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La Niña: o que é e quais os impactos no setor elétrico

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6 min de leitura

Seja bem-vindo a bordo da La Niña. Para entender como o fenômeno pode impactar a geração de energia, nossa primeira parada será no oceano Pacífico onde o El Niño Oscilação Sul (ENOS) se forma.


O ENOS é um fenômeno de grande importância para a Meteorologia por se tratar de um fenômeno de teleconexão, isto é, impacta as condições de tempo e Clima em várias regiões do globo. O ENOS envolve a interação entre dois componentes: o oceano e a atmosfera. A parte oceânica é chamada de La Niña (El Niño) e envolve o resfriamento (aquecimento) anômalo das águas do oceano Pacífico tropical central e leste. Já a componente atmosférica refere-se à diferença de pressão entre Darwin (norte da Austrália) e Tahiti (ilha no Pacífico central), que está associada ao deslocamento das células de circulação de Walker.

 

No dia 14 de outubro, o Climate Prediction Center (CPC) confirmou que já estamos a bordo da fase fria do ENOS, a La Niña, e que esta persistirá para os próximos meses. Essa informação é importante para entender os impactos do fenômeno na qualidade do próximo período chuvoso (verão de 2022), uma vez que o fenômeno afeta a circulação atmosférica e os sistemas de precipitação.

 

Tipos de La Niña

 

Na imagem abaixo, são mostrados os tipos de La Niña, onde o resfriamento das águas pode se concentrar no Pacífico tropical leste (Canônica), próximo a América do Sul, ou no Pacífico tropical central (Modoki). Além disso, pode-se observar as anomalias de precipitação na América do Sul nos meses de verão (dezembro, janeiro e fevereiro) em cada um dos casos.

 

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Na La Niña Canônica, anomalias negativas (positivas) de precipitação são observadas principalmente sobre a região Sul e Centro-Oeste (o norte da região Norte, nordeste da região Sudeste e no estado do Rio Grande do Norte) do Brasil. Por outro lado, na La Niña Modoki as anomalias negativas (positivas) são verificadas principalmente sobre as regiões Central e Nordeste do Brasil (Norte). 

 

Leia também: La Niña causará aumento da temperatura média global

 

 

Impactos da La Niña no setor elétrico

 

Agora que já navegamos no oceano Pacífico e vimos como a La Niña pode afetar a precipitação na América do Sul, vamos atracar no setor de energia para entender como ele pode ser afetado.


Desde a crise hídrica de 2014-2015 na Região Sudeste, os reservatórios ainda não se recuperaram e suas consequências no abastecimento e geração hídrica são sentidas até os dias de hoje.

 

Para a recuperação dos reservatórios, são necessárias estações chuvosas de qualidade, isto é, uma estação com alto volume de chuva bem distribuída temporal e espacialmente. Em uma fase de La Niña, a expectativa é que a geração hídrica no Sul do país seja afetada negativamente, principalmente em episódios canônicos, dada a possível redução da precipitação e, consequentemente, do abastecimento dos rios e reservatórios.

 

Já nos episódios Modoki, espera-se que a geração hídrica seja afetada negativamente nas regiões Central e Sudeste do Brasil, podendo até afetar o padrão de convergência de umidade da região.

 

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A geração eólica no Nordeste do país, região onde se encontram os principais parques eólicos, é afetada em anos de La Niña quando o potencial eólico na Região sofre redução, isto porque a velocidade do vento diminui devido à mudança na circulação atmosférica.

 

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Em condição de La Niña, espera-se que a geração solar seja favorecida em regiões com redução da precipitação, como as Regiões Sul e Centro-Oeste do Brasil. Isto porque, com menor
nebulosidade, mais radiação incide sobre as placas solares. Por outro lado, em regiões como
Minas Gerais, estado que lidera o ranking de potência de geração solar instalada, o tipo de La Niña
pode fazer muita diferença para a geração, isto é, espera-se que na La Niña Canônica a geração solar
seja desfavorecida, enquanto na Modoki seja favorecida de acordo com as anomalias de precipitação.

 

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Terra à vista! Nesta curta jornada, vimos que além de conhecer as características da La Niña e seus impactos nos setores de energia, é preciso ficar de olho no tipo e intensidade do fenômeno.

 

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Este conteúdo foi adaptado do texto Especial Mensal de Energia publicado pela meteorologista Isabella Talamoni Lima. Para acessar o conteúdo original, clique aqui

 

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