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Nasa lança missão para desviar asteroide

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7 min de leitura

A Nasa lançou uma missão espacial atípica: para que ela seja bem-sucedida, a espaçonave precisa sofrer uma colisão e ser destruída, sem que tenha chances de retornar à Terra.

 

Nas primeiras horas desta quarta-feira (24/11), a agência espacial americana enviou uma nave para colidir deliberadamente com um asteroide. Trata-se de um teste do primeiro sistema de defesa planetário, projetado para impedir que uma rocha espacial venha a atingir a Terra.

 

Pode soar como ficção científica, mas o Double Asteroid Redirection Test (Dart – Teste de Redirecionamento de Duplo Asteroide) é um verdadeiro experimento científico cujo objetivo é alterar ligeiramente a trajetória do asteroide Dimorphos.

 

A espaçonave Dart foi lançada a partir da Base da Força Espacial de Vandenberg, nos Estados Unidos, a bordo de um foguete Falcon 9 de propriedade da SpaceX, empresa espacial do empresário bilionário Elon Musk. O lançamento foi transmitido ao vivo pelo canal televisivo da Nasa.

 

"Asteroide Dimorphos, estamos indo pegar você!", escreveu a agência no Twitter após o lançamento. Mais tarde, a Nasa informou que a Dart se separou com sucesso do segundo estágio do foguete, que por sua vez retornou em segurança à Terra e pousou num navio-aeródromo no Oceano Pacífico.

 

"Recebemos nossos primeiros sinais da missão Dart, que continuará a direcionar seus painéis solares nas próximas horas e se preparar para sua viagem sem volta de dez meses até o asteroide", comunicou a Nasa. Sem contar a extensão dos painéis solares, a espaçonave tem o tamanho de uma geladeira grande e viajará cerca de 11 milhões de quilômetros até o Dimorphos.

 

Impacto a 24 mil km/h


Dimorphos é um "moonlet" (pequeno satélite natural que orbita um planeta ou outros satélites) de cerca de 160 metros de diâmetro, que circunda um asteroide maior chamado Didymos, de aproximadamente 760 metros de diâmetro). Juntos, eles orbitam o Sol.

 

O impacto entre a espaçonave e o Dimorphos deverá ocorrer na segunda metade de 2022, entre 26 de setembro e 1º de outubro, quando o asteroide estiver a 11 milhões de quilômetros de distância da Terra, quase o ponto mais próximo que já esteve do planeta. A Dart atingirá Dimorphos a uma velocidade de pouco mais de 24 mil quilômetros por hora.

 

O Dimorphos e o Didymos não representam nenhum risco para o planeta. Mas eles pertencem a uma classe de corpos celestiais conhecida como Objetos Próximos da Terra (NEO, na sigla em inglês), que transitam num raio de 48 milhões de quilômetros da Terra.

 

"O que estamos tentando aprender é como desviar uma ameaça", disse o cientista da Nasa, Thomas Zuburchen, sobre o projeto de 330 milhões de dólares – o primeiro desse tipo.

 

O Departamento de Coordenação de Defesa Planetária da Nasa está interessado nos asteroides com mais de 140 metros de diâmetro, que podem destruir cidades ou regiões com um poder destrutivo várias vezes superior ao de bombas nucleares comuns.

 

Laboratório natural ideal


Cientistas explicam que a dupla de asteroides Didymos e Dimorphos é um "laboratório natural ideal", porque telescópios baseados na Terra são capazes de avaliar o tempo que o Dimorphos leva para orbitar seu parceiro maior.

 

Como o período da órbita atual é conhecido, qualquer mudança orbital revelará o efeito do impacto da espaçonave Dart. Além disso, a órbita da dupla nunca cruza a órbita da Terra, por isso esses asteroides são considerados mais seguros para se estudar.

O líder da equipe de investigação da missão Dart, Andy Rivkin, disse que o período orbital atual do asteroide Dimorphos é de 11 horas e 55 minutos, e o impacto com a espaçonave diminuirá esse tempo em cerca de dez minutos.

 

Ainda há incertezas sobre quanta energia será transferida pela colisão, já que a composição interna e a porosidade do asteroide são desconhecidas. Mas fato é que, quanto mais detritos forem gerados, mas impulso será dado ao Dimorphos.

 

Outras técnicas


Há outros métodos conhecidos para o desvio de asteroides, mas a técnica do "impacto cinético" é a única que pode ser implementada com a tecnologia atual.

Uma das hipóteses é voar uma espaçonave próxima ao corpo celeste para transmitir uma pequena força gravitacional. Outra é executar uma explosão nuclear perto do asteroide (mas não no objeto em si, como foi encenado nos filmes Armageddon e Impacto profundo), o que provavelmente criaria muitos objetos mais perigosos.

 

Existem cerca de 10 mil asteroides considerados próximos à Terra com ao menos 140 metros de tamanho, mas nenhum tem chance significativa de atingir o planeta nos próximos 100 anos. Mas uma advertência importante: cientistas estimam que ainda há mais de 15 mil desses objetos celestiais a serem descobertos.

 

Estima-se que asteroides com ao menos 140 metros de tamanho atinjam a Terra uma vez a cada 20 mil anos. Já impactos de asteroides com dez quilômetros ou mais de diâmetro – como o que colidiu há 66 milhões de anos e levou à extinção da maior parte da vida na Terra, incluindo os dinossauros – ocorrem a cada 100 a 200 milhões de anos.

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