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Tempestades de poeira podem ser mais comuns nos próximos anos

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Foto de Leonardo Carvalho, Ribeirão Preto (SP)

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Foto: Leonardo Carvalho, Ribeirão Preto (SP).

 

Um dos assuntos mais comentados das últimas semanas, as tempestades de poeira, provocaram estragos e assustaram moradores de cidades das regiões Sudeste e Centro-Oeste do país. No interior paulista, região duramente afetada, a tempestade registrada no dia primeiro de outubro provocou 6 óbitos, feridos e muita destruição. A péssima notícia, é que esses fenômenos vão se tornar mais comuns devido às mudanças climáticas.

 

Tempestades de poeira não são raras em regiões como de interior, elas costumam ocorrer no final do período seco e início do período chuvoso, porém, não na mesma intensidade, abrangência e quantidade como foi registrado neste ano. Para entender a causa deste fenômeno, temos que analisar a qualidade da chuva dos últimos anos.

 

Causas das tempestades de poeira


A sequência ruim de períodos chuvosos, com anos seguidos de chuva abaixo da média, deixaram o solo muito seco, consequentemente, a terra que estava “solta” foi facilmente levantada pelos fortes ventos de quase 100km/h registrados durante os primeiros temporais da primavera. Na última atualização do Monitor de Secas, grande parte do país registrava seca em algum grau, sendo o interior paulista e o triângulo mineiro, as regiões com o grau mais elevado, a de seca excepcional. 

 

Mapa do Monitor de Secas elaborado em setembro (Agência Nacional de Águas)

 

Fenômeno pode se tornar mais frequente nos próximos anos

 

O último relatório do IPCC (Painel Intergovernamental Mudanças Climáticas) apontou os efeitos do aquecimento do planeta no Clima global. Em relação ao Brasil, os estudos indicam que o aumento da temperatura global favorecerá secas mais intensas e prolongadas, principalmente nas áreas mais centrais do país, condição ideal para formação de tempestades de poeira. Além disso, as queimadas são outro efeito negativo de dias consecutivos sem registro de chuva, tornando o ambiente mais favorável para o alastramento destes focos.


O desmatamento é outro fator ligado diretamente à causa do fenômeno, a região norte do estado de São Paulo possui forte atividade agrícola e pouca vegetação nativa. Sem a presença dessa vegetação, o solo fica exposto e acaba secando, permitindo que o vento leve as partículas de poeira mais facilmente. Esse processo torna o solo cada vez mais pobre, pois perde matéria orgânica e fertilidade.


Os impactos das tempestades de poeira na sociedade são muitos, além da poluição, danos materiais e diminuição da visibilidade em rodovias, também podem prejudicar a saúde da população, pois o vento pode carregar propriedades tóxicas. Infelizmente, devido ao desmatamento e o aquecimento constante do planeta, eventos como esse se tornarão cada vez mais comuns no Brasil.

 

Texto: Robson Miranda, Meteorologista e Consultor Comercial da Climatempo.

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