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Salinização ameaça a ilha de Marajó

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Foto: Afuá/ ilha de Marajó (PA) - prefeitura Municipal de Afuá

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Foto: Afuá - ilha de Marajó (PA)/prefeitura de Afuá


Com cerca de 40 km2, Marajó, no Pará, é a maior ilha fluviomarinha do mundo, isto é, banhada em parte pelo mar, em parte por águas doces. Mas as modificações feitas pelo homem na bacia amazônica podem estar mudando de maneira perigosa essa característica especial. 


Aprendemos na escola que os rios deságuam no mar. Quando a água de um rio é retirada em excesso ou represada em vários pontos por barragens, como as de hidrelétricas, ela chega em menor quantidade ao oceano. Com vazões mais fracas na foz, o mar pode avançar sobre o leito do rio, salinizando inclusive as águas subterrâneas, e as mudanças climáticas agravam o problema por alterar regimes de seca e de cheia. Muitas cidades mundo afora lutam contra a salinização de rios e aquíferos - uma operação que exige grandes investimentos e o uso de tecnologias ainda em fase de desenvolvimento e nem sempre efetivas.

 

 

Afuá, a Veneza Marajoara


A ilha do Marajó abriga 12 municípios, e Afuá tem se destacado como cidade turística. Frequentada sobretudo pelos moradores de Macapá, a duas horas de barco, o local está atraindo atenção recente de visitantes de todo o Brasil e do exterior. Com quase 40 mil habitantes, o município foi criado de maneira única sobre estruturas de palafitas completamente adaptadas aos regimes de cheia e seca - os chamados invernos e verões amazônicos. Com ruas suspensas, automóveis são proibidos, e o principal meio de transporte da chamada “Veneza Marajoara” são as bicicletas. 

 

 

Alerta natural

 

O último verão amazônico - ou seja, a última estação seca - terminou em dezembro deixando um alerta para toda a região:

 

a invasão do mar sobre a foz do Rio Amazonas, no litoral do Amapá, pode destruir as fontes de água doce locais, tornando as cidades da região inviáveis.

 

O Rio Araguari, que desembocava no mar na mesma região, perdeu sua foz em meio à crise e passou a ser tributário do Amazonas. 

 


Perto dali, no Arquipélago de Bailique (AP), a situação já é dramática. Além da salinização, a população enfrenta a erosão das terras à margem dos rios, conhecida como “terras caídas”, o que pode fazer com que as 8 ilhas e suas 57 comunidades desapareçam sob o mar. A pesca, importante atividade econômica e fundamental para a segurança alimentar local, pode ser fortemente impactada. 


A justiça determinou que o governo do Pará garantisse o abastecimento de água potável em partes críticas do município de Afuá, e uma nova adutora estava em construção no final de 2021. Nas comunidades de Bailique, o governo do Amapá precisou levar água potável durante todo o verão, além de enviar uma estação-barco para tratamento emergencial de água. 

 

 

Para saber mais:


Neste vídeo, o Canal GNT mostra como são as construções da cidade de Afuá. 

A jornalista e arquiteta Renata Falzoni mostra a relação especial dos afuenses com suas bicicletas neste mini-documentário

 

O site Amazônia Real faz uma cobertura especializada das questões políticas e sociais da Amazônia. Nesta reportagem, Rudja Santos descreve os riscos de destruição das comunidades do Arquipélago de Bailique.  

 

 

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