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Calor, chuva e gelo na Antártida são sinais de alerta, diz OMM

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6 min de leitura

 

A quantidade de gelo, perdida anualmente, das geleiras da Antártida aumentou pelo menos seis vezes entre 1979 e 2017.  Sinais de alerta se seguiram à queda da extensão mínima do gelo marinho da Antártida após o derretimento do verão

 

OMM aponta registro de temperaturas extremas e queda de massa de gelo como preocupantes. A diminuição de glaciares levanta receios de aumento do nível do mar em escala global.

 

 

Fonte: Antártica /Getty Imagens


As altas temperaturas, as chuvas e o colapso de uma massa flutuante de gelo na Antártida Oriental aumentam dúvidas e preocupações sobre o possível efeito das alterações climáticas na área mais fria, seca e com ventos mais fortes do mundo.

 

Os eventos se seguiram à diminuição da extensão mínima do gelo marinho da Antártida após o derretimento do verão. A redução abaixo de 2 milhões quilômetros quadrados aconteceu, pela primeira vez, desde que começou o monitoramento por satélites, em 1979. 

 

 

Plataforma de gelo 


Em 1 de abril, a Organização Meteorológica Mundial, OMM, alertou que o continente tido como um “gigante adormecido” registra temperaturas cada vez mais extremas.  Para a agência, com chuva rara e mudanças nas plataformas de gelo, esta situação não deve ser subestimada.

 

Na terceira semana de março, as estações de pesquisa na Antártida Oriental marcaram até -12,2°C de temperatura do do ar, nível sem precedentes e 40º Celsius acima da média mensal.

 

A estação russa Vostok, no meio do planalto de gelo da Antártida, atingiu uma alta provisória de -17,7 ℃. A marca quebra o recorde anterior de -32,6 ℃.

 

Já a estação de pesquisa Dome Concordia, operada pela Itália e pela França no topo do planalto antártico a 3.233 metros acima do nível do mar, obteve a temperatura mais alta de todos os meses.

 

Um dia antes, diversas estações meteorológicas tinham chuva na área costeira mais a montante, e até temperaturas bem acima de 0°C.

 

 

Ecossistemas 


Para os cientistas franceses Etienne Vignon e Christoph Genthon a chuva “é rara na Antártida, mas quando ocorre, tem consequências nos ecossistemas, principalmente nas colônias de pinguins e no balanço de massa do manto de gelo”.


Um fator positivo é que na época atual “não há mais filhotes de pinguim, mas o fato de isso acontecer agora em março é um lembrete do que está em jogo nas regiões periféricas: vida selvagem, estabilidade do manto de gelo”.

 

A OMM ressalta previsões de especialistas de que embora a temperatura do também chamado Dome C gere atenção dos Climatologistas, “as chuvas na costa em março são uma fonte de preocupação para todos”.

 

A agência ressalta que o calor e a umidade resultam do chamado “rio atmosférico”. Trata-se de uma faixa estreita de umidade gerada pelo aquecimento de oceanos. Mas acham que ainda é prematuro dizer definitivamente se a mudança climática é a causa.

 

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Colapso


Para o cientista-chefe da ONG ambiental Berkeley Earth, Robert Rohde, este evento vem “reescrevendo livros de recordes e as expectativas sobre o que é possível na Antártica”. Ele considera o episódio “estranhamente improvável”, questionando se “é um sinal de que mais estaria”.

 

De acordo com a OMM, a Península Antártica, na ponta noroeste próxima à América do Sul, está entre as regiões de aquecimento mais rápido do planeta. O nível atingiu quase 3°C nos últimos 50 anos. A área remota da Antártida Oriental, no entanto, é a que até agora sofreu menos impactos.

 

Em relação ao recente colapso das plataformas flutuantes, do tamanho de Roma ou Nova Iorque, em 15 de março, a OMM considera muito cedo declarar a razão. Mas descarta que o motivo tenha sido o derretimento no nível da superfície.

 

 

Novo pico


Especialistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, Ipcc, disseram que as duas principais camadas de gelo na Groenlândia e Antártica vêm perdendo massa desde pelo menos 1990. A maior queda ocorreu entre 2010 e 2019, prevendo-se que essa tendência continue. 


A agência da ONU alerta que com o derretimento das camadas de gelo e geleiras, a taxa de aumento global do nível do mar aumentou desde que as medições de altímetro por satélite começaram em 1993. O novo pico ocorreu em 2021.

 

Estima-se que a camada de gelo da Antártida tenha até 4,8 km de espessura e 90% da água doce do mundo.

 

A dimensão é suficiente para elevar o nível do mar em cerca de 60 metros, caso a massa venha a derreter por completo.

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