndios.

 

Fogo demais, gera problemas. Já a ausência prolongada pode gerar grande acúmulo de material combustível (biomassa de capim seco), que cria condições favoráveis para incêndios de proporções devastadoras e exige outras formas de manejo.

 

Foto: Istock - Fim de tarde numa parte alta da cidade de Congonhas. Ao fundo a Serra de Ouro Branco

 

Por esse motivo, uma solução inovadora tem sido implementada em diversas Unidades de Conservação (UCs) da savana brasileira. É o chamado Manejo Integrado do Fogo (MIF), que vem demonstrando ser uma ferramenta eficaz para a redução de incêndios na região e a consequente proteção da biodiversidade local.

 

O MIF é uma abordagem de manejo conservacionista do fogo que busca integrar diferentes ações de prevenção a incêndios, que vão desde o desenvolvimento de pesquisas científicas, cujos resultados trazem subsídios para ações práticas, até a implantação de aceiros negros e queimas prescritas, usados para reduzir o material combustível existente em uma determinada localidade e, dessa maneira, impedir o avanço de incêndios.

 

Embora ainda seja uma prática reconhecidamente nova para UCs no Brasil, o MIF – amparado pelo artigo 38 da Lei 12.651/2012 (Código Florestal) – vem ganhando força nos últimos anos. A lei permite que o fogo, mediante aprovação de órgãos competentes, seja usado, dentre outras razões, para queimas controladas e em atividades de pesquisa científica. Não obstante a prática esteja legalmente amparada, ainda existem lacunas que só podem ser preenchidas por uma legislação específica que discipline o manejo do fogo e traga no seu escopo um conjunto de regras e procedimentos para tal. Nesse sentido, desde o final de 2018 tramita no Congresso o Projeto de Lei nº 11.276, que estabelece a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo.

 

Atualmente, várias UCs do Cerrado já adotam o MIF como parte da sua estratégia de prevenção a incêndios, como é o caso da Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins, pioneira no desenvolvimento desses trabalhos. Por meio dessa estratégia, a unidade tem reduzido consideravelmente, nos últimos anos, sua área atingida por incêndios.

 

Outras áreas protegidas, como os Parques Nacionais Serra das Mesas e Chapada dos Veadeiros também merecem destaque pelos resultados alcançados com o manejo integrado do fogo.

 

Outro exemplo que passou a adotar essa estratégia de manejo para inibir incêndios é a Reserva Natural Serra do Tombador, área de quase 9 mil hectares no coração do Cerrado mantida pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Com base no sucesso obtido em outras localidades e nos resultados demonstrados por pesquisas científicas sobre a dinâmica do fogo, o MIF começou a ser adotado na Serra do Tombador em 2020 como parte de ações de prevenção e já apresentou resultados positivos. Em poucos meses, três incêndios foram contidos em áreas submetidas a queimas prescritas.

 

Outra ação de extrema importância para combater incêndios é o intercâmbio de informações e expertises entre atores de uma mesma região. Esse trabalho colaborativo possibilita antecipar a chegada de incêndio, pois o fogo que nasce em uma unidade de conservação ou propriedade rural pode facilmente se espalhar para outras localidades.

 

Nesses casos, todo tempo é precioso para conter o avanço das chamas. Com coordenação local, apoio do poder público e aplicação de estratégias como o MIF, é possível reduzir os danos do incêndio e garantir a proteção do Cerrado e de sua inigualável biodiversidade.

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